<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581</id><updated>2011-12-27T23:05:20.963Z</updated><title type='text'>A Janela do Ocaso</title><subtitle type='html'>A tragédia do Ocidente é ser Poente</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>639</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-5626321274067864690</id><published>2011-09-11T09:49:00.001+01:00</published><updated>2011-09-11T09:58:37.426+01:00</updated><title type='text'>O Mundo Circular</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este&lt;i&gt; blog&lt;/i&gt; era aquele onde escrevia sobre os livros que lia e sobre o que poderia ser escrito em livros. Depois, um dia de zanga feroz, apaguei, vingativo, os&lt;i&gt; blog&lt;/i&gt;s - este blog e todos os blogs e um que perdi de vez ou tirei-os do "ar" o que dá no mesmo - mas ressurgiria, feitas as pazes comigo e amnistiado o mundo, com outro, que esse é parte do meu nome e por isso se chama &lt;a href="http://antoniorebelodasilva.blogspot.com/"&gt;António Rebelo da Silva&lt;/a&gt;. E decidi que pediria exílio à Literatura e ali viveria, do mais isolado. E assim fiquei a adoecer a alma com o absinto da poética e a envenenar o corpo com o arsénio da ilusão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois sucedeu que a vida passou a ocupar o seu lugar e eu a dar comigo a vive-la, com a totalidade de mim, incluindo todos os outros e as janelas de par em par, pagão e místico, rendido ao Ser que criou o Ser que tudo criou.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os livros, esses, faziam já entretanto parte do meu quotidiano, comigo, teimoso, aplicado, a vencer uma incultura ancestral, esfaimado de saber. Alguns desses livros eram ao bom estilo alfarrábio, e pensando neles criei um espaço, que ainda hoje subsiste e vai ser reanimado, com o nome de &lt;a href="http://afantasticalivraria.blogspot.com/"&gt;A Fantástica Livraria&lt;/a&gt;, espécie de biblioteca universal do papel amarelecido e encarquilhado. Outros, dos que enchem estantes e já se espalham pelo chão, e não são propriamente o &lt;i&gt;vient de paraître&lt;/i&gt; que faz as delícias dos apodados críticos que só se apodam porque vivem no terror de falhar a última, mas são o que eu desejo e cobiço e namoro e desfolho em luxúria, sublinhado-lhe as rugas dos melhores momentos. É a pensar nesses que ficou o António Rebelo da Silva. O &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt; do que lê.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro que, no tumulto da vida e a minha é uma algazarra contínua com todos os muitos que me habitam, há os inúmeros outros &lt;i&gt;blogs&lt;/i&gt;, e são bastantes, por onde me fui dividindo, promíscuo mas nunca infiel. Há o que dedico à &lt;a href="http://mariaondinabraga.blogspot.com/"&gt;Maria Ondina Braga&lt;/a&gt;, sobre quem escrevi um livro, porque está jurado, à &lt;a href="http://haialispector.blogspot.com/"&gt;Clarice Lispector&lt;/a&gt;, que é um caso de paixão infrene, à&lt;a href="http://irenelisboa.blogspot.com/"&gt; Irene Lisboa&lt;/a&gt;, minha vizinha por todas as sacadas desta Lisboa sobre o rio. Há aquele onde está a língua prodigiosa, a&lt;a href="http://espantosalingua.blogspot.com/"&gt; Espantosa Língua&lt;/a&gt; que é a nossa Pátria. E aqueles onde está o que escrevo, dando realidade à ficção, como &lt;a href="http://muralhasdosilencio.blogspot.com/"&gt;As Muralhas do Silêncio&lt;/a&gt;. E depois são aqueles outros como onde está o meu ser escondido e onde rareio, como &lt;a href="http://ocultodooculto.blogspot.com/"&gt;O Culto do Oculto&lt;/a&gt;, aquele que é o meu ser que pensa com o coração e tem saudades pátrias do futuro, como a &lt;a href="http://geometriadoabismo.blogspot.com/"&gt;Geometria do Abismo&lt;/a&gt;, o &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt; do que quis fossem e hão ser memórias, a começar pelas da minha infância, as do filho do solicitador que nasceu numa rua ao fundo da qual passavam comboios, a &lt;a href="http://provisoriatranslacao.blogspot.com/"&gt;Provisória Translação&lt;/a&gt;, o &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt; que é uma necrologia prematura e uma hossana funerária a tudo quanto renasce, e que toma como nome &lt;a href="http://reciclagemdoser.blogspot.com/"&gt;A Reciclagem do Ser&lt;/a&gt;, porque o divino é circular e o mundo corre para o seu princípio como um rio no seu reverso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem ama dedica-se integralmente ao seu amor, como eu a cada um destes locais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou, no fundo, o ser das deambulações singelas pelos jardins domingueiros e matinais, como &lt;a href="http://passeiopeloparque.blogspot.com/"&gt;O Passeio pelo Parque&lt;/a&gt;, a essência do que sou é ser &lt;a href="http://serficticio.blogspot.com/"&gt;O Ser Fictício&lt;/a&gt;, imaginando-me e rindo-me reflexamente como se de outro me risse. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mais, são coisas de estudos e de aventuras, como o &lt;a href="http://patologiasocial.blogspot.com/"&gt;Patologia Social&lt;/a&gt;, que é sobre as coisa feias onde trabalho, &lt;a href="http://omundodassombras.blogspot.com/"&gt;O Mundo das Sombras&lt;/a&gt;, sobre os que viviam a duplicidade e o risco permanente, o &lt;a href="http://24-land-portugal.blogspot.com/"&gt;24 Land&lt;/a&gt;, para inglês ver, e o que vai sendo editado pela Labirinto de Letras, nesta eu de guarda-pó de editor, tentando que haja para ler o que gostaria de ter escrito, a endividar-me como um cão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há dias inventei um alter-ego que tem um diário &lt;a href="http://avelhamansarda.blogspot.com/"&gt;A Velha Mansarda&lt;/a&gt;. E ontem um outro por onde fica tudo o que li na viagem marítima que é a minha ânsia de enseada em madrugadas de mar picado e ondas em rebentação. Este &lt;a href="http://whentdowntheship.blogspot.com/"&gt;aqui&lt;/a&gt;. E as cenas dos próximos capítulos que eu ainda não acabei nem o mundo encerrou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-5626321274067864690?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5626321274067864690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5626321274067864690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2011/09/o-mundo-circular.html' title='O Mundo Circular'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7357299885364400819</id><published>2009-05-30T08:45:00.003+01:00</published><updated>2009-05-30T09:11:41.402+01:00</updated><title type='text'>O lugar interior</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Consegui ontem, por viajar de comboio, iniciar a leitura do Marcovaldo, o livro de crónicas do Italo Calvino. É uma história abstracta vivida num mundo demasiado concreto. O leitor segue o percurso de uma insignificante folha de árvore, soprada pelo vento, acompanha a sua errática trajectória, antecipa o momento que, torneando o pára-brisas de um automóvel, é sustida amigavelmente pela intersecção de uma esquina de parede e uma corda esticada para estender roupa. Os figurantes neste teatro rústico vivido em ambiente citadino têm todos nomes grandiloquentes, clássicos, greco-latinos. A Itália é uma criatura recente, a língua italiana precede-a criando uma Pátria cultural antes de haver uma Nação de cidadãos. Leio Calvino, essa babel linguística magnífica, no original, &lt;em&gt;allegro cantabile, vivace, con brio&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7357299885364400819?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7357299885364400819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7357299885364400819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/05/o-lugar-interior.html' title='O lugar interior'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-2274857995700851949</id><published>2009-05-23T10:25:00.004+01:00</published><updated>2009-05-23T10:33:58.280+01:00</updated><title type='text'>A Buchholz</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Buchholz fechou. Vai a leilão. Tinha estado lá outro dia num festivo lançamento, amigo. Tinha passado depois, vendo poucos livres, tristes. Num canto, em outra sala, algumas raridades, exorbitantes. A Buchholz estava já com cara de quem tem a morte na cara. Num desses dias que passaram tinha-me cruzado com os que traziam sob a bata branca de seus médicos, a fardeta camarária de coveiros. Despiram-na. A Buchholz há muito que tinha deixado de existir. Livraria poliglota, espécie de pequena amazon babilónica, mas real, onde se podiam sentir os livros, tácteis e alcançáveis, picadeiro de vaidades, em volteio pelas estantes, bibliografia para doutorandos, timbre de classe para os que faziam da diferença método e da sua demonstração meio. A Buchholz fechou. Passou ontem num rodapé de um telejornal. Um sujeito gesticulava iracundo. Os meus olhos desceram à breve notícia. Um mundo feio sujava-me a alma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-2274857995700851949?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2274857995700851949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2274857995700851949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/05/buchholz.html' title='A Buchholz'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-1596353944890272373</id><published>2009-05-17T22:44:00.002+01:00</published><updated>2009-05-17T22:54:19.032+01:00</updated><title type='text'>O calor de um sentimento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ainda não voltei a ler o livro de Rachel Jardim. Talvez o faça ainda esta noite, aproveitando um qualquer instante. Acho que preciso da companhia dessa leitura, retrospectiva, calmante, reintegradora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Venho aqui esconjurar um momento doloroso que com o livro nasceu esta manhã. Fala-se nele de Tia Inaiá, que casara com tio Renato, arquitecto italiano «&lt;em&gt;que tinha a desproporcionalidade longilínea das figuras de El Greco&lt;/em&gt;». Renato era «&lt;em&gt;um ser profundamente sofrido&lt;/em&gt;»: «&lt;em&gt;estivera preso durante a Guerra, quando a Itália invadira a Etiópia. Defendera a Etiópia. Contava sempre que, tendo sido aprisionado e estando a caminho de um campo de concentração com outros prisioneiros num carro aberto, um bando de pobres mulheres etíopes fora ao encontro deles, oferecendo frutas. Uma não tinha nada para dar e estendeu o menino que amamentava, para que Renato segurasse por uns instantes e sentisse o seu calor&lt;/em&gt;».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lê-se isto e é um desabar íntimo de tudo quanto ainda existe no precário edifício dos sentimentos. Que pobres somos, afinal, tartamudos, belfos, hesitantes em gaguez, na nossa tentativa de exprimir carinho. E por uns instantes sentisse o seu calor...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-1596353944890272373?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1596353944890272373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1596353944890272373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/05/o-calor-de-um-sentimento.html' title='O calor de um sentimento'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-5662329771765227790</id><published>2009-05-17T08:39:00.005+01:00</published><updated>2009-05-17T12:05:52.578+01:00</updated><title type='text'>Acontece</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Oferecerem-nos livros, essa coisa magnífica. Maná para quem esgota o que tem em livros e por vezes, já sob o efeito alucinogénico da livraria, se atreveria a ir para além do esgotamento e do que já não tem. Oferecerem livros a quem quer livros, todos os livros. Oferecerem livros a quem foi deixando ficar livros em casas agora alheias. Oferecerem livros, pelas alminhas, pela sua saúde, oferecerem livros que tenho fome de ler, oferecerem livros muito e muito obrigado bem haja e Deus o guarde. Oferecerem livros, essa ladainha que é ofereceram-me livros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rachel Jardim, brasileira, escritora. Teve a generosidade de me oferecer seus livros, com amável e sentida dedicatória. Comecei ainda ontem um deles, o que é meio diário, meio relato íntimo, meio crónica de família, o que tem desenhos de João Guimarães Vieira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia a História far-se-á assim, para se saber como era, como se sentia, como se vivia, com estes relatos do interior.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chama-se &lt;em&gt;Os Anos 40&lt;/em&gt;. Foi publicado no Rio de Janeiro por J. Olympio, Editor. A obrinha tem esta coisa de notável: na página final, como mandava a tradição, tem as notas do editor e da tipografia. Diz que foi confeccionado - palavra ímpar que desapareceu do mundo editorial, com sabor a gastronomia e a iguaria - nas oficinas dos Estabelecimentos Gráficos Borsoi, S.A. em Novembro do ano de 1973. Até aí tudo bem, como se diz, em modo cantante, nesse &lt;em&gt;nosso&lt;/em&gt; Brasil. Mas continua: «sesquincentenário do nascimento de Gonçalves Dias, sesquincentenário da morte de Hipólito José da Costa, centenário do nascimento de Laudelino Freire, Rodolfo Garcia, Santos Dumont..e assim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já não há disto, minha gente, um editor que mede os anos por datas de vida e morte de seus escritores, como se não houvesse na Literatura outro tempo nem outro modo de o contar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou na página 22 de 119. Se hoje puder e este sol magnífico não me tentar com sua mão macia ou o trabalho não me vencer com sua garra aguda, tentarei ler mais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ontem estive com o tio Mário: «nunca vi ninguém partir fatias de queijo tão finas e, durante muitos anos, pensei que aquilo fosse a prova máxima de boa educação»; com «seu» Bernardo «dizem que morreu de desgosto, de surpresa, de perplexidade (foi um enfarte)»; com Florinda que «era parteira e fazia abortos e amor, quase livremente»; fui ainda ao cinema ver &lt;em&gt;O Monte dos Vendavais&lt;/em&gt;, que nesse além-mar de língua portuguesa se &lt;em&gt;chamou O Morro dos Ventos Uivantes&lt;/em&gt;, e com ele a imaginação em vez de vida: «&lt;em&gt;A vida era mais imaginada do que vivida. Não havia sofreguidão em viver. O ritmo era lento. Um dia me perguntaram - o que vocês faziam em Juiz de Fora, naquela época? Esperávamos. E nessa espera, fora e dentro de nós, as coisas aconteciam&lt;/em&gt;». Lê-se isto e como se aprende que no mundo de hoje, em que tanto sucede, afinal, nada acontece.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-5662329771765227790?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5662329771765227790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5662329771765227790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/05/acontece.html' title='Acontece'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-6604025751042937943</id><published>2009-05-16T19:51:00.003+01:00</published><updated>2009-05-16T19:58:41.511+01:00</updated><title type='text'>Contrafatta Natura</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A caminho do &lt;em&gt;Pingo Doce&lt;/em&gt; fui à &lt;em&gt;Pó dos Livros, &lt;/em&gt;aqui ao lado, e encontrei lá o Marcovaldo do Italo Calvino, naquela edição apetecível da &lt;em&gt;Oscar Mondadori&lt;/em&gt;. Estive há tempos em Bolonha e trouxe de lá uns quantos, a esmo, por querer trazer todos. Tinha lido em português &lt;em&gt;Se uma Noite um Viajante&lt;/em&gt;. Outro dia reparei que, entre tantos, faltavam-me tantos. Juntei-lhes hoje mais este, reconstituindo a família, que está numa estante giratória à janela do meu quarto. Em dias de sol apanham sol. Há pouco entreabri-lhe a apresentação para me maravilhar, sabendo que me maravilharia. «&lt;em&gt;In mezzo all cità di cemento e asfalto, Marcovaldo va in cerca della Natura. Ma esixte ancora la Natura? Quella che egli trova è una Natura dispetosa, contrafatta, compromessa con la vita artificiale&lt;/em&gt;». Fantástico! Sabem como aprendi italiano? A ler italiano. Esfomeado de ler.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-6604025751042937943?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6604025751042937943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6604025751042937943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/05/contrafatta-natura.html' title='Contrafatta Natura'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-1719244632566062958</id><published>2009-05-14T17:54:00.001+01:00</published><updated>2009-05-14T17:56:35.042+01:00</updated><title type='text'>Uma natureza violenta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«Receoso e susceptível», assim nos viu, como povo, Miguel de Unamuno, um «povo triste mesmo quando sorri», uma Nação de gente «mais apaixonada do que sentimental». Enfim, «um povo de suicidas». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É a paixão que traz aos portugueses a vida e os atira para a morte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Suicidou-se Herculano por isolamento, Camilo e Antero, a tiro. Os nossos grandes vultos são grandes condenados. Os menos corajosos estiolam-se. Suicidas os que matam e os que morrem. Suicida Buíça ao matar Dom Carlos, suicida foi o Rei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Impossível ler Unamuno e não ir ler Manuel Laranjeira, esse extraordinário neurasténico, médico, que por isso tão bem se conhecia e nos conhecia. Impossível dele não vincar a frase «em Portugal todos temos os olhos vestidos de luto por nós mesmos».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Laranjeira e Unamuno encontraram-se casualmente em Espinho no dia 8 de Agosto de 1908. Duas almas trágicas, a do português analítica, o espanhol paradoxal. Recordo-vos de Laranjeira a perplexidade que me arrancou o seu estudo sobre a santidade como patologia, o misticismo como doença, o êxtase como terapia; o carinho que devotou à «Cartilha Maternal» de João de Deus. Mas quero recordar-vos sobretudo o que foi a sua dolorosa experiência sentimental, a sua «Augusta», modesta, plebeia, mas fonte de seus amores e causa de suas angústias. Inadaptado aos erros do coração, Laranjeira sabia que «o amor quando o não matam, morre, e morre como uma tarde de Setembro». Leio no seu Diário Íntimo. «Sou uma natureza violenta, silenciosamente violenta – que é a pior maneira de se ser violento», escrevera a António Carneiro, pintor. Violentou-se. Também com um tiro na cabeça, em 22 de Fevereiro de 1912. «Decididamente isto há-de acabar mal», confidenciara a Amadeo de Sousa Cardozo. Tinha então 34 anos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-1719244632566062958?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1719244632566062958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1719244632566062958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/05/uma-natureza-violenta.html' title='Uma natureza violenta'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-3352415847535947829</id><published>2009-05-11T22:53:00.003+01:00</published><updated>2009-05-11T23:05:09.067+01:00</updated><title type='text'>Janelas fechadas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há na Mimosa um quiosque que vende jornais e revistas. Talvez tabaco para quem fumar. Foi nele que esta tarde comprei a revista &lt;em&gt;Ler&lt;/em&gt;. Sentei-me a ler a &lt;em&gt;Ler&lt;/em&gt;. Veio um chá de menta e scones. Sem doce porque não posso adoçar-me. O dia esgotava-se e eu estava cansado. Dali a pouco tinha de estar numa conferência. Mas agora, na rua, esforçava-me por não levantar os olhos do que lia. O mundo tinha desaparecido, todas as janelas estavam fechadas. Lia sem nexo. Evitei o Graça Moura, poupei-me ao Agualusa. Para me animar a ler mais, comecei pelo fim. Vi então &lt;a href="http://farm3.static.flickr.com/2049/2356140016_740b3bf7ee.jpg?v=0"&gt;esta&lt;/a&gt; livraria. Fica a norte de Nova York. Aninhei-me nela, devolvido a casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-3352415847535947829?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3352415847535947829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3352415847535947829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/05/janelas-fechadas.html' title='Janelas fechadas'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-8354951024137856668</id><published>2009-05-07T23:44:00.006+01:00</published><updated>2009-05-08T00:16:12.450+01:00</updated><title type='text'>O inacabado momento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Extravagante, insolente, próximo do paroxismo e do pânico, eis Guilherme Augusto Cau da Costa de Santa Rita, Santa Rita Pintor como passou para a posteridade, uma posteridade para que se lançou aos vinte e oito anos. Estive com ele mais de perto há uns tempos quando tive nas mãos, por confiança extrema, o número dois da revista Orpheu. A meio uma estampa, litografada, composta em Paris em 1913, a que chamou de «compenetração estática interior de uma cabeça - complementarismo congénito absoluto». Esta noite abri o álbum que Joaquim Matos Chaves lhe dedicou em 1989, ano do centenário do seu nascimento, e que a Quimera editou. Progredi com muita incomodidade pelas páginas em que o anedótico, a &lt;em&gt;blague&lt;/em&gt;, vão lançando a peçonha do burlesco, do &lt;em&gt;clownesco&lt;/em&gt;, menorizando a grandeza do delírio, do éter do êxtase. Quase no fim surgiu a académica &lt;em&gt;Cabeça de Velha&lt;/em&gt; com que foi laureado com vinte valores na cadeira de expressão de Veloso Salgado. O sorriso ligeiramente tombado, uma aura de viuvez, há nela uma névoa no olhar, uma avó a retirar-se da família, do mundo, da vida. Mas foi com o inacabado &lt;em&gt;Louco&lt;/em&gt; que me aproximei da meia-noite numa noite em que hesitei sobre se teria algo a dizer. Boquiaberto, um grito feito de dor sem dentes, olhos esvaídos, ele é um sangrar-se pela tela, oblíquo, transversal, torturadamente repulsivo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-8354951024137856668?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8354951024137856668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8354951024137856668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/05/o-inacabado-momento.html' title='O inacabado momento'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-8543585818729092652</id><published>2009-05-05T23:59:00.000+01:00</published><updated>2009-05-06T10:06:03.396+01:00</updated><title type='text'>Personagem e intérprete</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Imaginam-se sons, onomatopaicos, antecipam-se luzes. Ensaia-se o movimento, a pausa, o nada no espaço e o intervalo no tempo. Teme-se a apoteose do grande final. Em breve será vida. Outros a representarem, a realidade a explicar a imaginação. No dia 21.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-8543585818729092652?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8543585818729092652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8543585818729092652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/05/personagem-e-interprete.html' title='Personagem e intérprete'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-5487908885604196304</id><published>2009-04-28T23:59:00.001+01:00</published><updated>2009-04-29T00:18:36.552+01:00</updated><title type='text'>Resistir</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Joaquim Paço d’ Arcos começa a narrativa do seu romance &lt;em&gt;Ana Paula&lt;/em&gt; com uma viagem a caminho da Torre. O autor de &lt;em&gt;Tons Verdes em Fundo Escuro&lt;/em&gt; felizmente volta a estar na moda. A Guimarães está a reeditar-lhe a obra, agora em exemplares magníficos. «Poucos medem a pressão de toda a ordem que as várias facções exercem sobre o romancista, tentando arregimentá-lo para os seus respectivos credos. É ela de tal ordem, que o mérito do escritor não está em optar, sim em resistir (…)», escreveu ele em &lt;em&gt;Confissão e Defesa do Romancista&lt;/em&gt;. Sabia do que falava. Concorrera em 1938, precisamente com &lt;em&gt;Ana Paula&lt;/em&gt;, ao prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências. O parecer dos imortais académicos foi arrasador. Pior, posto a circular na imprensa. Pior ainda, deram-lhe o prémio. O autor retaliou recusando a ofensiva distinção. O Presidente da Academia lamentou em sessão que «o moço e ilustre escritor» tivesse tomado melindre com o feito. Joaquim soube resistir. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-5487908885604196304?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5487908885604196304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5487908885604196304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/04/resistir.html' title='Resistir'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7889323830768052057</id><published>2009-04-22T23:59:00.001+01:00</published><updated>2009-04-23T06:47:42.130+01:00</updated><title type='text'>Não me contem o filme!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«&lt;em&gt;João de Vasconcelos Lopes, aos vinte e cinco anos, já professor de liceu, doutorando com uma tese a caminho e muito apaixonado pela sua noiva, que lhe retribui esse amor, vê-se na iminência de ter de partir para Angola como oficial miliciano. Um amigo muito envolvido nas lutas antifascistas prepara-lhe a saída a salto pelo Norte, Vera irá depois ter com ele, e lá vai João viver a grande aventura da sua vida, a travessia da fronteira e, em Espanha, onde o esperam outros apoios, novas peripécias até San Sebastian, onde consegue integrar-se numa excursão turística daí a Biarritz. E ei-lo em França, com o seu passaporte, com os primeiros carimbos falsos, é claro, a instalar-se num hotelzinho modesto no bairro Latino, a conviver com exilados políticos (...)».&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É o resumo de um livro, que encontrei numa recensão da Fundação Gulbenkian, &lt;a href="http://www.leitura.gulbenkian.pt/index.php?area=rol&amp;amp;task=view&amp;amp;id=30330"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E porque será que ante tais ingredientes não me apetece lê-lo? Será por algum reaccionarismo primário? Ou será porque na arte se exige mais subtileza, mais sublimação, mais forma de se chegar lá! Não me contem o filme se querem que eu vá ao cinema!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas há supresas: «&lt;em&gt;Assim um dia, o Professor Pardon propõe-lhe ir viver na província de Anjou, bela região entre o Maine e o Loire, em casa de uma fidalga, Madame de la Boullerie, que precisava de uma espécie de secretário-bibliotecário, que lhe arrumasse os livros que tinha em desordem e a ajudasse a organizar as memórias de seu falecido esposo (...)».&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ah! Mundo promissor! Uma Madame sem o falecido esposo e carecida de que lhe arrumassem os livros!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desisto, mesmo. Já agora, aqui fica. O livro chama-se &lt;em&gt;João Sem Terra&lt;/em&gt;. O autor, José Augusto França. O crítico embevecido Urbano Tavares Rodrigues. «Recomendar muito vivamente a repousada leitura deste livro é o mínimo que posso fazer», diz ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É verdade! A obra saiu o ano passado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7889323830768052057?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7889323830768052057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7889323830768052057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/04/nao-me-contem-o-filme.html' title='Não me contem o filme!'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-4815016712828969826</id><published>2009-04-19T12:11:00.004+01:00</published><updated>2009-04-19T14:12:55.387+01:00</updated><title type='text'>O sorriso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vi outro dia que vai ser editada a Obra Completa de Lygia Fagundes Teles. A primeira &lt;em&gt;fornada &lt;/em&gt;começa agora a chegar, li no «&lt;a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090419/not_imp357126,0.php"&gt;Estadão&lt;/a&gt;». &lt;em&gt;Fornada &lt;/em&gt;- palavra excelente - como se os livros fossem pãezinhos quentes, para barrar com manteiga, acompanhados a café.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«Clarice Lispector sempre me dizia: ?Lygia, não sorria nas fotos porque ninguém leva a sério escritoras que riem». Rio-me este domingo, ao pensar nisso. Claro que por vezes &lt;a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/files/2008/12/lygia_fagundes_telles1.jpg"&gt;este rosto&lt;/a&gt; torna-se &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_U8PbnLWkg-4/SKiN_r1ckuI/AAAAAAAAAAU/MqDI6XMh_KI/s400/728389_not_fot.jpg"&gt;nesta face&lt;/a&gt;. É a vida. Sorrir é por dentro, com a alma a sorrir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-4815016712828969826?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4815016712828969826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4815016712828969826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/04/o-sorriso.html' title='O sorriso'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7032373238141377311</id><published>2009-04-19T00:11:00.001+01:00</published><updated>2009-04-19T00:23:58.562+01:00</updated><title type='text'>The Cocktail Party</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De novo o Ruben A., agora a peça de teatro &lt;em&gt;Júlia&lt;/em&gt; que publicou em 1960. Inspira-se no &lt;em&gt;The Cocktail Party&lt;/em&gt; de T. S. Eliot, que traduziria. Não é um extraordinário texto, mas tem ironia suficiente para ser inteligente. Há crítica nos diálogos, alguma por pura descrição desse «mundo dissonante», como neste trecho exemplar, de conversa banal enquanto se joga canasta numa tarde de domingo, sem convicção: «Esta semana não queremos deixar de ir ver a fita que vai no Tivoli. Toda a gente fala. É uma fita que vale a pena ver. Estamos atrasados. Se nos apanham, sem termos visto essa fita, julgam que não fazemos nada». &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7032373238141377311?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7032373238141377311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7032373238141377311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/04/cocktail-party.html' title='The Cocktail Party'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-4494696117789777866</id><published>2009-04-12T18:49:00.003+01:00</published><updated>2009-04-12T19:08:55.447+01:00</updated><title type='text'>O eclipse</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«Isto já não vai com Deus!» diz Loukas Notaras, o ortodoxo, com os turcos já às portas de Constantinopla e Constantino a saber que «a justiça é a comida da ilusão». A cidade cairia às mãos do Otomano no dia 29 de Maio de 1453 e com ela o Império Romano do Oriente. Era uma terça-feira. Constantino XI expiará o seu maior pecado, «a ambição de não ter ambição». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Li tudo isto ao ler &lt;em&gt;Relato 1453&lt;/em&gt; a peça de teatro que Ruben A. escreveu sobre um tema a que Jorge de Sena se dedicara dois anos antes, escrevendo em Araraquara &lt;em&gt;O Império do Oriente&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«Estão nuvens sobre o céu de Constantinopla...É Deus que se esconde...para as despedidas não quer estar presente. Ah!...Deus está com medo dos turcos, os tempos estão diferentes. Vamos morrer...vamos morrer», revolta-se o Imperador.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A ideia ficou. Desde então resta o presságio de que Deus pode ter medo do infiel. A cidade resistiria, segundo a profecia, enquanto a lua brilhasse no céu. Cinco dias antes ocorreu um eclipse lunar total: o sol envergonhava-se.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-4494696117789777866?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4494696117789777866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4494696117789777866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/04/o-eclipse.html' title='O eclipse'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-9021138341232849177</id><published>2009-04-09T19:58:00.003+01:00</published><updated>2009-04-10T00:34:19.226+01:00</updated><title type='text'>O triálogo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em 1951, quase a deixar o seu lugar de leitor do &lt;em&gt;King's College&lt;/em&gt;, Ruben A. escreveu uma peça de teatro chamada &lt;em&gt;Triálogo&lt;/em&gt;. Lia-a agora, enquanto esperava por uma boleia que ainda não chegou. A narrativa é surreal, «absurdismo surreal em sátira culta» lhe chamou o prefaciador da edição da &lt;em&gt;Assírio &amp;amp; Alvim,&lt;/em&gt; onde vem publicada, burlesca diria, com Camões, sim o Luiz Vaz, agora feito burocrata e apoquentado com os despachos, «coisas sem interesse, quadras populares, jogos florais, admissões de serventes e contínuos», mais &lt;em&gt;Uma Velha Lady Inglesa&lt;/em&gt; que faz de si marido, julgando-se viúva quando, di-lo ele, «juridicamente» - ah! risos - está apenas «hipotecada» e, Pirandello puro, o próprio autor «convertido em personagem». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ri-me, sim, com gosto e vontade de rir. E a minha boleia sem vir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É que há, entre tanto riso, aquele momento em que está lá fora a personagem que quer entrar em cena, o inesperado, o director da agência &lt;em&gt;Nini&lt;/em&gt;, sequioso por conhecer o &lt;em&gt;Épico&lt;/em&gt; e dele obter uma fala, uma conversa, uma entrevista; mas não, não entrará, porque, remata o Ruben A., actor em cena, «o tipo não pode aparecer porque nesta peça só há três personagens falantes e além disso eu não quero que ele apareça. Tira todo o interesse ao nosso triálogo». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E pronto, eis assim, talqualmente, a paródia, mas não só, pois há mais! Há uma possibilidade, lógica, abstracta, mas cenicamente possível, que o teatro é o domínio da liberdade à solta: ele poderia ser o outro, um qualquer, por exemplo o marido de Madame. &lt;em&gt;Porquoi pas?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas oh! Uma Lady Inglesa só poderia, caprichosa, dizer com esta diz: «Não quero que seja meu marido. Era desagradável para ele saber que o tinha esquecido. Não convém que seja o meu marido. Proponho que não seja o meu marido». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora! E assim ficou: «Então está bem, estamos todos de acordo que o homem que está lá fora não é o seu marido nem mesmo que ele queira», diz Ruben A., magnífico! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É a risota geral, em todo o teatro até na geral, o curral dos que seguem de pé, aninhados pela arte e pelo bilhete baratucho. Aplaudo em pé! A minha boleia chegou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-9021138341232849177?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/9021138341232849177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/9021138341232849177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/04/o-trialogo.html' title='O triálogo'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-3600349553115434574</id><published>2009-04-09T15:31:00.005+01:00</published><updated>2009-04-10T00:29:26.222+01:00</updated><title type='text'>Agradecimento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quase acabei a leitura, aos poucos, do volume de cartas que Wenceslau de Moraes escreveu a Alfredo Ernesto Dias Branco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É uma compilação de nostalgias. Fala do drama individual e de uma tragédia colectiva. Está ali um português e Portugal. Ambos tristes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Exilado da vida, vivendo agora só, Moraes deixa que a Natureza se encarregue dele. A propósito de uma fotografia em que aparece com «barbas de farricôco» escreve este momento de fina ironia: «eu que sempre embirrei em entregar o cabelo e as barbas ao cuidado de mãos que não pudesse beijar em agradecimento no fim da operação; por isto só frequentei barbeiros em caso de força maior».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-3600349553115434574?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3600349553115434574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3600349553115434574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/04/agradecimento.html' title='Agradecimento'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-9099294955365894400</id><published>2009-04-06T20:46:00.000+01:00</published><updated>2009-04-06T20:48:04.266+01:00</updated><title type='text'>Crónica da vida lisboeta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Perguntam-nos assim? Já leu as Crónicas da Vida Lisboeta? E uma pessoa pensa logo no Armando Ferreira e os seus convites à boa disposição. Ou no Gervásio Lobato. Mas depois dizem: não! Do Joaquim Paço d'Arcos. E um incauto vai à estante onde tem tanto livro dele que até já comprou repetidos e diz: pois não tenho! Bom, mando vir. São porventura artigos de jornal sobre recantos alfacinhas.&lt;br /&gt;Chega hoje o livro. É lindo. Edição da Guimarães. Todos os livros da Guimarães agora são bonitos, de uma beleza patrícia.&lt;br /&gt;Olho para a capa! Susto! Afinal são dois romances que já tenho! Ana Paula, publicado em 1938, que ele começara a escrever em Janeiro do ano anterior, e Ansiedade, editado em 1940.&lt;br /&gt;Será que fazem parte de algum conjunto que na origem assim se chamava?&lt;br /&gt;Vou trepar ao escadote para ir verificar na estante. Os livros de Paço d' Arcos, de seu nome real Joaquim Belford Corrêa da Silva, Paço d'Arcos é o designativo nobiliárquico, estão junto ao céu. Um momento.&lt;br /&gt;Voltei. Pois nada. Ana Paula, dedicado a sua mulher, ostenta como subtítulo Perfil duma Lisboeta. Só isso.&lt;br /&gt;Pronto. Mas não desisto. Fui ao estudo de Álvaro Dória sobre a vida do escritor e leio que com a peça teatral O Cúmplice o escritor inaugurou um novo género «em que também se consagraria. O Cúmplice, para onde transitaram algumas das personagens da Ana Paula, agora postas a agir no palco vivo, e daqui, por sua vez, para a "Crónica da Vida Lisboeta" outras que nesta farão carreira, foi à cena no Teatro Avenida na Primavera de 1940».&lt;br /&gt;Vá lá, uma pista. Mas foi finalmente&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.lis.ulusiada.pt/eventos/exposicoes/joaquimpacodarcos/de_monografias.htm"&gt;&lt;strong&gt;aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; que se encontrou a chave do enigma. «Crónica da Vida Lisboeta» foi o subtítulo de uma série de livros da sua autoria.&lt;br /&gt;Enfim, fico com os livros todos. Olho neste momento com nostalgia para os que tinha. O Ana Paula está encadernado a pano. Juraria que era de uma tipografia colonial, de uma Missão Católica. Na canto superior da lombada está, discreto, o nome do autor, no inferior o nome daquela a quem pertenceu: Alda Corte-Real. Quem será? E o que leu nesta história? E em que recanto do mundo se envolveu nestas páginas? Quanto ao meu Ansiedade, esse tem uma dedicatória de difícil legibilidade mas em que consigo decifrar «para a viagem da ... 20/10/44». Quem seria? Que viagem foi? Ah! Como será bom viajar! Nem que seja literariamente. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-9099294955365894400?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/9099294955365894400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/9099294955365894400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/04/cronica-da-vida-lisboeta.html' title='Crónica da vida lisboeta'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-2897932370643233725</id><published>2009-04-03T23:59:00.001+01:00</published><updated>2009-04-04T20:18:01.628+01:00</updated><title type='text'>O riso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Comecei a ler as cartas de Wenceslau de Moraes a Alfredo Ernesto Dias Branco. Gosto de ler cartas. Dão o sentimento de quem as escreve e o contexto em que são escritas. São mais vivas que um compêndio de História, mais ricas do que um manual de Psicologia. Encontram-se nelas pérolas de observação. Vivendo frugalmente, cônsul de Portugal no Japão, dedicado à escrita, solitário, Moraes distancia-se cada vez da vida política do país. Chegam-lhe ecos da decadência da Monarquia, vê com pouco entusiasmo o alvor da República. Duvida dos homens da política. «A tristeza é no nosso país a doença dos homens honestos, dos bons; só os patifes riem», escreve em 18 de Fevereiro de 1910.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-2897932370643233725?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2897932370643233725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2897932370643233725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/04/o-riso.html' title='O riso'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-5871255015905623962</id><published>2009-03-29T09:20:00.001+01:00</published><updated>2009-03-29T09:21:29.357+01:00</updated><title type='text'>Música antiga</title><content type='html'>Há pequenos tesouros perdidos no ciber-espaço. Em música antiga, por exemplo, &lt;a href="http://www.ancientfm.com/"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-5871255015905623962?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5871255015905623962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5871255015905623962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/03/musica-antiga.html' title='Música antiga'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-5540102740410426045</id><published>2009-03-21T07:38:00.003Z</published><updated>2009-03-21T08:11:16.630Z</updated><title type='text'>A Ucrânia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Compreende-se agora, quando se progride na leitura, porque se chama &lt;em&gt;O Apocalipse dos Trabalhadores&lt;/em&gt;. Valter Hugo Mãe traz à nossa literatura Andriy e Sasha e a Ekaterine, de Korosten, perto de Chernobyl, na Ucrânia. Andriy emigrado para Portugal, o ser mecânico, robotizado, de quem o país emprega os robustos músculos e a rotina de não pensar, que não lhe querem o pensamento nem sentimentos mas, no trabalho braçal, só a mecânica dos gestos, de quem Quitéria se serve do ritual de cada um dos actos que no sexo se aplicam, essa satisfação necessária. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É uma história em que há também Maria da Graça e o senhor Ferreira e o seu pai, tetraplégico, «quadrúpede de tristeza», e a guarda de polícia Quental, a monotonia e o desejo, mais o emprego de carpideira e o trabalhar nas obras, tudo em Bragança, em Vinhais, em Portugal, que na história é o nome de um cão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É um livro magnífico de gente «com vontade de não se ver existir».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lia ontem, voltado ao livro, para chegar a «sete milhões de ucranianos morreram à fome nos anos trinta e dois e trinta e três do século vinte», mais «os sete milhões de mortos na segunda guerra mundial», e os mortos mais os afectados pela catástrofe de Chernobyl. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi então, com vergonha de ser humano e de ter vivido neste século que, comigo, «na cozinha dos Shevchenko sentavam-se mais de catorze milhões de mortos a olhar para os pratos de sopa». Com fome.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ei-los enfim chegados à literatura e aos campos de trabalho: os ucranianos e a raiva de sobreviver. Obrigado pela memória e por escreveres tão bem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-5540102740410426045?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5540102740410426045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5540102740410426045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/03/ucrania.html' title='A Ucrânia'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-2768730839526901651</id><published>2009-03-19T07:33:00.005Z</published><updated>2009-03-19T08:23:01.688Z</updated><title type='text'>A lei do descanso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Imagina-se no Franz Kafka depressão, melancolia, um universo concentracionário, os tectos baixos. Bem, os tectos baixos existem. Quando Josef K. entra na sala de interrogatório, um salão familiar adaptado a tribunal, instalado improvisadamente numa casa de habitação - onde é que eu já vi isto? - todos os da magna assembleia «eram forçados a inclinar-se para se manterem de pé e batiam com as costas e cabeças no tecto», pelo que «alguns tinham trazido almofadas que haviam colocado entre as suas cabeças e o tecto para não se esfolarem». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, estando já a sorrir com esta pictórica descrição, não se espera é que se solte o riso quando se lê que a menina Elsa, que de noite trabalhava como criada numa taberna, «durante o dia recebia as suas visitas metida na cama». O que se compreende, pois há o direito ao descanso: o que puderes fazer deitado não o faças sentado, o que puderes fazer sentado não o faças de pé. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-2768730839526901651?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2768730839526901651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2768730839526901651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/03/lei-do-descanso.html' title='A lei do descanso'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-9196881129116435420</id><published>2009-03-18T10:43:00.003Z</published><updated>2009-03-18T10:51:18.292Z</updated><title type='text'>O regulamento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«Ultrapasso a minha missão ao falar-lhe tão amistosamente», disse o polícia a Josef K., acrescentando, ao referir-se ao seu colega: «também ele o trata simpaticamente à revelia do regulamento». É assim em &lt;em&gt;O Processo&lt;/em&gt; de Franz Kafka: a amabilidade é uma irregularidade, a denúncia uma calúnia que solta os mastins da lei.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-9196881129116435420?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/9196881129116435420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/9196881129116435420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/03/o-regulamento.html' title='O regulamento'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-1484622097490297247</id><published>2009-03-09T23:58:00.002Z</published><updated>2009-03-10T00:19:23.967Z</updated><title type='text'>A redenção</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há no filme &lt;em&gt;O Leitor&lt;/em&gt; tantos aspectos de magnificência humana que isolar um só é um atentado contra a suprema arte de ter sabido contar assim aquela pungente lição de humanidade. Mais do que uma história sobre a culpa alemã, ele é uma fábula sobre a inocência do Homem, sobre a redenção possível. Esta noite a lua enchia os céus e os corpos da abundância da renovação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-1484622097490297247?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1484622097490297247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1484622097490297247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/03/redencao.html' title='A redenção'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-8804677131718615601</id><published>2009-03-08T11:55:00.001Z</published><updated>2009-03-08T12:01:07.697Z</updated><title type='text'>Era uma vez</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma biblioteca desmorona-se, um homem morre. O arquivo continha manuscritos de Karl Marx. Há quem pense que a cultura é perigosa e que o marxismo mata. Foi &lt;a href="http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=128340"&gt;na Alemanha&lt;/a&gt;. Ontem re vi uma grande parte do filme Violência e Paixão do Visconti. Tudo começa em torno de uma biblioteca. Também ali o velho palácio ameaça ruir. Mas a história é bela. O professor vence a solidão e descobre a alegria de viver. A vida triunfava no momento em que, com sono e constipação, deixei o resto para depois. Como não me lembro da narrativa tudo pode acontecer quando retornar ao filme. Espero que acabe bem. Há um momento em que a esperança nasce em que ao menos uma vez as histórias acabem bem. Uma última vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-8804677131718615601?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8804677131718615601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8804677131718615601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/03/era-uma-vez.html' title='Era uma vez'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-4918621436206607428</id><published>2009-03-07T16:49:00.004Z</published><updated>2009-03-07T17:03:01.375Z</updated><title type='text'>Um engate</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A boa escrita é um engate. Prende-nos como um anzol, vai-nos dilacerando a carne ao arrastar-nos. Retomei hoje a leitura. «Fazem-me mais triste, eu sei, mas estiveram sempre convencidos de que a obra que deixaram me haveria de fazer feliz», pensava Maria da Graça, a personagem de Walter Hugo Mãe, a mulher-a-dias, que entregava o corpo e o tempo ao senhor Ferreira «com o maldito categoricamente afirmando que lhe punha as mãos pela oportunidade», devolvendo-a, «assim conspurcada ao marido». Uma escrita poderosa, ágil, funda, a contar, toda em minúsculas, que «o amor criado assim, a partir de quem se odeia, é o pior, dizia-lhe a quitéria, é como lutar com a sombra». O livro chama-se &lt;em&gt;O Apocalipse dos Trabalhadores&lt;/em&gt;. Não lhe conhecia outro livro. Agora, quando este se esgotar, irei a todos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-4918621436206607428?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4918621436206607428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4918621436206607428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/03/boa-escrita-e-um-engate.html' title='Um engate'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-1579766614733039095</id><published>2009-02-27T23:59:00.002Z</published><updated>2009-02-28T10:58:16.772Z</updated><title type='text'>A arte do ventriloquismo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na sua biografia sobre Erasmo de Roterdão, Stefan Zweig surpreendeu-lhe, ao contemplá-lo na impressionante gravura de &lt;a href="http://www.metmuseum.org/toah/images/h2/h2_19.73.120.jpg"&gt;Dürer&lt;/a&gt; e no quadro de &lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f9/Holbein-erasmus2.jpg"&gt;Holbein&lt;/a&gt;, a expressão de um corpo substancialmente inferior à dimensão da obra que o seu cérebro infatigável criou. A sua vida não residia no corpo mas no pensamento&lt;br /&gt;Máquina de pensar, mestre no estilo irónico, escondendo-se atrás de um discurso em que o &lt;em&gt;se &lt;/em&gt;e o &lt;em&gt;no entanto&lt;/em&gt; eram defesas ante os poderosos, este homem viu o mundo através dos livros, escondido atrás do baluarte dos livros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquele tempo os que viviam entre espíritos irmanavam-se com a criadagem. Saber pedir era uma forma de sobrevivência. «Erasmo lisonjeia nas cartas, para ser mais sincero nas obras», escreve o seu biógrafo austríaco. O &lt;em&gt;Elogio da Loucura&lt;/em&gt; é, como artifício de cinismo, um prodígio de inteligência defensiva. Nunca se sabe quem fala, se ele se Dona Estultícia. É a arte do ventriloquismo na sua melhor expressão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-1579766614733039095?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1579766614733039095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1579766614733039095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/02/arte-do-ventriloquismo.html' title='A arte do ventriloquismo'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7010941486985161881</id><published>2009-02-26T16:53:00.003Z</published><updated>2009-02-27T10:56:06.137Z</updated><title type='text'>O acto de dar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Num mundo cheio de pressa e de eficácia há pequenos cosmos de excepção. Aqui na rua há uma pequena loja que, entre outras extravagâncias, vende embrulhos para prendas. Ou melhor, embrulha prendas. Papel diferente, vistoso e colorido, laços e florinhas, cartões e cordões, pequenos selos a lacre, tudo o que dá um ar de imponência e de importância a uma pequena lembrança.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro que o invólucro não dura um minuto, a ansiedade de quem recebe, por vezes, estraga logo o magnífico envelope, para que, desventrado, dê à luz o apetecido conteúdo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O acto de dar é, porém, o aguardar pelo que embrulha o que se dá. Meia-hora está bem? Sim, meia-hora para que fique tudo como deve ser e o acto de oferecer seja uma longa paciência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7010941486985161881?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7010941486985161881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7010941486985161881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/02/o-acto-de-dar.html' title='O acto de dar'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-2645931537850169700</id><published>2009-02-22T18:58:00.003Z</published><updated>2009-02-22T19:07:53.394Z</updated><title type='text'>O oco</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Continuei com as aventuras do Kiá, desta feita envolvendo o Príncipe Rodolfo da Sérvia, o Conde de Castronovo, o encontro onde o Largo da Estefânia se cruza com a Pascoal de Melo e que a senha «o ninho da águia» proporcionou, o anão, o mealheiro quebrado,  a mulher austríaca de farto seio e o agente secreto Cabral, a criança raptada e subsituída, o manicómio do Dr. Hernâni e, eis-me onde queria, o interior do Arco da Rua Augusta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há nas entranhas desse monumento triunfal um relógio e o mistério do seu vazio. A entrada faz-se por uma disfarçada portinhola. Por debaixo da praça o oco que a estacaria sustenta. Hoje ronda por ali a toupeira do metropolitano e um halo de insegurança. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-2645931537850169700?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2645931537850169700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2645931537850169700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/02/o-oco.html' title='O oco'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-8839809254845652476</id><published>2009-02-17T08:54:00.004Z</published><updated>2009-02-17T19:52:25.544Z</updated><title type='text'>Confusão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em matéria de Lobo Antunes a confusão é possível porque todos escrevem ou quase. Em matéria de Lobo Antunes a confusão é impossível pois são todos diferentes de feitio e só vagamente semelhantes de cara. Pois num dos últimos posts chamei João ao António. Estava cheio de sono. Alertado já fui emendar. Vim aqui escrever sobre isso não com medo que me achem ignorante, só para me irmanar com os que dão erros, perdão fazem erros. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-8839809254845652476?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8839809254845652476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8839809254845652476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/02/confusao.html' title='Confusão'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7670748289948508765</id><published>2009-02-16T23:07:00.001Z</published><updated>2009-02-16T23:07:23.553Z</updated><title type='text'>O milagre da multiplicação dos peixes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Viver debaixo do mar só deve ser bom quando se vê o céu. Claro que para os peixes o céu é o tecto onde a água se lhes acaba. O reflexo que as nuvens ali projecta deve parecer-lhes uma imagem sem realidade, por isso sumamente bela. Se houver um arco-íris aquático, acredito na refracção da luz como se acredita nos milagres, do anil ao violeta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7670748289948508765?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7670748289948508765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7670748289948508765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/02/o-milagre-da-multiplicacao-dos-peixes.html' title='O milagre da multiplicação dos peixes'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-5315199683186710706</id><published>2009-02-02T18:20:00.004Z</published><updated>2009-02-02T18:37:36.151Z</updated><title type='text'>Personagens</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A universalidade da ideia de contar uma história possível chama-se ficção. A particularidade que faz ver na possibilidade dessa história uma realidade chama-se vida. No fundo é assim. Vivemos todos os dias uma vontade de que as coisas sucedam de modo imaginário. Quando, ante o sucedido, a alma nos sorri, chamamos a isso felicidade. Quando se nos esgota a imaginação, e já nada se recria, os outros julgam que morremos. Para tornar isso verdadeiro, fechamos os olhos e entramos em rigidez cadavérica. Nos registos oficiais abatem-nos ao efectivo. No círculo dos sentimentos privados vão ocupando o nosso lugar com outros frutos da invenção. Há os que deixam livros de memórias, forma de escaparem à menoridade através da grandiloquência. Outros ficam soterrados como personagens de histórias indecentes, forma de se rirem todos da moralidade e suas maçadorias. No meio disto há os que contam. Por eles, lágrimas de saudades imediatas, lembranças risonhas, a paz enfim de renascerem, inesperados, nos nossos corações.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-5315199683186710706?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5315199683186710706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5315199683186710706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/02/personagens.html' title='Personagens'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-8028189200682724282</id><published>2009-01-31T20:31:00.003Z</published><updated>2009-01-31T20:57:07.422Z</updated><title type='text'>Em frenesi</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fui a uma feira do livro no átrio da estação de comboios da Expo. Ladeava-a uma feira de discos e de filmes. Falo de livros, embora tenha comprado uns filmes, para me reconciliar com o cinema em casa e tenha visto, sem comprar, uns discos que da próxima vou lá filar, como uns cantos japoneses acompanhados com o que, meio pitosga, me parecia um alaúde, entoados pelo que me parecia, e pus os óculos, uma &lt;em&gt;geisha&lt;/em&gt; de fino requebro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma feira é a oportunidade de encontrar livros inesperados, que o circuito de distribuição já não recebe. Porque hoje hoje o mercado livreiro gira na base da rotação de &lt;em&gt;stocks&lt;/em&gt;. É gerido por gente que vem da banca, que sabe cálculo financeiro e de &lt;em&gt;marketing&lt;/em&gt; editorial. Olham para a literatura na base de critérios de amortização de custos e de rentabilização de investimentos, frequentemente como forma de garantir o &lt;em&gt;cash-flow&lt;/em&gt; quando a tesouraria aperta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas uma feira é também uma caixa de surpresas. Ao lado da &lt;em&gt;História das Orgias&lt;/em&gt;, de que o que menos interessa é o autor, vendem-se as &lt;em&gt;100 Maneiras de Cozinhar Bacalhau&lt;/em&gt; da prestimosa Rosa Maria. No meio, tímido lá estava, em amorosa edição da Frenesi, a narrativa dos sofrimentos dos padres, especialmente jesuítas, crúzios e capuchinhos, fidalgos, principalmente os Condes de Óbidos, da Ribeira Grande, de S. Lourenço, os Távoras e os Marqueses de Alorna nas prisões da Junqueira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«A experiência tem mostrado que quanto maior é a miséria, maior o desamparo», diz-se numa folha que abri ao acaso agora que cheguei no meio de uma chuvada digna de Noé e sua barca. Grande frase, motivo sobejante para ler. Não digo já, porque tenho que trabalhar, preguiçoso embora, nem mais logo porque hoje é sábado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-8028189200682724282?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8028189200682724282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8028189200682724282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/em-frenesi.html' title='Em frenesi'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-5362204613155984655</id><published>2009-01-31T11:31:00.004Z</published><updated>2009-01-31T20:19:17.713Z</updated><title type='text'>O barómetro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O &lt;em&gt;Finisterra&lt;/em&gt; do Carlos de Oliveira está a ser o meu barómetro quanto à capacidade de ler. O livro é pequeno mas progrido muito lentamente. Espanto-me sempre com aqueles leitores de alta velocidade, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;TGV&lt;/span&gt;'s da literatura, os que estão sempre a reler clássicos em volumes de grande tomo e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;actualizadíssimos&lt;/span&gt; com o &lt;em&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;vient&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;paraître&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. Humano, dependente dos estados de alma e da meteorologia, leitor nos intervalos dos deveres e como fuga às obrigações, não consigo essas proezas na praça da maratona. Esta manhã, ainda por cima, doía-me a cabeça, «o sol agora mais lunar que as sete luas». Ainda só vou na página noventa e três. São cento e trinta e nove, na edição da Assírio &amp;amp; Alvim. Hei-de chegar ao fim. Leio-o linha a linha, cada palavra de sua vez, a irradiante luz da magnífica escrita a ofuscar-me o pensamento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-5362204613155984655?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5362204613155984655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5362204613155984655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/o-barometro.html' title='O barómetro'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-9586522232611157</id><published>2009-01-27T18:41:00.002Z</published><updated>2009-01-27T18:57:39.620Z</updated><title type='text'>Malanje ao sábado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Lembrei-me agora, mas passou-se no sábado se não estou confuso com datas e tenho estado. Fui à Rua &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Anchieta&lt;/span&gt;, ao lado da Bertrand, a livraria que tem aquele cheiro doce logo na sala de entrada. Há lá, na pequena artéria que vai dar ao Governo Civil, uma venda de alfarrabistas. Normalmente começo pelo fundo da rua, venho até ao princípio, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;farejando&lt;/span&gt; banca a banca, deixando-me tentar, viciado. Por vezes faço duas voltas, como o pintor dá duas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;demãos&lt;/span&gt;, a engomadeira uma nova passagem para reforçar os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;vincos&lt;/span&gt; numas calças teimosas, a jovem que, não acreditando no &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Responso&lt;/span&gt; a Santo António, passa e repassa pelo bosque dos amores em busca da travessa para o cabelo que, distraída de namoro, por ali deixou ficar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora neste sábado encontrei-o. Editado em 1954, era uma reportagem sobre a cidade de Malanje, em Angola. «Olha que fantástico», disse eu, ao bem-humorado livreiro, com aquele inesperado opúsculo nas mãos. E de facto era notável pelas recordações que me trazia: o senhor &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Pratt&lt;/span&gt; do Banco de Angola, o Santos Pinto, a Casa Americana, o jardim do Caminho de Ferro, a Robert &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Hudson&lt;/span&gt;. Tudo aquilo me dizia tanto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«Nasci aqui», confessei-lhe, incapaz de reter mais tempo aquele segredo, prendendo-lhe com isso, inesperadamente a atenção, confidente e amigo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com ele em frente, bigode farto, sorriso aberto, era já impossível não o levar comigo. «Mas são vinte e cinco euros», cortei, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;timorato&lt;/span&gt; por tal banalidade, um pequeno &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;esgar&lt;/span&gt; que parecia traduzir incerteza, tão automático que nem dele me apercebi, a envergonhar-me por estar a regatear um tesouro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só que de repente o destino jogou a sua cartada na mesa deste jogo de sorte. «Olha, o meu avô!». Ali estava ele, de facto, numa festa de Natal da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Cotonang&lt;/span&gt;, a companhia belga de algodão, o velho Rebelo da Silva, pai da minha mãe. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez uma aura de ternura, bálsamo de remorsos e perfume da bondade, me tenha envolto a figura, adoçado a pose. De livro ainda na mão, enternecido por haver ali um passado que era meu, ouvi-o, como num murmúrio segredar-me, meu querido livreiro: «faço-lhe vinte euros».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-9586522232611157?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/9586522232611157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/9586522232611157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/malanje-ao-sabado.html' title='Malanje ao sábado'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-2506112193452754988</id><published>2009-01-24T13:36:00.002Z</published><updated>2009-01-24T13:48:16.742Z</updated><title type='text'>O gérmen invasor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há quem escreva sobre o que lê. Eu já escrevi sobre o que li. Hoje vou escrever sobre o que não consegui ler. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tentei regressar ao &lt;em&gt;Finisterra&lt;/em&gt; do Carlos Oliveira. O livro tinha ficado interrompido. Uma pequena marca, feita com o talão azulado de uma etiqueta, assinalava onde.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«A face dianólica de um facto esbarra na linha onde começa a outra face: celestial», diz o narrador. A duplicidade do real, a geometria submersa da realidade tornou-se-me hoje insuportável, como uma tendência mórbida para a indiferenciação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-2506112193452754988?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2506112193452754988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2506112193452754988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/o-grmen-invasor.html' title='O gérmen invasor'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-111460849825165837</id><published>2009-01-24T09:20:00.005Z</published><updated>2009-01-24T12:48:27.640Z</updated><title type='text'>A veia literária</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Senta-se um homem devolvido aos seus livros entreabertos, não finalizados, aos livros que comprou e não leu, ao que não escreveu. Droga de substituição, na literatura estão quase todas as sensações já experimentadas, excepto uma: anular-se assim a vida totalmente substituída, escrita, sem vontade de a voltar a ler. Senta-se um homem entre a ideia de tantos livros. Meticulosamente, deixando bilhete de adeus, abre a veia da criação, esvaindo-se, derradeiro, jorrando a vida que se anula, linha a linha, no livro que lhe faltava finalizar. Carregados de expectativa, os leitores esperam ansiosos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-111460849825165837?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/111460849825165837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/111460849825165837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/veia-literria.html' title='A veia literária'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-4875009915199528047</id><published>2009-01-17T17:28:00.003Z</published><updated>2009-01-17T17:51:12.654Z</updated><title type='text'>Um livro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;À medida que os anos passam e fazem estragos na memória, à medida que os livros vão sendo muitos e por vezes confundimos o que temos com o que gostávamos de ter, fica sempre em dúvida sobre não estaremos a comprá-los pela segunda vez.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há vezes em que isso não importa. Já comprei um livro de memórias em edição encadernada porque a de formato bolso, que eu já tinha, editava menos fotografias e eu queria aquela fotografia. Já comprei um livro de aventuras pela segunda vez porque a nova edição tinha capa diferente e eu queria a capa. Já comprei uma biografia repetida porque esta tinha uma dedicatória. Já reincidi na compra de um livro por julgar que o perdera.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje não. Na verdade eu hesitava se me teria alguma vez  cruzado portas adentro com o controverso &lt;em&gt;Ana Paula&lt;/em&gt; do Joaquim Paço d'Arcos. Ao chegar a casa vi que, aleluia, não tinha. É que comprei-o esta manhã. Mas, repito, espero que se acredite, isso era o somenos. O &lt;em&gt;somais&lt;/em&gt;, como diria o outro que acreditava na congruência morfológica desta língua irregular, é que trouxe o livro porque, sendo a primeira edição, editada em 1938, ostentava, para além das manchas de bolor, aquela encadernação a pano, tão tipicamente colonial como a farda de um chefe de posto, e no interior o carimbo da Livraria Magalhães, no Lobito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na lombada, além do nome do livro e da obra, tal como nos livros do meu pai, o nome daquele a quem pertencera: Alda Corte Real. Quem seria? Onde estaria? Porque estaria ali a obra? Tanta tristeza num só livro, tanta vida por se saber.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-4875009915199528047?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4875009915199528047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4875009915199528047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/um-livro.html' title='Um livro'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7004397082630418659</id><published>2009-01-10T23:00:00.004Z</published><updated>2009-01-10T23:18:24.593Z</updated><title type='text'>A porcelana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Li umas folhas mais do &lt;em&gt;Finisterra&lt;/em&gt;, só umas folhas porque o Carlos de Oliveira tem de ser lido assim, goticularmente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É uma escrita despovoada, vivida em torno do vento, da areia, da mais esquisita botânica, uma escrita das ocorrências subtis, desconsideradas pelos atletas dos sentimentos, os maratonistas das sensações. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Detive-me ante a exaustão das gisandras depois do seu nocturno clímax floral, parei ante a voz da mãe que modela as palavras em tonalidades independentes de acentuação e «se a palavra tem só uma sílaba, a voz sobrepõe-na ao começo da palavra seguinte». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isto sim, é escrever sobre a miniatura e a fragilidade, a quebradiça porcelana que os chineses inventaram e os alquimistas descobriram, etérea, perto da névoa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7004397082630418659?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7004397082630418659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7004397082630418659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/porcelana.html' title='A porcelana'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-8449435258107052591</id><published>2009-01-09T23:59:00.004Z</published><updated>2009-01-11T17:07:28.981Z</updated><title type='text'>Entre cobertores</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Enroscado em cobertores, tossindo nos intervalos de espirrar, os olhos a lacrimar, purgando pegajosidades e outras repelências, sem ao menos a dignidade de uma febre, a ver as horas a escorrer na inutilidade da prostração, um homem sente-se, no auge de uma constipação a ler perpetuamente este excerto de Nietzsche, do seu livro &lt;em&gt;A Gaia Ciência,&lt;/em&gt; com que hoje o dia findou, a frase a rodopiar-me a cabeça, eu num &lt;em&gt;atchim&lt;/em&gt; potente de exclamação sentida: «Temo que os bichos considerem o homem como um semelhante que se privou da razão animal sadia, como um animal no delírio, que ri e que chora, como um animal infeliz».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Haverá lá coisa mais sem razão do que este delírio de gripes, que tornam o rei da criação uma insignificância expectorante, reduzido à vil domesticidade de uns cházinhos e outras tizanas meladas, galinha chocadeira da própria canja, aspirina sem metafísica, salta um conhaque que mal não faz mesmo quando não cura e ao menos sempre se esquece!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-8449435258107052591?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8449435258107052591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8449435258107052591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/entre-cobertores.html' title='Entre cobertores'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-4889044835213292185</id><published>2009-01-09T01:56:00.002Z</published><updated>2009-01-09T01:59:31.398Z</updated><title type='text'>A branca madrugada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nestes dias de frio polar o Homem apercebe-se de qualquer coisa profundamente errada estar a acontecer no mundo em que habita. Não que se não esteja em Janeiro, mas porque amanhã pode surgir, de um modo tão inesperado como este gelo, uma vaga de tórrido calor, chuvas de afogar ou uma seca sem fim.&lt;br /&gt;Tudo parece condenado à única sorte fatal, inexorável e definitiva: a suprema lei do acaso gerar a inevitabilidade do caos.&lt;br /&gt;Pó neste tumulto de elementos erráticos, o Homem apercebe-se, enfim medroso, de que pode ter pecado contra o equilíbrio do mundo, desorganizando as leis do Universo, arrostando a cólera da Natureza.&lt;br /&gt;Ei-la agora a branca madrugada em que nas nossas metrópoles se descobre que há cada vez mais velhos, mais mulheres, cada vez menos famílias, um mundo de solidões, desencontros, de histórias de impossibilidades. Neste deserto humano de arranjos de ocasião, de vigílias noctívagas, faz agora tanto frio nas ruas como nas almas gélidas desses sem abrigo dos amores funestos.&lt;br /&gt;Cumpre-se um ciclo, o homem e o seu habitat enfim indiferenciados, o mineral a assenhorar-se de tudo quanto ainda vive, o sol a empalidecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-4889044835213292185?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4889044835213292185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4889044835213292185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/branca-madrugada.html' title='A branca madrugada'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-3590811149744147597</id><published>2009-01-07T20:03:00.006Z</published><updated>2009-01-08T10:25:43.087Z</updated><title type='text'>O sangrar por dentro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi ele quem me ensinou que é possível escrever-se de modo breve. Um dia visitei-o em casa, ali junto à Basílica da Estrela. Bebericando uísque, descemos ao inferno de uma história sobre a qual estou hoje a traduzir um livro e já atrasado, fantástico acaso, com ele no pensamento. Ao chegar à rua, nessa tarde fria de um tão sentido encontro, senti-me tão bêbado que nem sabia onde deixara o carro. A vida tem destes momentos de magnificência. Felizmente há memória para se viver cada momento do tempo para além do tempo do momento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora encontrei-o hoje, através de um livro onde arquivou trezentas das mil e quinhentas crónicas que cinco vezes por semana nos deixava no &lt;em&gt;Diário de Notícias&lt;/em&gt;. Editado pela Contexto e eu, retardatário na cultura, distraído no reparar, que só há pouco tempo soube, por uma menção confessional das que fazem nódoa negra na pele, que é uma forma de se sangrar por dentro, que a Contexto era do Manuel de Brito! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vinha isto a propósito de uma das colunas em que anunciou, por doença, o fim dos seus escritos. Com o fim à vista, Vítor da Cunha Rego escrevia, naquela forma plural de falar de si: «Faremos o possível por tornar normais esses cinco dias».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-3590811149744147597?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3590811149744147597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3590811149744147597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/o-sangrar-por-dentro.html' title='O sangrar por dentro'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-6256666672087427008</id><published>2009-01-05T14:31:00.004Z</published><updated>2009-01-05T14:52:32.352Z</updated><title type='text'>As Janeiras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«Como é tradição desde os romanos, cantemos as janeiras para afastar os maus espíritos e desejar um bom ano». Cito da Livraria Pó dos Livros. Fica ao pé de casa. Passo por lá, por vezes a caminho do Pingo Doce. Não sorriem muito, mas são amáveis para com os livros. A vida é feita disto, de comezainas e não só de leiturzainas. Lembraram-me que se cantam as janeiras, para desejar bom ano.&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://livrariapodoslivros.blogspot.com/2009/01/vale-da-idanha.html"&gt;&lt;strong&gt;Cantei-as&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; com eles.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-6256666672087427008?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6256666672087427008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6256666672087427008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/as-janeiras.html' title='As Janeiras'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-2940707232023742909</id><published>2009-01-04T11:53:00.004Z</published><updated>2009-01-04T13:02:18.203Z</updated><title type='text'>As povoações temporárias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tinha-o lido descuidadamente. Na altura notei o óbvio, os murgos biliosos, os caules de gisandra, o revérbero entre as nuvens e as misagras, a duna com tanta areia, as aranhas e a teia de sal, os velhos itinerários, relâmpagos de carbureto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de &lt;em&gt;Finisterra&lt;/em&gt;, comprei &lt;em&gt;Uma Abelha na Chuva&lt;/em&gt;, de que Fernando Lopes fez cinema, e a um e um tenho comigo todos os livros que o Carlos de Oliveira escreveu. E mesmo o livro que Carlos de Oliveira renegou, a &lt;em&gt;Alcateia&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E depois, porque há sempre um depois nos nossos amores literários, tendo já tudo, naquelas edições em azul da Assírio e Alvim, comprei o volume da Caminho, encadernado, sóbrio, em excesso e duplicação, só por ter a &lt;em&gt;Casa na Duna&lt;/em&gt; que voltaria a encontrar na edição da Portugália, que trouxe para casa por causa da capa do João da Câmara Leme.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Retomei-o hoje, deliberadamente. Maravilho-me.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos quantos lêm depressa, não leiam! Abstenham-se os devoradores de palavras, os do &lt;em&gt;fast food&lt;/em&gt; literário, pedalantes leitores do &lt;em&gt;sprint&lt;/em&gt; da novidade, camisolas amarelas do &lt;em&gt;vien de paraître&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Finisterra é um prodígio cinematográfico para se estudar o que se lê. Cada palavra por si e há que voltar atrás e fazer a ligação, ponto por ponto para que a figura ganhe corpo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo ali arranca de uma fotografia que reproduz a paisagem que a criança descreve, vendo-a de uma janela, num caderno que o homem lê. Tudo continua na almofada que reproduz, em traço geométrico e sugere o mesmo em gravura abstracta, o que da janela se alcança de na fotografia se condensa. Tudo se esgota na folha perdida nos papéis de família e suas notas sobre o povoamento, povoações temporárias, os camponeses de passagem. E o vento, a presença desse vento milenário e suas areias, dunas sobre dunas a perder de vista, as cores crestadas, os lugares malignos em nossa casa, que não merecemos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carlos de Oliveira mais do que escrever, desenha, é o arquitecto da realidade e o geómetra da irrealidade. Finisterra é um jogo de volumetrias, de tonalidades, de planos de corte, de projecções de espaços substantivos em planos não poliédricos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, no fim, em excelência, a sussurrar que «na paisagem, na fotografia, na almofada, não havia ninguém. Pois não. E eu povoei-as. Quer dizer, povoei o desenho a pensar nelas». Vem na página 16. Da edição da Assírio. A que vou continuar a ler.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-2940707232023742909?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2940707232023742909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2940707232023742909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/as-povoaes-temporrias.html' title='As povoações temporárias'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7307151032023560382</id><published>2009-01-03T16:17:00.005Z</published><updated>2009-01-03T19:31:33.529Z</updated><title type='text'>Uma história para calar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Chiado não sei porquê estava cheio de gente. Hesitei se seria sábado ou ainda sexta-feira, que estes feriados e dias santos e comemorativos e mais as pontes e as tolerâncias são uma espécie de desarranjo intestinal na vida mental de um citadino. Nisso quem vive entre o nascer e o pôr o sol tem menos aflições. Eu regressava de comer massada de peixe e foi isso que me devolveu a certeza que seria sábado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava aberta a antiga Sá da Costa, entregue a saldos, a restos, a uma tristeza de adelo. Na frente, ao lado de um caixotão dedicado ao Pessoa, que mais parecia um esquife de luxo para um desgraçado que morreu ignorado, uma segunda edição da fotobiografia do Agostinho Fernandes, o homem que teve a generosidade de colocar a sua fortuna ao serviço da cultura, através da Portugália e de tantas outras formas de apoiar artistas e escritores. Portugal, o Portugal literário essencial não seria o mesmo sem ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acontece que eu tenho receio de fotobiografias. Menos pela vergonha de encontrar nelas em torno do biografado - quantas vezes morto, outra tantas assim enterrado ainda vivo - a pulhice dos que se chegam pressurosos no seu roçarem-se em grupo nas exéquias obsequiantes, muito mais porque às vezes há vergonhas e descaramentos como o Mário Soares a prefaciar a do Ruben A. dizendo que mal o conhecia e pouco o tinha lido, mas mesmo assim aqui vai prefácio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não foi, porém, por medo que deixei lá ficar o livro, que me perdoe o Cruz Santos. Lembrei-me de uma história que dá para rir e que tenho de calar, sobretudo quando a menina da caixa, de cabelo à rapazinho e uns olhos que são uma carícia para quem lhos nota, me disse, a voz inocente e no mais indiferente, que eram quarenta e cinco euros.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7307151032023560382?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7307151032023560382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7307151032023560382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/uma-histria-para-calar.html' title='Uma história para calar'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-9199052660803690920</id><published>2009-01-02T20:40:00.002Z</published><updated>2009-01-02T20:56:47.578Z</updated><title type='text'>O escritor e seus fantasmas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esta madrugada antes de viajar escrevi, assim como antes de adormecer li. Claro que pela tarde, viajante, estava no reino do bocejo e do aborrecimento. Voltei aqui para escrever que do que li o mais impressionante foi um texto decadentista do Ernesto Sabato sobre o romance. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabato que era doutorado em física, achava, na sua visão deseperada do humano que «o nosso romance mais do que uma sucessão de aventuras é o testemunho trágico de um artista diante do qual ruiram os valores seguros de uma comunidade sagrada», essa crise que ele sente ter surgido na Idade Média e que abriria as portas à profanização e com ela ao entertenimento, à diversão, às «imagens sem sangue».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pode não se achar graça e negar razão. Mas quando se lê uma frase como «os homens escrevem ficções porque estão encarnados, porque são imperfeitos. Um Deus não escreve romances», perdoa-se tudo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-9199052660803690920?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/9199052660803690920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/9199052660803690920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/o-escritor-e-seus-fantasmas.html' title='O escritor e seus fantasmas'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-3507574039057039309</id><published>2009-01-01T23:16:00.003Z</published><updated>2009-01-01T23:29:08.620Z</updated><title type='text'>Um povo triste</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Miguel de Unamuno visitou a Guarda em Dezembro de 1908, há cem anos, onde chegou lendo Camilo e «ler Camilo é viajar por Portugal, mas o Portugal das almas». Desapontou-o a cidade «fria, ventosa, húmida feia, denegrida e forte». Percorreu-lhe as ruas, sentiu-lhe a Sé, o Liceu, o café. Ironizou, em riso aberto, com a «força cómica inconsciente» de um comunicado aos jornais sobre o presidente da Câmara do Sabugal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o que mais vincou a sensibilidade de quem escreveu &lt;em&gt;O sentimento trágico da vida&lt;/em&gt;, foi o que o levou a dizer-nos, num retrato do nosso ser, povo de suicidas, que «Portugal tem sede de lágrimas». Uma sede de um povo «antes apaixonado que sentimental», vivendo numa perpétua paixão que lhe consome a vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-3507574039057039309?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3507574039057039309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3507574039057039309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/um-povo-triste.html' title='Um povo triste'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7963316042285883706</id><published>2009-01-01T20:32:00.004Z</published><updated>2009-01-01T20:53:54.115Z</updated><title type='text'>Engraçada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«Extraio ternura de uma pedra», escreveu Raúl Brandão no prefácio às suas Memórias. E lembrei-me, por isso, do seu livro sobre as ilhas desconhecidas, essa sua viagem à Atlântida açoreana, ao Corvo, às Flores, a cólera súbita do mar, esse rodilhar marítimo de uma terra que ameaça desabar. E fui buscá-lo e estive agora com ele, com o António da Ana, o Joaquim Valadão, a grave compostura, o Manuel Tomás, a senhora Emília, a fome, o vento na solidão tremenda, o Pico, os fogaréus e a lembrança dos alfabares, e a filhinha pequena que «morreu mas engraçada». «Engraçada é sinónimo de feliz», explica Raúl Brandão, a noite já a entrar no primeiro dia do meu novo ano, extraindo ternura das pedras. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7963316042285883706?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7963316042285883706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7963316042285883706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/engraada.html' title='Engraçada'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-3455838673105664293</id><published>2009-01-01T19:35:00.002Z</published><updated>2009-01-01T19:40:10.385Z</updated><title type='text'>A caminho de casa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Chegou hoje a utopia de esquecer, e com ela, má, feroz, em bátegas vingativas, a chuva dissolvente. Sob ela, a terra vivia, cinzenta, fechada, adversa, no tempo cósmico do seu calendário, o primeiro dia, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5Nou7-AfB34&amp;amp;feature=related"&gt;a caminho de casa&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-3455838673105664293?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3455838673105664293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3455838673105664293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2009/01/caminho-de-casa.html' title='A caminho de casa'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-3631983005278812642</id><published>2008-12-31T14:37:00.004Z</published><updated>2008-12-31T14:48:14.671Z</updated><title type='text'>Ânsia de paz</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Geração após geração, com espumante ou com lágrimas, houve sempre quem ansiasse que ao dia de hoje sucedesse um melhor amanhã. A cerimónia do Ano Novo, a romã fecunda, fértil, fruto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que estava escrito ou o que surgiu por acaso ditou entretanto as suas leis. Geração após geração, indiferente ao suceder, o dia de hoje tem sido o dia das esperanças renovadas. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=IDwiYOCnuao&amp;amp;feature=related"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Tannhäuser&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, o homem cujos pecados Deus enfim perdoa, restituindo-lhe a paz. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-3631983005278812642?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3631983005278812642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3631983005278812642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/nsia-de-paz.html' title='Ânsia de paz'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-6123121227425109859</id><published>2008-12-26T23:16:00.003Z</published><updated>2008-12-27T00:46:07.879Z</updated><title type='text'>O reino dos animais</title><content type='html'>Não esteja triste. Há sempre motivo para alegria. Em caso de emergência fuja para o reino dos animais. A porta é &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=UPdPpamFy_Y&amp;amp;feature=related"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-6123121227425109859?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6123121227425109859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6123121227425109859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/o-reino-dos-animais.html' title='O reino dos animais'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-6285827014760468591</id><published>2008-12-26T22:42:00.003Z</published><updated>2008-12-26T22:56:27.902Z</updated><title type='text'>Sony &amp; Cher</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estão completamente esquecidos. Vistos hoje são rídículos, antiquados, fora de moda. Mas a canção, o que ela simboliza, traduz, sugere e induz é um &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=SfnA30rE2zY&amp;amp;feature=related"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;hino&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; à alegria infinita do que jamais deveria morrer. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-6285827014760468591?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6285827014760468591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6285827014760468591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/sony-cher.html' title='Sony &amp; Cher'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-6577417723189233770</id><published>2008-12-26T03:24:00.002Z</published><updated>2008-12-26T03:36:46.226Z</updated><title type='text'>Tempo gasto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se há algo nos meus dias que eu sinta valer a pena relatar é precisamente o tempo gasto a ler. Não que a vida própria não dê motivo de conversa e, comparando-me com o vejo por aí, daria mais motivo de escrita do que quantas vivências mortiças e banais de que tantos fazem tema de crónica, espremendo-se em busca de um si próprios mais do que seco e irrelevante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A noite passada voltei ao Ruben A., ao interrompido volume terceiro do livro de memórias, &lt;em&gt;O Mundo à Minha Procura&lt;/em&gt;. Quando parei para dormir ia ele no «absorver diário da natureza física através do lado sentimental da vida». Em Campo Alegre, no Porto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por andar envolto em Ruben A. fui espreitar, num intervalo para estirar os olhos,  mais umas folhas da sua fotobiografia. Nas páginas finais desta publica-se uma entrevista ao ido jornal &lt;em&gt;Diário Popular&lt;/em&gt;. Entrevista banal, feita de perguntas óbvias, coscuvilheiras, num momento a perguntarem-lhe como escrevia, quando escrevia e como escrevia. Ficou-me apenas a ideia da resposta merecida, a de que conseguia escrever em qualquer lugar, «mesmo com o barulho da estupidez a mover-se». Barulho ensurdecedor, diga-se. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-6577417723189233770?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6577417723189233770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6577417723189233770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/tempo-gasto.html' title='Tempo gasto'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-1721205060598812867</id><published>2008-12-24T23:48:00.003Z</published><updated>2008-12-25T00:03:49.557Z</updated><title type='text'>A simbologia da escrita</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Wenceslau de Moraes compilou em 1925 os artigos que escreveu na revista &lt;em&gt;Serões&lt;/em&gt;. Chamou-lhe &lt;em&gt;Serões no Japão.&lt;/em&gt; Um deles é sobre a correspondência epistolar no país do sol nascente. Acabei de o ler. A ideia do texto é mostrar como é semelhante a escrita amorosa nipónica e a portuguesa. Quase sem querer Moraes mostra-nos a diferença. No Japão não se escrevia, pintava-se, da direita para a esquerda e de cima para baixo em rolos de papel. Por ser assim é como se o pensamento se alongasse na procura do outro e a carta partisse da mão carinhosa que segura o pincel «até ao coração daquele que, longe, sofre saudades». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-1721205060598812867?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1721205060598812867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1721205060598812867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/simbologia-da-escrita.html' title='A simbologia da escrita'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-8853395595240001546</id><published>2008-12-21T14:33:00.004Z</published><updated>2008-12-21T17:38:04.464Z</updated><title type='text'>A Sibila</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Impossível não se gostar da Agustina, mesmo apesar do que nela se detesta. Há uma genialidade que a habita e que toca de invulgaridade tudo quanto vê. A Guimarães tem vindo a reeditar agora os seus livros, em edições definitivas de uma beleza deslumbrante, em azul.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estive esta manhã de sol com os escritos auto-biográficos. E li-a, desventrando-me, porque «assusta-nos o íntimo das nossas vidas, por passarem todas as portas sem pensar que elas se fecham para sempre atrás de nós. Não podemos voltar para compor o inacabado ou as palavras soltas ou a que faltou experiência».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É impossível não viver entre a solicitude e a gratidão ante uma mulher assim pois «com as mulheres tentadoras os homens são solícitos; com as virtuosas são agradecidos, que é um sentimento que dura uma vida».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Leva tempo, mas a leitura chegará ao fim, distraído eu também de «maiores realidades». Muito obrigado, Sibila.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-8853395595240001546?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8853395595240001546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8853395595240001546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/sibila.html' title='A Sibila'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-189522637858175255</id><published>2008-12-20T23:02:00.002Z</published><updated>2008-12-20T23:17:18.096Z</updated><title type='text'>A arca</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O livro chamou-se em romeno &lt;em&gt;Tinerete fara de tinerete&lt;/em&gt;, em francês &lt;em&gt;Le temps d'un centenaire&lt;/em&gt;, em inglês &lt;em&gt;Youth without youth&lt;/em&gt;, em português, enfim, em cuja língua o li hoje, dia ferroviário, &lt;em&gt;Uma segunda juventude&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Francis Ford Coppola fez com ele um &lt;a href="http://youth-without-youth-trailer.blogspot.com/"&gt;filme&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É um romance mas podia ser um ensaio sobre a electrocussão e seu efeito no rejuvenescimento. Nele Mircea Eliade leva ao limite a ideia de que a guerra nuclear, erradicará da terra o &lt;em&gt;homo sapiens&lt;/em&gt; em benefício de um ser geneticamente modificado para melhor em virtude da intensa descarga eléctrica. Antecipa-se assim o homem pós-histórico, um mundo que se desliga do seu passado, em que se arma e povoa a arca diluviana, esperança num mundo novo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«A longevidade torna-se suportável e mesmo interessante apenas se previamente se descobriu a técnica dos prazeres simples», diz-se em certo momento. Uma frase destas vale um livro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-189522637858175255?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/189522637858175255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/189522637858175255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/arca.html' title='A arca'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-3270824568287236436</id><published>2008-12-19T23:21:00.006Z</published><updated>2008-12-21T07:04:52.347Z</updated><title type='text'>Os braços do mar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há na zona oriental de Lisboa lugares soturnos, onde volteiam fantasmas do que foram casas, sombras do que foram famílias, fogos-fátuos do que foram vidas. Em alguns entra-se por arcos ogivais e são vilas engalanadas de pobreza, de outros sai-se por canadas estreitas com urina nas narinas e um lamento esboroado nos sentimentos. Ficam aí armazéns de comércios que já fecharam, tipografias de repartições que não imprimem. Aqui e além um asilo de filhos da desgraça, pensões dos que ainda não sairam dela. Às vezes são os focos de um teatrinho a iluminar esperanças, os néons de uma cervejaria a anunciar tremoços.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao lado, numa marginal de prata que a lua mal ilumina, o rio corre indiferente, sempre jovem na sua renovação aquática, desperdiçando-se nos braços do mar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-3270824568287236436?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3270824568287236436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3270824568287236436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/os-braos-do-mar.html' title='Os braços do mar'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-4549154959737233150</id><published>2008-12-16T21:58:00.005Z</published><updated>2008-12-16T22:13:05.315Z</updated><title type='text'>A cor dos dias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje, a meu lado, pela hora do almoço falavam do António Alçada Baptista. Ele dizia-lhe que com certeza «o Alçada, porque fundou a revista &lt;em&gt;O Tempo e o Modo e mais a Livraria Moraes&lt;/em&gt; e mais essas coisas todas tinha com certeza um projecto pessoal e uma ideia». Ela respondia-lhe, sem perguntar sequer o que eram «essas coisas todas», que não sei quem estava zangado por se dizer que ele escrevia nas revistas femininas, «mas olha que os artigos na&lt;em&gt; Máxima&lt;/em&gt; eram muito bons». Ele, sem se ficar e sem reparar nas feminilidades, aditava um «acho que ele queria fundar era um partido da democracia cristã». Era, perguntei-me eu. Ela, como se viesse a propósito, perguntava-lhe se ele tinha lido o artigo que o Vasco Pulido Valente tinha escrito sobre o António. O Alçada Baptista, claro. Eu por acaso não tinha lido. Ele, num vai-vém, comentou então, como se a conversa tivesse lógica, que «ele coitado era católico e progressista, uma contradição». Coitado, claro. Ela rematou que «ele tinha um filho escritor mas que, coitado, era conhecido como o filho do Alçada». Coitado, pois. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa altura eu já me tinha vindo embora. Coitado eu também. Com uma dor de cabeça que deu em vomitar pela hora de jantar. Ai amigo, haja pena dos vivos que os mortos ao menos esses já foram indo para a terra do além de ter de os aturar aos chamados sobreviventes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-4549154959737233150?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4549154959737233150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4549154959737233150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/cor-dos-dias.html' title='A cor dos dias'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-2403391943695563334</id><published>2008-12-15T19:21:00.009Z</published><updated>2008-12-16T07:59:04.639Z</updated><title type='text'>Scheiße!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Haja um momento de alegria nestes dias insípidos, depressivos, irritantes, carregados de notícias funestas e de motivos de consternação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vem isto a propósito de há uns anos - tenho de fazer contas para reconstituir há quantos - eu ter estado no austero &lt;em&gt;Max Planck Institut für ausländlisches und internationales Strafrecht&lt;/em&gt; em Freiburg, na Alemanha, ou seja concretamente &lt;a href="http://www.mpicc.de/ww/de/pub/home.cfm"&gt;aqui&lt;/a&gt;, na minha ânsia de estudar Direito Criminal Comparado, o que tomava então conta do meu inquieto ser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foram dias belíssimos, entre a biblioteca e um albergue numa mansarda de uma casa particular em que o meu quartinho era tão pequeno que, ao levantar-me, a cabeça batia na trave do telhado. Comi bolo de amoras e bebi &lt;em&gt;schnaps&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O lugar tem toda a quietude da Floresta Negra a marcar-lhe a densidade, mais séculos de sobriedade científica alemã. No que falta para o rigor universitário o velho espírito teutónico povoa-lhe as ruas. Excepção só mesmo a colónia estudantil, cosmopolita e irrequieta na justa medida. É a respeitabilidade feita local.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora não é que hoje, com a tarde a findar, eu vejo esta notícia magnífica, a de que desejosos de ornarem a capa da sua revista com algo de simultaneamente belo e simbólico, os editores do &lt;em&gt;Max Planck Forschung&lt;/em&gt;, a revista oficial do Instituto, optaram por caracteres chineses que, de facto, com o fundo em vermelho, formam um conjunto sóbrio e apelativo, como se pode ver tendo a maçada de clicar &lt;a href="http://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/news/chinese-classical-poem-was-brothel-ad-1058031.html?action=Popup&amp;amp;gallery=no"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só que - azar dos Távoras! - quis o cruel destino rir-se de tanta circunspecção e de tanto recato e ... os caracteres chineses são, afinal, o anúncio de um bordel em Macau! Segundo os que sabem ler tão esquisitos hieróglifos dizem «&lt;em&gt;Donas de Casa Quentes&lt;/em&gt;» e dão conta do que tais acaloradas senhoras são capazes nas suas perfomances em &lt;em&gt;strip-tease&lt;/em&gt;! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não acreditam? Vem tudo aqui, no jornal &lt;a href="http://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/news/chinese-classical-poem-was-brothel-ad-1058031.html"&gt;The Independent&lt;/a&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais! Tentando achar uma explicação para remediar o embaraço, uma fonte do agora gozado organismo científico alemão veio dizer que «a língua chinesa tem vários níveis de profundidade». Pior a asneira que o soneto! É caso para dizer: &lt;em&gt;Scheiße&lt;/em&gt;! Quer dizer m...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;P. S.&lt;/strong&gt; Voltei aqui para explicar que sei haver na Alemanha mais do que um Max Planck Institut. Falei do que conheço. Isto é preciso muito cuidado! Há sempre quem, não achando graça à piada, tente desmoralizar os que se julgam engraçados. Apre!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-2403391943695563334?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2403391943695563334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2403391943695563334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/scheie.html' title='Scheiße!'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-810175789293491011</id><published>2008-12-14T17:38:00.004Z</published><updated>2008-12-14T17:51:45.804Z</updated><title type='text'>Uma esmola</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vi há pouco e aqui tão perto o original de uma carta de Camilo Pessanha a Ana de Castro Osório. Uma carta de amor em Vossa Excelência, porque eram pesados os reposteiros que guardavam os sentimentos da indiscrição de as palavras os trairem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quis o acaso, o sucedido que finge sê-lo para que nele acreditemos, que esta manhã eu tivesse lido precisamente uma dessas cartas, agora ali, visível a sua caligrafia miúda, cuidada, para que, mais do que uma missiva, ela própria, no seu papel, na tinta que a inscreveu, em cada uma das palavras que dela constam, fossem uma lembrança de afeição. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Camilo Pessanha pede «para lisonjear profundamente toda a minha pobre sensibilidade dorida, um jornal, de vez em quando, em cujo endereço eu reconhecesse a letra de V. Ex.ª.». Uma esmola, diz, e como é duro ouvir esta palavra no vocabulário sentido de um amor pedinte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-810175789293491011?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/810175789293491011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/810175789293491011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/uma-esmola.html' title='Uma esmola'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-806534461567365784</id><published>2008-12-14T01:08:00.004Z</published><updated>2008-12-14T01:29:22.069Z</updated><title type='text'>O Príncipe de Salina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«Seduzi-la foi um acto de conquista, desposá-la um acto de rendição», a frase que me resume três horas de narrativa cinematográfica de &lt;em&gt;O Leopardo&lt;/em&gt; de Visconti. Assim também para aquela Itália possuída pelos Bourbons, cortejada pelos Sabóias, tomada pelos de Garibaldi. Uma verdade de esperanças fuziladas pela desilusão, numa Sicília em que o orgulho suplanta a miséria, em que o desejo de esquecimento é a mãe de toda a indiferença, mesmo a mais violenta. É a história de uma senhoria, entre dois mundos a nenhum dos quais já pertence.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-806534461567365784?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/806534461567365784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/806534461567365784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/o-prncipe-de-salina.html' title='O Príncipe de Salina'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-5586260040539769545</id><published>2008-12-13T15:13:00.003Z</published><updated>2008-12-13T15:27:40.156Z</updated><title type='text'>Um livro sublinhado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acabei, enfim, de ler a &lt;em&gt;Manhã Submersa &lt;/em&gt;do Vergílio Ferreira. Rara é a folha onde não deixei uma marca, um sublinhado, o traço da importância do que ali se conta, de quanto me vincou o modo como se conta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ficam-me os livros sublinhados como história da vida, memória a lápis, à margem, em rodapé ao escrito. Biblioteca de desencantos, de esperanças, de similitude.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Livro biográfico, da sua passagem infrutífera pelo seminário da Guarda, a &lt;em&gt;Manhã Submersa&lt;/em&gt; conta a ruptura de vocação, a crise de fé do jovem seminarista António Lopes, miúdo de catorze anos, cuja orfandade e pobreza o haviam tornado candidato ao sacerdócio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nas páginas finais, confrontada com o irremediável de um filho que negava o conforto da vida eclesiástica, sustento e amparo de todos e orgulho dos seus, a mãe, moída de o ver triste, perde-se a dizer «e então eu digo se não era melhor que tivesses morrido em pequeno». Logo arrependida, a tentar justificar-se, «dorida de necessidade», a tratá-lo com «um carinho medroso», corrige: «eu não devia dizer isto, Deus me perdoe. Mas sinto cá dentro que é como se não fosse mal dizê-lo».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-5586260040539769545?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5586260040539769545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5586260040539769545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/um-livro-sublinhado.html' title='Um livro sublinhado'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-2085100907734241300</id><published>2008-12-12T22:19:00.003Z</published><updated>2008-12-12T22:31:30.985Z</updated><title type='text'>A irrealização</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aproveitando um intervalo, fugido ao vento e às obrigações, li umas páginas de cartas de Camilo Pessanha. Numa delas escrita ao seu primo José Benedito de Almeida Pessanha deixa esta observação densa acerca da aspiração falsa que é a luta pela realização do prazer: «o prazer, não tendo realidade sua, era o aniquilamento do desejo, de forma que esta luta representaria ansiar a morte». Continuando acrescenta: «cada desejo constitui uma dívida da natureza para quem o sente: a morte é a cedência das dívidas antigas, para evitar que ela volte a contrair novas dívidas».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um homem que assim pensa traz dentro de si a totalidade da sua biografia. Vivendo conforme o desejo, negando-se o prazer de o satisfazer, a sua vida é essa irrealização. Há quem chame a isso infelicidade. No fundo, é apenas o destino.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-2085100907734241300?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2085100907734241300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2085100907734241300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/irrealizao.html' title='A irrealização'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-6854331043936539621</id><published>2008-12-09T19:26:00.007Z</published><updated>2008-12-09T22:03:17.107Z</updated><title type='text'>Dar-se ao riso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já não sei onde o encontrei. Mas foi num alfarrabista, seguramente, porque é o que agora se chama, nesta época de eufemismos adocicados, um livro «manuseado».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao meu ser ansioso oferece a gratificação de serem curtos os seus textos e chegar-se ao fim de cada antes que a atenção se disperse, esvoaçando das linhas para os sonhos que se desalinham.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao meu ser literário são magníficas expressões do melhor modo de dizer. Incapacitantes de se escrever sem vergonha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao meu ser moral aflige-me dar conta que terá sido furtado em alguma biblioteca ou alguma biblioteca o despachou, ao liquidar-se, pontapeando-o para o adelo. Está nele um carimbo a gravar a posse, a certificar o extravio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;São pequenas prosas do José Gomes Ferreira. Pequenas prosas digo eu que as achei grandes prosas e as li inflamandamente satisfeito de as ter encontrado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chama-se o livrito, &lt;em&gt;Os Segredos de Lisboa&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A última história, ribombante de riso, é a do &lt;em&gt;Delicadezas&lt;/em&gt;, untuosa personagem, melíflua e escorregadio de contumélias e outros arrebiques de veneradores salamaleques.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Li-a, com vontade de que a cidade a ouvisse ler e saísse aos urros de alegria e aos guinchos de gargalhada a ribombar foguetes, livrando-se desta tristeza que em breve se anuncia natalícia. «Ah! Se Vossa Excelência me honrasse com a consideração de adivinhar o que eu padeço!», saiu-se o homem, pobre cobrador de cerviz cambada, num momento de agonia e «os olhos entristeciam-se de um segredo fechado».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis a maldade dos sentimentos: a comédia da dor própria é tornar-se na alegria alheia. Nasce assim a figura do palhaço. Uns tempos depois surge o circo e com ele o dar-se ao riso tornar-se numa forma de viver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-6854331043936539621?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6854331043936539621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6854331043936539621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/dar-se-ao-riso.html' title='Dar-se ao riso'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7473826778053665903</id><published>2008-12-08T22:46:00.001Z</published><updated>2008-12-08T22:47:58.160Z</updated><title type='text'>Feriado</title><content type='html'>Antigamente era este o dia da mãe. Depois mudaram o dia. Não mudou a ideia de mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7473826778053665903?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7473826778053665903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7473826778053665903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/feriado.html' title='Feriado'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-3878069799765394614</id><published>2008-12-07T22:18:00.004Z</published><updated>2008-12-07T22:57:59.509Z</updated><title type='text'>António Alçada, com A's grandes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vinha a chegar a casa quando ouvi no rádio: tinha falecido esta mesma tarde de chuva o António Alçada Baptista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda hoje tinha estado a falar nele, a propósito de &lt;em&gt;O Tempo e o Modo&lt;/em&gt;, projecto para cuja viabilidade se endividou e que fundou em 29 de Janeiro de 1963, no dia em que perfazia 36 anos. Afeiçoada ao personalismo cristão, inspirada na &lt;em&gt;Esprit&lt;/em&gt;, ela deu aos «vencidos do catolicismo» - a expressão é de um amigo seu, o João Bénard da Costa - a oportunidade de clamarem por uma visão eclesial e um outro ecumenismo, fazerem da fé uma militância social. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou em casa e em volta de mim espalham-se agora livros seus, editados pelo seu amigo Francisco da Conceição Espadinha, editor na &lt;em&gt;Presença&lt;/em&gt; como ele o foi com a sua &lt;em&gt;Moraes&lt;/em&gt;, chancela a quem a jovem poesia portuguesa tanto deve e que em 1972 foi forçado a vender, por ter nela gasto o que tinha e o que não tinha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Li-os a esses livros porque me preparei para um entrevista que nunca chegou a conceder-me, então já a sua saúde precária, na qual lhe perguntava como era ao ter rompido com a advocacia, ele que largou o foro, refugiando-se na Literatura, quando sentiu que era, afinal «um porrete» que o seu cliente usava para maltratar, num processo de partilhas, um cunhado com quem se inimizara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Morreu um homem bom. A sua passagem por este mundo foi a manifestação da sua generosidade e a expressão do amor ao próximo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Num dos seus últimos textos escreveu: «vivi com Deus desde pequenino mas, à maneira que fui crescendo, ele foi mudando». A existir esse Deus, que nunca lhe «apeteceu deixar», ter-se-ão encontrado agora, terminada que está a sua peregrinação interior.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-3878069799765394614?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3878069799765394614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3878069799765394614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/antnio-alada-com-as-grandes.html' title='António Alçada, com A&apos;s grandes'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-8532750901465270643</id><published>2008-12-07T08:54:00.005Z</published><updated>2008-12-07T14:48:34.620Z</updated><title type='text'>O desespero</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ontem na Cinemateca por um súbito desejo, fruto de uma prolongada carência: a sala estava cheia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há no &lt;em&gt;Othello&lt;/em&gt; de Orson Welles o rasgar da sensibilidade do espectador pela sucessão de planos de luz e de escuridão, a penumbra como lugar de expectativa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sim, do ponto de vista estritamente cinematográfico é isso, mais o ritmo alucinante da narrativa, os planos arrojados de enviesamento da imagem, os ângulos de observação, os grandes cortes picados, em que a expressão humana invade a sala e com ela jorra um sentimento que fere, agride, dói. E depois há a voz, a corpulência, tudo o que no criador de &lt;em&gt;Citizen Kane&lt;/em&gt; impressiona, marca, se apresenta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas há mais, porque há uma obra literária contada em trinta e cinco milímetros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A tragédia daquele Othello é, sim, a da existência, a de &lt;em&gt;ser-se o que se é&lt;/em&gt;, como ele nos diz no diálogo final, visto do alto da cripta onde fez alcova, o tálamo onde comete o seu horrendo crime amoroso, por um funesto amor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Está ali o mercador de Veneza, marioneta humana às mãos de Iago, essa personagem que na sua amoralidade exprime o pior do renascentismo, a falta de escrúpulos como uma das belas artes. Nisso está fielmente presente William Shakespeare, como em &lt;em&gt;Macbeth&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas está mais, muitíssimo mais, a ditar a grandeza do filme, a lição de uma noite: história de horror humano, ao findar o quinto acto, Othello mata Desdemona não pelo ódio do ciúme, mas pelo tão magoado e insuportável desprezo por si. Ganindo de dor, a sua alma dilacera-se à ideia de que ela se lhe entregou, a ele como porventura a tantos outros, tentada pela luxúria da sua inferioridade, mouro, negro, aquele para quem a dúvida mortal é, afinal, o prenúncio do desejo de morrer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Othello mata para se matar e mata-se de novo. Estranha, invulgar, única forma de viver um amor, fruto do desespero de se julgar assim amado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-8532750901465270643?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8532750901465270643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8532750901465270643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/o-desespero.html' title='O desespero'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-8748710929328174149</id><published>2008-12-06T08:53:00.004Z</published><updated>2008-12-06T09:08:41.408Z</updated><title type='text'>Quatro quartetos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«O que podia ter sido e o que foi/Tendem para um só fim, que é sempre presente». É um instante dos &lt;a href="http://www.tristan.icom43.net/quartets/index.html"&gt;Quatro Quartetos&lt;/a&gt; de T. S. Eliot. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«What might have been and what has been/Point to one end, which is always present». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Trago-os, esses cortantes versos, lidos por Burnt Norton. Viajam comigo pela viagem do tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-8748710929328174149?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8748710929328174149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8748710929328174149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/quatro-quartetos.html' title='Quatro quartetos'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-8667488720506484358</id><published>2008-12-01T16:44:00.009Z</published><updated>2008-12-01T19:20:31.660Z</updated><title type='text'>A toupeira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na sua biografia de Stefan Zweig, Jean-Jacques Lafaye escreve que ele «imaginou demasiadas dores humanas para poder escapar delas». Sente-se isso ao ler a formidável novela &lt;em&gt;O Coração Destroçado&lt;/em&gt;, a história do comerciante Salomonsohn, em cujo coração, qual toupeira, a angústia cava um túnel, «a ferida que não dói», tal «o sangue a correr para dentro do seu próprio sangue», o «derrame invisível» que o destruirá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escravo do dever, agrilhoado às obrigações, torna fácil a vida de uma família, escravizando-se a ganhar o dinheiro que a todos, no entanto, fará perder. É uma história de sordidez moral travestida em amor familiar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deus pune e o seu Deus puniu-o com o horror indigno de ter de «engolir a própria cólera, como um cão engole o seu vómito». Ridícula, ainda por cima a razão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dizer dos seus, ele era o homem a quem «fazia mal ver os outros contentes». «Fechara-se no seu ser o que quer que fosse; tornara-se inacessível, ausente, como se a sua alma tivesse sido emparedada». Li-o ontem, uma história de resignação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-8667488720506484358?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8667488720506484358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8667488720506484358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/12/toupeira.html' title='A toupeira'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-993662386026861409</id><published>2008-11-29T17:40:00.003Z</published><updated>2008-11-29T18:09:25.051Z</updated><title type='text'>A companhia esperançada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Voltei ao Ruben A., às suas memórias, ao livro &lt;em&gt;O Mundo à minha procura&lt;/em&gt;. Terminara o volume segundo, arrastava-me pelo terceiro, interrompera-o. Recomecei hoje, umas folhas apenas. Chove copiosamente. Chego à busca de casa, às reticências de tia Teodora, talvez por uma coisa melhor, casa mais ao pé, ela que «esquecia-se que o Amor não pode esperar, é já, já, já» e assim, ei-lo, o homem que escreveria &lt;em&gt;Silêncio para Quatro&lt;/em&gt; e que um fulminante ataque liquidaria, desgostoso de todos nós, na companhia esperançada de um segundo amor depois de tantos amores, de chaves na mão, na página trinta e cinco, livre trânsito ao desejo de casar, as chaves, enfim, do «albergue de um já já». Na Praça D. Pedro IV, na cidade do Porto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-993662386026861409?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/993662386026861409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/993662386026861409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/11/companhia-esperanada.html' title='A companhia esperançada'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-6444305591204399711</id><published>2008-11-26T00:26:00.006Z</published><updated>2008-11-26T01:03:33.814Z</updated><title type='text'>Ataraxia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mihail Eminescu, foi um expoente magnífico da poesia romena. Hoje quem o conhece? Victor Buescu, o professor a quem se deve a nobilitação da cultura da Roménia no nosso país, na década de quarenta, traduziu-o. Carlos Queiroz, o autor da extraordinária Epístola&lt;em&gt; aos Vindouros&lt;/em&gt;, que a morte levaria aos 42 anos, com desvelo converteu a tradução em poema branco, a ler em língua portuguesa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi-me assim possível, ontem, refugiar-me em busca de abrigo na Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, e ter ali por companhia os sentimentos e o pensar desse «latino do oriente», um dos tantos então «naufragados no tenebroso mar eslavo».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eminescu morreu com 33 anos. No texto de apresentação da obra, Mircea Eliade, resume-nos a biografia. Nele «o instinto da liberdade era mais forte do que o instinto da conservação». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Li, entregue à paz dos livros, como o eremita confiado à guarda do «Deus que transmudou o Caos no Cosmos» uma das Odes. Copiei-a, letra a letra, incerta a caligrafia, para a trazer para aqui, como quem transporta água de uma fonte, com receio que ela lhe escorra toda entre os dedos antes de a dar a beber a quem tiver sede: «Quando nada imortal, nem a morte existia/Nem um núcleo de luz onde se gera a vida/Nem amanhã, nem hoje, nem ontem, nem sempre/Porque Uno era tudo e tudo era Um só ser/Quando a terra e o céu, o ar, o mundo inteiro/se integravamm em tudo o que nunca existiu/Só Tu eras então».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reintegrado com a vida, regressei a casa. Algum tempo depois, a Natureza chorava copiosamente uma tarde de chuva. O «tambor grandiloquente da rima», martelava-me a cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-6444305591204399711?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6444305591204399711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6444305591204399711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/11/ataraxia.html' title='Ataraxia'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-5989816162485440274</id><published>2008-11-23T08:55:00.003Z</published><updated>2008-11-23T09:01:36.869Z</updated><title type='text'>A luz nocturna</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«&lt;em&gt;Obrigado pela companhia que a sua escrita faz a tanta solidão&lt;/em&gt;», disse ela. Tímido, por ter diante de si a totalidade do mundo num só sorriso, embaraçado por nem saber como se agradece um tal favor de verdade, carregando agora o fardo pesado dessa inesperada importância, agradeceu. Tenta hoje lembrar-se como. Mas ficou só a luz nocturna da frase, esse farol a encandear os olhos. Hoje quando escreve já nem lhe dói o ser visto, sim o que os outros possam ver.  Aconteceu isto há uns dias, como poderia ter acontecido em cada momento até agora que penso nisso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-5989816162485440274?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5989816162485440274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5989816162485440274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/11/luz-nocturna.html' title='A luz nocturna'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-1807413160758366424</id><published>2008-11-20T13:43:00.004Z</published><updated>2008-11-20T13:50:50.337Z</updated><title type='text'>A ilusão dos livros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era uma grande livraria, um grande espaço, um grande edifício, um grande projecto. Esta noite soube que se tinha entregue à falência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É esta a caricatura final dos sonhos de grandiosidade. Depois é a ilusão dos livros, a transportarem-se para o mar da realidade, como as nuvens no céu a desfazerem-se em chuva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta manhã a floresta do que poderia ter sido deu nos papéis rasgados de uma história que se poderia ter evitado. A Byblos fechou. Esta noite passada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-1807413160758366424?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1807413160758366424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1807413160758366424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/11/iluso-dos-livros.html' title='A ilusão dos livros'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-1905733553277447216</id><published>2008-11-17T21:03:00.004Z</published><updated>2008-11-17T22:28:39.247Z</updated><title type='text'>A fábrica de ídolos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Precisamente por andar a ler a &lt;em&gt;Manhã Submersa&lt;/em&gt; do Vergílio Ferreira lembrei-me que tenho a sua fotobiografia, que o Helder Godinho e o Serafim Ferreira organizaram para a Bertrand. Fui ver, pois de memória tinha presente que ali se referia o filme que o Lauro António realizara sobre o livro auto-biográfico onde relata a passagem pelo seminário e no qual o autor da &lt;em&gt;Aparição&lt;/em&gt; faz o papel do Reitor. Assim é e na página respectiva vem este excerto da &lt;em&gt;Conta Corrente&lt;/em&gt;, o diário bilioso que foi ruminando entre Lisboa e Fontanelas: «Espantoso. Tenho sido cumprimentadíssimo pela minha aparição na TV, na série da &lt;em&gt;Manhã Submersa&lt;/em&gt;. Faço o papel de Reitor, tenho sido felicitadíssimo. No restaurante onde hoje fomos, vários olhares fixos em mim, a identificarem-me. Há quarenta anos a escrever livros. Pouca gente deu conta. Mas só com duas intervenções na TV, sou quase tão célebre como um futebolista». Eis a fábrica de ídolos na sua melhor expressão, surpreendida em plena laboração.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-1905733553277447216?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1905733553277447216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1905733553277447216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/11/fbrica-de-dolos.html' title='A fábrica de ídolos'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7795865442441134599</id><published>2008-11-16T00:46:00.005Z</published><updated>2008-11-17T17:09:43.203Z</updated><title type='text'>O silêncio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vi-o reeditado e fui buscar a minha edição antiga, ainda da Bertrand. Tinha sido escrito em 1953. A edição do meu exemplar já era a 23ª. Vim a lê-lo em viagem, a ver em cada palavra uma nódoa negra de uma vida dorida, a cicatriz de uma ferida salgada pela memória. E, no entanto, é a história de um rapaz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vergílio Ferreira esteve no Seminário da Guarda. &lt;em&gt;Manhã Submersa&lt;/em&gt; é disso o testemunho. Só que esta constatação banal é uma ínfima gota de água no revoltoso rio dessa torrencial lembrança de que a escrita é explêndida Literatura. Livro sobre o sacerdócio, é mais um livro sobre a expiação dessa culpa de a Fé não ter resistido à Igreja, a vocação não ter suportado a Esperança. Podia ser, no entanto, um livro sobre o enamoramento e suas mágoas. Nada mudaria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há no coração deste rapaz a falta de uma Mãe, no seu corpo a falta de uma Mulher. Viveu substituindo esses amores desejados pelo cumprimento dos seus deveres. De joelhos até já não ser mais possível. A sua prece era o silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7795865442441134599?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7795865442441134599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7795865442441134599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/11/o-silncio.html' title='O silêncio'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7418446054178290888</id><published>2008-11-13T22:51:00.004Z</published><updated>2008-11-14T08:34:01.222Z</updated><title type='text'>A manhã entardece</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há livros de que só se repara no título depois. O último livro que Nuno Júdice publicou chama-se &lt;em&gt;O breve sentimento do eterno&lt;/em&gt;. «O que é triste é para ser. Acontece». É um dos seus versos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7418446054178290888?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7418446054178290888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7418446054178290888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/11/manh-entardece.html' title='A manhã entardece'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-6931360465432765952</id><published>2008-10-17T23:09:00.006+01:00</published><updated>2008-10-18T00:49:38.608+01:00</updated><title type='text'>A ilusória inutilidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sentei-me num banco do passeio público a ler. Fazia-o sem óculos. O passeio público era o corredor do Centro Comercial Colombo. O conseguir ler apenas com os meus olhos foi porque o corpo de letra era maior. Trouxe-o agora para casa, um livro que Georges Simenon não escreveu. Dois anos antes decidira não mais escrever. Estas memórias ditou-as. Chama-se &lt;em&gt;Lettre à ma mère&lt;/em&gt;. É uma récita nostálgica, amorosa, de um amor feito de ausências. Inicia-o por descobrir que ao refugiar-se no mundo interior que lhe era familiar Henriette Brüll parecia estar já no outro mundo. É assim que vêem os olhos dos outros. Vou seguir com os meus, desta vez com óculos. Tinha-os aqui, esquecidos, por uns momentos ilusoriamente inúteis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-6931360465432765952?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6931360465432765952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/6931360465432765952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/10/ilusria-inutilidade.html' title='A ilusória inutilidade'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7616199489937484896</id><published>2008-10-14T18:40:00.007+01:00</published><updated>2008-10-15T08:14:00.948+01:00</updated><title type='text'>David Levine</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que faz a cultura de uma pessoa? Tanta coisa miúda, dispersa, atípica, fora do contexto da vida, longe do expectável, às vezes reles outras grandiloquente demais para a própria capacidade. Lembrei-me disto a propósito de um enorme artigo que não tive a coragem de ler até ao fim. O tema era o jornal literário &lt;em&gt;New York Review of Books&lt;/em&gt;. Pensei e foi um caudal de recordações neste fim de tarde em que tenho de sair para rua, sem vontade. Primeiro, ainda com o artigo aberto diante dos olhos, o ter comprado tantos exemplares desse notável jornal, regularmente, dobrando-os muito cuidadosamente na pasta para não vincar indevidamente o papel, hábito nascido do meu psiquismo obsessivo e de ter aprendido a estimar o que é caro, como no tempo em que se forravam as capas dos livros para os não sujar ao lê-los. Depois, a imagem evanescente da menina de olhos negros da banca de revistas ali nos Restauradores, de uma beleza triste esmaecida num sorriso bonito, a mesma que oferecia cromos gratuitos, excedentes das promoções, ao meu ansioso Afonso, tão miúdo então, e que já nem perguntava nada ao estender-mo, mais o seu irmão europeu, o &lt;em&gt;Times Literary Suplement&lt;/em&gt;. No meio desta nuvem nostálgica de lembranças, a memória de que o &lt;em&gt;NY&lt;/em&gt; nascera de uma greve do &lt;em&gt;New York Times&lt;/em&gt; que deixara sem trabalho os críticos literários e outros colaboradores culturais que se reuniram em torno da ideia de uma publicação autónoma que não apenas um suplemento dentro de um jornal. E, enfim, &lt;em&gt;enfim&lt;/em&gt; não!, porque a verdade é que foi por aí que comecei e me entristeci e por causa disso aqui estou, foi saber que está praticamente cego o David Levine, cujo explêndido traço caricatural valia mais do que tanto artigo de opinião, tanta recensão, tanta doutrina, tanto do que eu, regular comprador de um jornal que nunca assinei [«eu sei que é mais barato, deixa lá!»], não lia, guardava para depois, um depois que nunca houve até um dia, vivia por empréstimo numa casa na Rua das Trinas, deitei tudo fora, ou deixei lá ficar quando saí, é o mesmo. Não sei porquê, talvez porque fossem os seus desenhos que em cada jornal que comprava me rasgavam os olhos iluminando-me a alma sobre quem era cada um daqueles que a sua pena resumia a linhas enoveladas de uma caricatura, o David Levine tornou-se uma figura inesquecível; criaturas da cultura, da política, do mundo, personagens de um mundo de ironia, suspensos num instante fugaz de existência. Ao contrário do escultor, que é a mão da posteridade, o caricaturista é a dedada de um instante: ali a arrogância da intemporalidade, aqui a humildade de um instantâneo. Está cego, acho que os leitores começaram a notar os sinais, pela incerteza do traço, o tremer-lhe a mão na assinatura. Se há Deus, é para que não veja mais. A Natureza também é assim, poupa-nos ao limite da dor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;P. S. Se alguém quiser entristecer-se, o artigo está &lt;a href="http://www.vanityfair.com/politics/features/2008/11/levine200811?printable=true&amp;amp;currentPage=all"&gt;&lt;strong&gt;aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, o jornal lê-se &lt;a href="http://www.nybooks.com/"&gt;&lt;strong&gt;aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;. Abre-se e o cartoonista é outro. A vida segue, inexorável. Desculpem-me sugerir isso, o compartilharem um mau momento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7616199489937484896?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7616199489937484896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7616199489937484896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/10/david-levine.html' title='David Levine'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-5149284467384520137</id><published>2008-10-10T23:59:00.001+01:00</published><updated>2008-10-11T08:50:06.989+01:00</updated><title type='text'>O homem que via passar os comboios</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Viajar de comboio e no comboio ler &lt;em&gt;O Homem Que Via Passar Os Comboios&lt;/em&gt; é uma experiência única, o treca-treca da composição a marcar o compasso do ritmo da leitura. A história é uma narrativa de aprisionamento e de libertação. A personagem é um funcionário de uma empresa holandesa de produtos marítimos, com cartão de capitão mas que a monotonia amarra à mediocridade de um emprego em terra. O acaso da falência fraudulenta da empresa, a que ligara tanto a sua vida que nela resumia a própria vida, lança-o no caminho da aventura. Mata por um acaso, ao não aguentar ouvir rir a dançarina de &lt;em&gt;cabaret&lt;/em&gt; com quem sonhara dormir. Quando cheguei ao meu destino, uma mulher que alugava afagos fazendo &lt;em&gt;trottoir&lt;/em&gt; em Paris ajudava-o a encontrar refúgio que a sua imprudência torna perigosamente precário. Ele tinha-a querido apenas por companhia, num hotel barato das imediações. É um livro de George Simenon, sem Maigret. Apenas o comissário Lucas, no &lt;em&gt;Quai des Orfèvres&lt;/em&gt;, da Polícia Judiciária, mesmo assim, discretamente: o crime é apenas um pretexto, um &lt;em&gt;décor&lt;/em&gt; para a alma humana mostrar a sua verdade. Foi ter visto a jovem mulher do velho patrão em camisa de noite, o corpo à transparência, que desencadeou tudo. O tempo futuro nasceu de um tempo possível, que nunca viria a existir. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-5149284467384520137?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5149284467384520137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5149284467384520137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/10/o-homem-que-via-passar-os-comboios.html' title='O homem que via passar os comboios'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-1452332635191078208</id><published>2008-10-03T06:54:00.003+01:00</published><updated>2008-10-03T17:21:57.727+01:00</updated><title type='text'>O tempo simultâneo</title><content type='html'>Disseram-me que estava esgotado. Talvez por isso quando o encontrei comprei-o. Tinha-o lido há muitos anos. É dos livros cujo breve enredo é difícil esquecer. No caso vi que a tradução era do João Barrento. Lê-se depressa. A escrita é fácil. O efeito explosivo vem depois quando já nem se pensa no que se leu. Ontem, entre três linhas de Metro, a amarela, a azul, a vermelha, consegui alcançar as folhas finais. Depois foi ter-me enganado no que li e vir para casa ruminar contra o que supunha ser um erro. Com o meu pobre alemão fui ao original que está &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;. Lá estava o mesmo. Na página quarenta e quatro do meu exemplar a jovem personagem era uma criança de dezassete anos. Duvido que se seja propriamente uma criança com essa idade, mas adiante. Aos dezanove quantas ainda são infantis. Uma delas ia comigo no Metro. Não fosse o corpo a saltar-lhe atrevido de dentro da roupa, supor-se-ia, pelo que dizia, uma garotinha. A mãe dava-lhe cinco euros por semana de semanada, ela deu um cigarro a cada um dos vorazes rufiões da sua idade que a acompanhavam, de mau semblante, piores ideias. Mas na página quarenta e nove pareceu-me ter visto que a mesma personagem, a da minha leitura, sem que o tempo da narrativa tivesse mudado, tinha dezasseis anos.&lt;br /&gt;Só a noite passada venci, voltando a ler, a minha dúvida.&lt;br /&gt;Trapalhão a escrever, trapalhão a ler. Não era a mesma criatura com duas idades simultâneas. Dezasseis anos tinha a criadita, dezassete a filha da patroa, Grete, a irmã de Gregor, exactamente esse, Gregor Samsa, o caixeiro-viajante que um dia acordou transformado em insecto. No seu quarto as paredes eram altas, o céu distante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-1452332635191078208?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1452332635191078208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1452332635191078208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/10/o-tempo-simultneo.html' title='O tempo simultâneo'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-4992857192602956851</id><published>2008-09-30T12:19:00.006+01:00</published><updated>2008-10-01T09:14:21.251+01:00</updated><title type='text'>A Hora Universal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Durante muitos anos não usei relógio. Era um tempo em que não havia telemóveis com relógio, nem relógios digitais nos automóveis. Aprendi, primeiro, a espreitar as horas no relógio dos outros, depois a adivinhar que horas seriam. O relógio do Instituto de Biologia Marítima, ao Cais do Sodré, e o da estação de comboios do Rossio ajudavam, o do Aeroporto também. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa altura não só não chegava atrasado a encontro algum, como tinha sempre o sabor agradável de um avanço sobre todos os horários e o prazer de fruir o tempo ganho ao tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muitas vezes me perguntaram então pelo porquê de não usar relógio. Nunca disse que me tinha impressionado o momento em que os relógios tinham passado de maquinismos discretos para se verem as horas, escondidos no bolso, os antigos com corrente, disfarçados sob o punho da camisa os chamados de pulso, para o despautério exibicionista de estarem afixados quase rente às costas da mão, visíveis, ostensivos, com enormes mostradores, para que, mostrados, se adivinhasse o preço e através dele se intuísse o &lt;em&gt;status&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acontece que o ano passado me ofereceram um relógio, bom, bonito, discreto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Usei-o até que outro dia parou. Foi mudar a pilha, pois não poderia ser uma questão de esgotamento da paciência. Voltou a funcionar mas, uns dias depois, parou de novo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sepultei-o pois, discretamente, numa caixa onde guardo todos os outros relógios, os da minha infância e os da minha juventude, do tempo em que eu tinha todo o tempo do mundo e o espaço do universo era todo meu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora olho para o sol e sinto o ruído gorgorejante das entranhas e calculo cronometricamente que daqui a pouco é hora de ir comer. Mais logo durmo e quando chegar a lua sonho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com a raiva com que ando ao mundo um dia ponho uma bomba no relógio que dá o &lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_6HAunwyyD0s/RomAZig94BI/AAAAAAAACuY/XZZN0LLmLvg/DSC_2081c.jpg"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;TMG&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, a Hora Universal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-4992857192602956851?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4992857192602956851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4992857192602956851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/09/hora-universal.html' title='A Hora Universal'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7697394038221557689</id><published>2008-09-28T22:35:00.004+01:00</published><updated>2008-09-29T00:31:39.431+01:00</updated><title type='text'>Congestão pela tarde</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há na Travessa do Monte um restaurante de comida indiana, em frente do qual está plantada uma agência funerária cujo letreiro a anuncia aberta vinte e quatro horas por dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora vinha ainda meio azamboado da conjunção gastronómico-funerária quando, ao olhar para trás, num gesto instintivo, como se a da foice me seguisse da casa de pasto para a casa mortuária, vi, na parede de uma casa que se está a afundar num obliquar perigoso, a escada exterior já a fazer um ângulo que desafia a força centrípeta, este mimo de inscrição: «amores, calores, rumores e sabores».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cheguei ao Largo que se chama da Graça, sem ter achado graça nenhuma. Pela tarde parou-me a digestão e uma dor de cabeça tomou conta de mim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7697394038221557689?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7697394038221557689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7697394038221557689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/09/congesto-pela-tarde.html' title='Congestão pela tarde'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-4339966515034110923</id><published>2008-09-24T08:10:00.004+01:00</published><updated>2008-09-27T07:02:34.048+01:00</updated><title type='text'>Um livro interminável</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho-o comigo, volto a ele. É um daqueles livros que se desejam intermináveis. É a crónica de uma vida, um livro em que seguimos na peugada de quem viveu, fazendo da sua sombra a nossa forma de viver. Um livro sincero, feito de inesperadas improbabilidades. Ruben Andresen Leitão foi na vida Ruben A. Num momento de génio encontrou Ruben B. O diálogo entre ambos é memorável. Mas esta noite que passou, antes de entrar definitivamente num sono de brutos, li-o, mais umas folhas. Chama-se O Mundo à minha procura. Comecei pelo segundo volume. Acho que já o disse aqui. Fiquei no «impulso que quase me distraía para debaixo de um carro». Foi aí que adormeci como se morto. Atropelado pela vida. Amanhã renasço, para mais umas páginas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-4339966515034110923?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4339966515034110923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4339966515034110923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/09/um-livro-interminvel.html' title='Um livro interminável'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-3749829789546091770</id><published>2008-09-21T19:17:00.004+01:00</published><updated>2008-09-21T19:40:34.250+01:00</updated><title type='text'>A janela entusiasmante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Avenida de Berna é, pelo inóspito do vento que a varre vindo das furnas do Monsanto, e pela extensão que duplica quando um peão se engana e dá consigo a vaguear como se fosse para a Rua da Beneficência, a linha férrea a atrapalhar, um sítio mau para um turista desorientado. E há muitos desses vagueantes sem norte. Ainda há pouco, vistas do alto desta janela onde se reflecte o tardio poente do Verão que já foi, ali estavam duas debruçadas sobre folhas de um mapa que se volteava. A esta hora fechou a Gulbenkian, de restaurantes das redondezas quase não se fala porque não há, e no Campo Pequeno raramente há bois e o volteio ao redondel é nas galerias de um &lt;em&gt;shoping&lt;/em&gt; subterrâneo. Entusiasmado de tão condoído, imagino-as, perdidas, a caminho do Parque, por ruas tristes sem ninguém, rumo ao sombrio e domingueiro lugar de aluguer soturno de uns corpos tresmalhados. Pelo caminho encontrarão &lt;em&gt;El Corte Inglés&lt;/em&gt; e duvidarão de que não sejamos um excerto da Espanha, até porque, perdidas de todo, a última referência que tiveram foi, virar à esquerda ao chegar à Praça de Espanha. Moe-me então um assomo patriótico raivoso porque, as tristes, estão sós e pior do que iso sem companhia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-3749829789546091770?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3749829789546091770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3749829789546091770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/09/janela-entusiasmante.html' title='A janela entusiasmante'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-4359453281168327744</id><published>2008-09-17T23:59:00.003+01:00</published><updated>2008-09-18T23:37:35.350+01:00</updated><title type='text'>O construtor Solness</title><content type='html'>A peça é do Henrik Ibsen, um monólogo, uma hora e meia em palco. Só um artista de excepção resiste, ao esforço de memória, os nervos em pressão constante. No caso a personagem muda de idade, de mentalidade e de ideologia, de sexo até.&lt;br /&gt;Beatriz Batarda é, de facto, extraordinária. Recebe-nos sentada na borda do balco, uma perna pendente, como se a marcar o tempo que falta. Extasia-se em emoção como um grito de dor qual sirene atroando os ares a anunciar a guerra de extermínio. Foi no Teatro Cornucópia. Há meses que não saía. Regressei a casa magoado de beleza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-4359453281168327744?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4359453281168327744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4359453281168327744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/09/o-construtor-solness.html' title='O construtor Solness'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-8105224896045035588</id><published>2008-09-16T23:59:00.005+01:00</published><updated>2008-09-17T08:37:54.987+01:00</updated><title type='text'>O viajante do imaginário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma lua imensa no céu, para os que olham para o céu. Atravessava-a, espreguiçando-se, uma nuvem, novelo patrício de fumo azul, atrás da qual se escondia o príncipe de todos os mares, o mar da tranquilidade. Durante a noite o céu escorreria em chuva, abundante, vivificadora, convocando para a madrugada cada um dos passáros da terra e seus gorgeantes cantares. Na terra, seres irmanavam-se então numa cadeia forjada, corrente a corrente, de ânsias de bondade. Pela hora do jantar, em torno do fogo da amizade, quando os primitivos sentimentos se reunem agregados pela força da pertença, uma tribo acolhia, como numa dança ventral, o viajante do imaginário. Foi então que surgiu, na galáxia demencial que lhe povoa a cabeça, calote esférica onde se revolvem todos os firmamentos, a explosão primeira, mãe de toda a vida e de todo o riso. Sentia-se, enfim, em casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-8105224896045035588?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8105224896045035588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/8105224896045035588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/09/o-viajante-imaginrio.html' title='O viajante do imaginário'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-5662052637578511769</id><published>2008-09-09T19:51:00.005+01:00</published><updated>2008-09-09T20:12:01.441+01:00</updated><title type='text'>Raios o partam!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Consegui acabar de ler a correspondência entre o José Régio e o Vitorino Nemésio. Esperava algo de grandioso, terminei com uma mediocridade gritante. Às cartas entre ambos a edição junta outras, de Alberto Serpa, Adolfo Casais Monteiro e João Gaspar Simões, todas a propósito do que é afinal a ideia do livro, porque esta edição obedece a uma ideia: um conflito literário, feito de «desentendimentos provocados por boatos e picardias de ambas as partes, que terão origem, entre outros factos, na notícia publicada na &lt;em&gt;Presença&lt;/em&gt; dando conta do lançamento da &lt;em&gt;Revista de Portugal&lt;/em&gt;, tardiamente e omitindo o nome do seu director». Palavras das organizadoras Isabel Cadete Novais e Manuela Vasconcelos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou atónito, aturdido de espanto e minado de incompreensão. Porque se edita um livro destes com a fradilqueirice do pior que o humano tem, mesmo quando o humano são escritores? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na sua carta de 17 de Agosto de 1938 Nemésio invectiva Casais Monteiro: «ainda bem que V. me deixa a alternativa de malcriado, para eu me livrar da sua acusação de "desonestidade" na nefanda interpretação que dei ao caso da separata (...)». Numa carta desse mesmo tempo Régio dizia a Nemésio: «você, afinal, não soube sacrificar os seus pequenos ressentimentos pessoais a uma coisa que a revista estava sendo».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É este o estilo geral de um epistolário em que no princípio se trocavam pétalas de mimos adjectivados em rosas e verbos de enleantes heras de fraternidade cultural.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim, uma choldra! «O meu pessimismo a respeito da grande maioria dos homens não tem senão crescido», escreveu Régio a Nemésio em 7 de Julho de 1937. O meu também. Edições destas ajudam à bandalheira, ao descrédito, ao fastio, à ideia de que nada muda e há nos grandes cultivados a mesma miséria moral que nos alarves analfabetos que deles se riem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Maldito livro, pois, mal empregado gasto, não fosse eu não querer ficar com a &lt;em&gt;Obra Completa&lt;/em&gt; do Régio afinal incompleta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Copio da carta com que fecha o livro, escrita pelo Adolfo Casais Monteiro ao José Régio, em 29 de Outubro de 1938. «Citando a sempre oportuna frase do Pessoa: seja como o for, raios o partam!». É isso mesmo, raios os partam a todos, incluindo os que tiveram a peregrina ideia!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-5662052637578511769?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5662052637578511769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5662052637578511769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/09/raios-o-partam.html' title='Raios o partam!'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-3914933092173374612</id><published>2008-09-08T16:52:00.004+01:00</published><updated>2008-09-09T11:38:09.746+01:00</updated><title type='text'>Cor de fogo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dei-me finalmente uns minutos, depois de estar enclausurado a trabalhar desde a madrugada, para passar os olhos por uns momentos de literatura. E cá estou eu com 18 euros de José Régio, como ontem me queixei, como se não pagasse por um livro o que um drogado não paga por um chuto, mas cá estou, dizia, a ler 16,20€, preço FNAC, de cartas do e para o Vitorino Nemésio. Estou extasiado com aquele tempo em que se escrevia como se o tempo humano fosse o relógio da eternidade. Instalado em Montepllier, o autor de &lt;em&gt;Mau Tempo no Canal&lt;/em&gt; comunica: «vem aqui quase todos os dias uma sueca de calções de marinheiro (ai o Botto!...] e blusa cor de fogo, que VV nem imaginam». Como tudo isto se compreende e sente desavergonhadamente. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-3914933092173374612?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3914933092173374612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3914933092173374612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/09/dei-me-finalmente-uns-minutos-depois-de.html' title='Cor de fogo'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7850936129370831045</id><published>2008-09-08T15:46:00.004+01:00</published><updated>2008-09-09T16:24:37.348+01:00</updated><title type='text'>Kafkaesco ou um bródio?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Confesso que estou na fase em que me pergunto se um livro escrito em alemão pode ser verdadeiramente traduzido em inglês ou se quem souber italiano e não dominar a língua de Goethe, não fará melhor em tentar lê-lo através desse riquíssimo modo de expressão. Mais: estou na fase em que, depois de ter deixado de assinar o &lt;em&gt;TLS&lt;/em&gt;, porque raramente o conseguia ler todo e muitas vezes não lia sequer nada, acho que era ali que ainda conseguia entender-me ainda com um pouco de densidade cultural fora do estilo jornalístico-socio-político-psicanalítico do &lt;em&gt;New York Review of Books,&lt;/em&gt; para falar em duas referências em língua inglesa do «magazine litéraire». &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora quiz o destino que fosse precisamente numa referência a esta &lt;a href="http://www.nybooks.com/articles/21610"&gt;revista&lt;/a&gt;, cuja beleza é acrescentada pelos desenhos à pena do David Levine, que eu encontrasse hoje referência a uma nova biografia do Franz Kafka, escrita por Louis Begley. Vou fazer um esforço por ler a recensão e talvez mande vir o livro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O novo ensaio biográfico põe a questão de se deve ou não aceitar-se a visão que Max Brod, um contemporâneo do autor do &lt;em&gt;Processo,&lt;/em&gt; trouxe para o mundo dos interessados em saber quem era, afinal, o criador de Joseph K.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu para já aceito, porque não quero ser ingrato à mão amiga que me emprestou o livro do Brod. O Begley que espere a sua vez, até porque me irrita a palavra «kafkaesco» que por ali anda com uma ressonância a simiesco. Um bródio, enfim, já que atiramos palavras onomatopaicas às ventas uns dos outros!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7850936129370831045?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7850936129370831045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7850936129370831045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/09/kafkaesco-ou-um-brdio.html' title='Kafkaesco ou um bródio?'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-434470998633177337</id><published>2008-09-07T21:12:00.004+01:00</published><updated>2008-09-07T21:19:45.138+01:00</updated><title type='text'>Cara Imprensa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Imprensa Nacional tem sido editora de livros que outras editoras não publicariam e isso é bom para a cultura. A Imprensa Nacional tem publicado bons livros mesmo quando edita discutíveis livros e isso é excelente para a cultura. Agora o que a Imprensa Nacional não pode é praticar os exorbitantes preços que cobra pelos bons livros que indiscutivelmente edita. É que a cultura não suporta tudo, incluindo os preços da Imprensa Nacional. Eu calculo que o negócio do &lt;em&gt;Diário da República&lt;/em&gt; é capaz de não dar grande lucro, pois é um jornal sem anúncios e com notícias indigestas. Mas fazer os que querem outra escrita e que não têm culpa pagar a factura é que não é justo. Vem a isto a propósito de ter comprado dois magros fólios, um com cartas do José Régio ao filosófo Álvaro Ribeiro, outro do mesmo Régio a Vitorino Nemésio. Por ser serviço público, não poderia a Imprensa fazer um descontozinho? Juro que o aplicaria em mais livros, mesmo da Imprensa, mesmo nos discutíveis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-434470998633177337?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/434470998633177337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/434470998633177337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/09/cara-imprensa.html' title='Cara Imprensa'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-2530454961924587151</id><published>2008-09-05T20:59:00.003+01:00</published><updated>2008-09-05T21:11:37.196+01:00</updated><title type='text'>O mau hálito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É extraordinária a agressividade das cidades. A agressividade de certas ruas de Lisboa. São automóveis esganados a caminho do próximo semáforo, conduzidos por gente ávida de vingança e não achando outra se não libertos enfim dos humilhantes empregos e antes de chegarem a casa para descarregarem humilhando os que lá estão. São os moinhos de café que parecem triturar pregos e latas ou parafusos e nos cafés as chávenas atiradas como numa gargalhada de cacos umas contra as outras e os copos. São os velhos surdos e os novos vocais, cada um a seu modo a quererem fazer-se ouvir, mesmo pelos que não querem ouvir. É extraordinária a violência sonora, a selvajaria verbal, a clausura dos locais, abafados, húmidos, pestilentos. São os caixotes de lixo a transbordar, o cheiro a fossa os cigarros retardados, a defecação sistemática dos cães, o passeio público feito retrete canina. São os pombos moribundos e os vagabundos. É a dor lamurienta dos excluídos rapandos nos caixotes e dormindo pelos cantos. É a nossa impossibilidade de sairmos daqui. É o mau hálito disto tudo, a roupa urbana por mudar, a de baixo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje começou a chover e eu lia em &lt;em&gt;O Mundo à minha procura, &lt;/em&gt;do Ruben A., a frase magnífica: «O Verão cansou-se». Como eu o compreendo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-2530454961924587151?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2530454961924587151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2530454961924587151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/09/extraordinria-agressividade-das-cidades.html' title='O mau hálito'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-2291426778220474563</id><published>2008-09-03T21:33:00.003+01:00</published><updated>2008-09-03T21:57:18.792+01:00</updated><title type='text'>Um pequeno incidente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ter ido a Vila Franca de Xira por razões de serviço deu oportunidade de visitar o Museu do Neo-Realismo. A arquitectura do edifício é notável, a amabilidade de quem nos recebe cativante, a sobriedade bela do modo de expôr uma arte dolorosa vinca a alma do visitante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez o meu ser ruminante me tenha feito notar que está ali o Vergílio Ferreira, com o &lt;em&gt;Vagão J&lt;/em&gt; em destaque e o livro de viragem, o &lt;em&gt;Mudança&lt;/em&gt;, obras do antes de o autor da &lt;em&gt;Aparição&lt;/em&gt; entrar na desbunda vociferante contra os «neo-realeiros» que, se o trataram mal, tiveram também muita paciência para o aturar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cultura militante, numa luta intestina entre conteúdos e forma, atinge o seu momento mais agónico quando o desconhecido António Vale na &lt;em&gt;Vértice&lt;/em&gt; entra na liça marcando a agenda com um artigo intitulado «Cinco Notas sobre Forma e Conteúdo». Bombo da festa Fernando Lopes-Graça. O nome do crítico escondia o seu clandestino autor, Álvaro Cunhal, cujos desenhos no cárcere ali estão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembrei-me disso, como quem se lembra de um pequeno incidente numa história de família. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«&lt;em&gt;Olha o Papiniano Carlos&lt;/em&gt;», disseram gaiatamente a meu lado, ao surgir a fotografia. «&lt;em&gt;Nunca mais se falou nele&lt;/em&gt;». «&lt;em&gt;Pois não&lt;/em&gt;», respondi, em nome dos vivos, dos mortos, dos lembrados e dos esquecidos, enquanto reparava naquela capa para o Carlos Oliveira, cuja escrita é a invulgaridade feita substância, o dito transformado em modo de dizer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-2291426778220474563?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2291426778220474563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2291426778220474563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/09/um-pequeno-incidente.html' title='Um pequeno incidente'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-1233540974874181442</id><published>2008-09-02T05:57:00.003+01:00</published><updated>2008-09-02T06:05:53.490+01:00</updated><title type='text'>Cavaleiro de Oliveira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há coisas na Livraria Bertrand que espantam: ter deixado esgotar o Aquilino, tornando raridades disputadas a bom preço livros como &lt;em&gt;O Escritor Confessa-se&lt;/em&gt;, a sua notável auto-biografia e tornar praticamente impossível de encontrar a esmagadora maioria da obra do Vergílio Ferreira. Claro que a Bertrand não é serviço público e é livre de fazer funcionar o mercado e, detendo os direitos de edição de um autor, condená-lo à morte pelo esquecimento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi com júbilo que este começo de manhã vi &lt;strong&gt;&lt;a href="http://ler.blogs.sapo.pt/137886.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; uma notícia: a Bertrand vai voltar a editar o Aquilino, no caso &lt;em&gt;O Galante Século XVIII - Textos do Cavaleiro de Oliveira.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora por falar em Cavaleiro de Oliveira, o nome traz-me tais reminiscências que é motivo para um homem deixar no cabide do guarda-fatos a má catadura e tentar sorrir de dentro para fora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Viva, pois!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-1233540974874181442?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1233540974874181442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/1233540974874181442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/09/cavaleiro-de-oliveira.html' title='Cavaleiro de Oliveira'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-5460452081125241934</id><published>2008-08-30T00:30:00.000+01:00</published><updated>2008-08-30T00:31:46.118+01:00</updated><title type='text'>Calor tropical</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cinco anéis, três na mão esquerda. Fatinho colonial, abrasileirado, de uma sarja bera que já fora branca. Sapato a condizer, peitilho esburacadinho para ventilar calores tropicais que por aqui não há. Aclimatado, um coletinho em lã a desdizer tudo, um transistor à orelha encostado, em volta de um relato de bola quase inaudível, no meio da algazarra geral. Falava esganiçado, aflautado, saracoteante. Na mesa ao lado, soturnos, densos, conspirativos, de poucas falas, boné leninista, os da velha guarda do Partido olhavam-no com cautelosa desconfiança. Foi no Café Central, que atirava para a rua o grito de uma tabuleta: «o seu café». Foi então que ela entrou. Esguia de felina, ondulante de jibóia, possante de palanca, mulata espectacular. Fizeram-se tréguas por um instante. O do fatinho nem olhou, os camaradas não tinham orientações para poderem olhar. Todos os demais, casais aparelhados e solitários por vocação, embabascaram-se, absortos nela e do sábado esquecidos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-5460452081125241934?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5460452081125241934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/5460452081125241934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/08/calor-tropical.html' title='Calor tropical'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-4220197883259534354</id><published>2008-08-28T23:59:00.006+01:00</published><updated>2008-08-29T07:21:29.312+01:00</updated><title type='text'>A minha bagagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há biografias que são simultaneamente a vida dos autores e das obras que os fizeram extraordinários escritores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passa-se isso com a notável biografa da Franz Kafka escrita por Pietro Citati. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Kafka é o Celibatário, o grande Solitário, o homem em «vertiginosa claustrofobia», Citati é um espírito puro em liberdade, um escritor numa «fuga grandiosa em relação ao infinito».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Momentos há no livro em que, porém, se indiferenciam, o biógrafo já transformado no biografado, o discurso quase directo, o leitor a ler nos lábios de Citati, como se folheasse cada um dos livros deste advogado asilado na Literatura.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há neste livro rasgos de génio construtivo, como a apresentação teológica de &lt;em&gt;O Processo&lt;/em&gt;, a Lei como a casa de Deus, o Tribunal a emanação de Deus, a Justiça labiríntica «a luz ofuscante», um «Deus verídico e enganoso, próximo e afastado, acessível e inacessível, aberto e fechado, luminoso e tenebroso». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Josef K. espera à porta da lei, perde-se nos corredores da Justiça, cumpre «a felicidade do castigo» da condenação da sua culpa: é a culpa que é a «afinidade entre a acusação, vítimas e juízes» e o Tribunal está sempre atraído pela culpa e é o estigma da culpa que atrai o culpado ao Tribunal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas há sobretudo nesta obra única a constante de uma densa humanidade, como a de Gregor Samsa, que um dia acordou em &lt;em&gt;Metamorfose&lt;/em&gt; transformado em insecto para viver, enfim, a oportunidade do amor com a única pessoa que o amava no que indiferencia o humano do bestial, o escritor como animal, o mundo como covil, o corpo como miséria, lastro de uma alma ansiosa de plenitude.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minado por fundas depressões, querendo «altíssimas paredes» que o defendessem dos humanos, Kafka é um dos mais inteligentes escritores do século XX. Morreu em 24 de Junho de 1924. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Viveu como empregado de uma companhia de seguros, deixou uma obra que, tal como a sua &lt;em&gt;Muralha da China&lt;/em&gt; «mantém tensas as cordas da alma». Escrevia até altas horas da noite, em estado de semi-inconsciência, descendo cada vez mais fundo às crateras da sua alma, arrebatado, vivendo uma tensão trágica constante, como se numa &lt;em&gt;Colónia Penal&lt;/em&gt;. Incapaz de uma relação conseguida no casamento, chegou à noite do noivado, em Berlim, doente ou imaginando estar. «A minha bagagem compõe-se de insónia, peso no estômago, enxaqueca e dores no pé esquerdo», escreveu à irmã da sua noiva, no preâmbulo da «comédia do matrimónio sem matrimónio».Toda a sua vida é a sublimação dessa incapacidade de não ser um homem só, no &lt;em&gt;Castelo&lt;/em&gt; do seu refúgio, vivendo como sentimento o terror nocturno da «madrugada dos funcionários».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-4220197883259534354?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4220197883259534354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/4220197883259534354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/08/as-cordas-da-alma.html' title='A minha bagagem'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-3633849918606042421</id><published>2008-08-27T23:59:00.004+01:00</published><updated>2008-08-28T03:07:17.317+01:00</updated><title type='text'>A alma desperta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há momentos em que nos saturamos mesmo dos chamados «grandes vultos» da Literatura. Aconteceu esta noite com o David Mourão-Ferreira. Lia, meio estremunhado, o conto &lt;em&gt;O Viúvo,&lt;/em&gt; quando uma súbita vontade de chegar ao fim me acometeu e o texto é curto, a narrativa breve, mas o sono imenso. A monotonia da história dava então mãos à vulgaridade do modo de a contar. A somar ao desespero descobri nestes contos, que juntos formam a antologia &lt;em&gt;Os Amantes,&lt;/em&gt; a obsessão pela palavra «luvas». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Achei-o logo no primeiro, &lt;em&gt;Nem Tudo É História,&lt;/em&gt; quando o automóvel capotou, na frase «mas era afinal a minha mão, coberta de sangue, que saía do interior dessa luva rasgada»; revi-o neste irritante &lt;em&gt;O Viúvo &lt;/em&gt;quando «Adriano começou, pausadamente a descalçar as luvas», ao chegar ao hotel na praia e reencontreio-o quando, chegado a casa de Rita, aberta a porta por «uma criadita, novita e feia, assarapantada como uma borboleta», Adriano «devagar, meteu as luvas no bolso do sobretudo»; voltaram as luvas quando, num diálogo de ciúme assassino, Rita ironiza que a prenda que Paula, a amante de Adriano, agora viúvo de Elsa, lhe haveria comprado era «um par de luvas»; perseguem-me quando, já no limiar da porta «Adriano resmoneia, de cabeça baixa, enquanto começa a calçar as luvas» e sai de cena «muito mais com o aspecto de um órfão».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim, saturara-me de «luvas» e do livro e do escritor quando, já a escrever este post para dizer isso e bem pior, à procura então de mais luvas para justificar a minha embirração tropecei &lt;em&gt;no &lt;/em&gt;magnífico&lt;em&gt; Ao lado de Clara&lt;/em&gt;, e nele «Ippolita debruçar-se-á sobre o pescoço de Gorella, depois de cuidadosamente lhe amarrar os pulsos atrás das costas; e tratará então de ir colocando, no pescoço de Gorella, com lentidão exasperante, um apertado colar de lascivas mordeduras; e, a seguir, sempre com os lábios entreabertos, vorazmente subirá até à altura do queixo de Gorella; e, por fim, no instante em que a sua língua deixar de obscenamente se revolver (...)». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parei, hirto e inesperadamente desperto! Esqueço as luvas, perdoo a monotonia, a vulgaridade, foi-se o sono, «enquanto Giorgio, deliciadíssimo com a cena, se lhes terá reunido e as abraçará pela cintura».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há alturas em que se descobrem, inesperados, magníficos e excelentes «grandes vultos» da Literatura Portuguesa. Era de noite e custava-me dormir. A leitura é uma excelente forma de manter a alma desperta, começando por descalçar as luvas. Obrigado David.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-3633849918606042421?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3633849918606042421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/3633849918606042421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/08/alma-desperta.html' title='A alma desperta'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-2001448422351221926</id><published>2008-08-27T01:17:00.004+01:00</published><updated>2008-08-28T03:29:15.423+01:00</updated><title type='text'>O genial duelo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Encontrei-o na &lt;a href="http://www.livrariasimoes.com/"&gt;Livraria Simões&lt;/a&gt;, em Faro, casa de magníficas surpresas: um livro de Manuel Anselmo, editado pela Sá da Costa, em 1937. Chama-se &lt;em&gt;Antologia Moderna&lt;/em&gt;. Firmado em Matozinhos, o meu exemplar tem uma dedicatória quase ilegível. Anselmo tinha então 25 anos e a obra significou para o seu autor recomeçar a actividade de «ensaísta de compreensão literária».&lt;br /&gt;Anselmo tem sido votado a um profundo ostracismo, talvez por ser politicamente de direita, teórico doutrinador do regime deposto em 25 de Abril. A sua &lt;a href="http://aveazul.blogspot.com/2006/10/o-futuro-de-manuel-anselmo.html?showComment=1161545100000"&gt;lembrança&lt;/a&gt;, ainda hoje suscita reparos.&lt;br /&gt;O livro abre com um artigo sobre o «panorama intelectual e literário do escritor Oliveira Salazar». Deixemo-los. Detive os olhos, sim, no seu magnífico estudo sobre a poesia de José Régio sobre quem escreveu: «Nada evitará, jamais, ao Poeta, esse genial duelo entre o seu sonho de grandeza e a consciência da sua pequenez». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Coincidência, tenho vindo a ler, aos poucos, outro livro, encontrado por acaso na mesma livraria a &lt;em&gt;Evocação de José Régio &lt;/em&gt;de Joaquim Pacheco Neves, diário dos últimos dias do autor de &lt;em&gt;Benilde, a Virgem-Mãe&lt;/em&gt;. A narrativa começa no dia 9 de Outubro de 1969. Nessa noite Régio seria acometido de um enfarte. Faleceria no dia 22 de Dezembro desse mesmo ano. Todo o livro é escrito para contrariar a ideia de que ele seria um suicida passivo, «conivente», a quem a morte conveio no momento em que já não podia mais viver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-2001448422351221926?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2001448422351221926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2001448422351221926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/08/o-genial-duelo.html' title='O genial duelo'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7655300444735100011</id><published>2008-08-25T23:59:00.006+01:00</published><updated>2008-08-27T00:48:46.868+01:00</updated><title type='text'>A vida aos repelões</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Depois de ter gozado mais do que a lei manda, Luiz Pacheco dedicou o &lt;em&gt;Diário Remendado&lt;/em&gt; «ao Senhor Doutor João Pedro George, colaborador impecável, meu biógrafo improvável», que escreveu o que chamou de «posfácio» de tal obra. O mesmo George edita-lhe agora, com uma introdução, algumas das pachecais entrevistas, num livro tirado pela &lt;em&gt;Tinta da China&lt;/em&gt;, belíssimo como todos os livros dessa editora. Vale a pena ler a introdução. E vale a pena notar o aparente &lt;em&gt;fair play&lt;/em&gt; de quem foi tratado, precisamente numa entrevista ao JL por «uma espécie de índio chupista». E como se já não bastasse, arrumou-lhe com: «O gajo sabe mais de mim do que eu. Mas isso do posfácio também não interessa: a malta lê meia dúzia de páginas do &lt;em&gt;Diário&lt;/em&gt; e larga, ninguém chega ao posfácio».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Interessante, sim, a introdução dizia eu nesta manhã meia confusa de ideias, a escrever depois das onze como se fosse pelas onze de ontem. Nela João Pedro fala de Luiz a propósito da «comercialização da excentricidade», refere-o como «escritor maldito» quando fala na «maldição como estratégia de legitimação», trá-lo a nós leitores como alguém que tem «um grau de liberdade a cujo luxo os outros não se podem dar». Estão quites eles também.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O livro chama-se &lt;em&gt;O Crocodilo Que Voa&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;P. S. Uma coisa é interessante, sim, esquecia-me. João Pedro George desmascara quantos andaram a provocar o pior de Pacheco, a viperina língua, o escárnio permanente e quantos fizeram à sua conta manchetes e títulos de sensação! Desde o célebre título de primeira página no defunto O I&lt;em&gt;ndependente:&lt;/em&gt;«Santana só fez merda na Câmara de Lisboa, mas eu acho graça a isso», até ao perguntar: «Quantas coisas fizeste de ilegal ou de condenável?» [Baptista-Bastos], «E vontade de matar alguém, já tiveste?» [idem], há de tudo. Um um crocodilo que voa, sim, mas por vezes muito baixinho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7655300444735100011?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7655300444735100011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7655300444735100011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/08/vida-aos-repeles.html' title='A vida aos repelões'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-7891939854053177554</id><published>2008-08-24T20:40:00.003+01:00</published><updated>2008-08-24T20:50:26.849+01:00</updated><title type='text'>Os amantes</title><content type='html'>Dizem que os editores não gostam que os autores se viciem em contos. Têm talvez a ideia de que estão a dizer concentradamente o que podiam engrossar num livro, diluindo-o.&lt;br /&gt;Num conto talvez seja tudo mais rápido, mais intenso, mais breve, como um beijo numa noite de chegada por contraposição a uma noite de amor na hora da despedida.&lt;br /&gt;Vem isto a propósito do último parágrafo de um conto de David Mourão-Ferreira, chamado &lt;em&gt;Os Amantes&lt;/em&gt;, escrito em 1968: «&lt;em&gt;E finalmente deito-me a teu lado. Não sei bem se a teu lado se dentro de ti&lt;/em&gt;».&lt;br /&gt;Vi-o esta manhã, por ser capa do livro que comprei ontem. Lê-lo-ei esta noite. Acabei agora, com a noite a chegar, o primeiro dos contos, onde está: «&lt;em&gt;É preciso inventar? Ou contar a verdade? Só o que invento me comove; só a verdade te emociona. Temos então de deitar à sorte: ainda não sei qual de nós merece agora reaprender a chorar&lt;/em&gt;». Chama-se &lt;em&gt;Nem Tudo É História&lt;/em&gt;. Uma única e a mesma história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-7891939854053177554?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7891939854053177554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/7891939854053177554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/08/os-amantes.html' title='Os amantes'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14448581.post-2372656270599538323</id><published>2008-08-22T23:59:00.004+01:00</published><updated>2008-08-23T11:21:40.190+01:00</updated><title type='text'>Pese a admiração...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eugénio de Andrade deveria detestar António Botto como poeta e por isso escreveu: «como poeta desde há muito que o tenho em pouca conta». Eduardo Pitta, que organizou o volume das &lt;em&gt;Canções, &lt;/em&gt;lembra isso e lembra mais: que quando escreveu aquilo, ele ainda não era Eugénio de Andrade, mas sim «José Fontinhas». E para que o leitor perceba bem acrescenta, em nota de rodapé, que José Fontinhas é o «nome civil do poeta Eugénio de Andrade». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ficam quites, pois, Andrade e Pitta e o leitor, basbaque, a ver. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ah! Esquecia-me: ainda a propósito do brevíssimo apontamento biográfico que faz sobre o autor do poema «Ama sim, mas não obrigues a alma», diz Pitta que Botto, «homossexual assumido» acabaria erradicado do funcionalismo público&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; onde teria «modesto emprego», em 1942, «num tempo em que os mecenas não punham Fundações aos poetas».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora aí está a piadinha assassina! Atirado Fontinhas ao chão, há que pôr-lhe o pé no pescoço. O tiro de misericórdia vem a seguir. Citando-a à obra de Fontinhas enquanto Andrade, ressalva Pitta: «pese a admiração que por ela nutro».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naturalmente, nem seria preciso dizer, porque o leitor nesta altura já está esclarecido quanto a ser imensa a admiração.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14448581-2372656270599538323?l=ajaneladoocaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2372656270599538323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14448581/posts/default/2372656270599538323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ajaneladoocaso.blogspot.com/2008/08/pese-admirao.html' title='Pese a admiração...'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry></feed>
