22.1.06
Uma vida que começa
O único e o singular de cada amor
17.1.06
Mau parecer
Uma víscera ruim
Manuel Fernandes Laranjeira compôs em 1908 um «Diário Íntimo» onde anotou que, afinal, a alma é uma víscera ruim. Pouco antes do regicídio escreveu uma série de artigos, que Luiz Pacheco viria a editar-lhe, em trezentos modestos exemplares, na Contraponto. São notas soltas sobre o «pessimismo nacional», sobre as «quadrilhas messiânicas», sobre a «enfermidade congénita» dos portugueses, maleita que é um sintoma alarmante «de uma doença infecciosa grave», toda «de natureza parasitária». Manuel Laranjeira suicidou-se em Espinho no dia 22 de Fevereiro de 1912, com um tiro na cabeça, como era inevitável. Dele disse Miguel de Unamuno que «a vida o matou e ele deu vida à morte», como à de Portugal uma «Nação morta destinada a ser devorada pelas Nações vivas». Numa carta a Amadeo de Souza-Cardoso, Laranjeira, médico, diagnosticou a sua doença, a dos que sentem «morrer a vida» por não talhar a vida ao seu ideal.
16.1.06
Um dia
15.1.06
É só carregar no «on»!
Nos teus olhos altamente perigosas
Saudades do gasolim
A Praça de Espanha
Ler, rir e viajar
Tempus fugit
13.1.06
Alça daqui!
11.1.06
Um furo!
A caderneta escolar
9.1.06
O homem de Manhufe
8.1.06
Sendo-se justo
7.1.06
Cantam as nossas almas
A intranquila sensação
5.1.06
Uma escrita exaurida
4.1.06
Morreu
3.1.06
A cidadela sitiada
2.1.06
A definição de uma alma
Adivinha quem vem jantar?
Um tiro às escuras
A referência vem aqui, num artigo sobre a adaptação ao cinema de histórias previamente contadas em livro. Uma das graças é que «no livro as imagens são sempre melhores do que no cinema». Mas o que me ficou foi a menção a Tchekov, quando, a propósito ainda do teatro, dizia, a propósito dos tempos cénicos, que se há uma arma na primeira cena, ela tem que ser disparada na segunda. A atentar em algumas peças de teatro, o risco é serem disparadas sim, mas da plateia sobre o palco. O mesmo se diga do cinema, mas com menos sucesso.
Um homem em fuga
1.1.06
Dias assim
31.12.05
O beneficente consolo
30.12.05
Elixir capilar
29.12.05
Na imensidão de um muro
28.12.05
Uma língua que ecoa
O lugar de toda a gente
27.12.05
Vocês, vejam lá!
26.12.05
Prognóstico reservado
A lenda dos malvados
Enleante cuidado
25.12.05
Amar
A estrada
24.12.05
Os limites da compreensão
De vésperas
12.12.05
Sabina Freire
O acaso persistente
11.12.05
E é melhor nem pensar!
Florbela: conhecer-me!
Eu sei que esta semana fez anos que nasceu a Floberla Espanca, que nasceu em Dezembro e em Dezembro quis morrer. Hoje, já longe da data, tenho comigo apenas um livro de contos que ela escreveu e peço-lhe ajuda para poder ter algo de digno a dizer. É pena, porque como disse a Ivette Kace Centeno, que prefaciou uma sua edição, «incomoda nos contos o fácil dos estereótipos». Mas nem tudo é mau neste momento residual de lembrar a tragédia de uma vida. É que nesse livro e nesse «prefácio», que melhor se chamaria de introdução, é lembrado um momento do seu «Diário do Último Ano» aquele em que Florbela configura a eventualidade de, quando enfim morrer, alguém ler aqueles seus «descosidos monólogos» e assim «realize o que eu não pude: conhecer-me». Por mim tentei, sem ser capaz e vim aqui dizê-lo, assim alguém me ajude.
10.12.05
Demência, Majestade!
8.12.05
A voz, o som, as cores
P. S. Hoje lembrei-me. E «Som da Frente» onde, pelo menos para mim, tudo começou?
6.12.05
Epigrama
Vencimento
4.12.05
Pensava
3.12.05
Intervalos de animal
1.12.05
O princípio da verdade universal
30.11.05
Os olhos de um cão
Homens livres
29.11.05
Para que eu sinta em mim
27.11.05
Domingo à tarde
26.11.05
Cerejas literárias
24.11.05
Um sono de morte
23.11.05
O atleta da tristeza
Um livro filomenal
20.11.05
Viver na abstracção
19.11.05
A suprema incerteza
Os olhos a arder
18.11.05
Bilhete de identidade
17.11.05
A Ti-Mi e a Ti-Lú
16.11.05
A ordem natural das coisas
13.11.05
O que há e o que é
12.11.05
A morte suspensa
11.11.05
Conforme os dias
Mais uns dias sem vir aqui. Não é o tempo que me falta, é o espaço. Eu bem tento empurrar a vida toda para dentro do vazio que há em mim. A verdade é que sobeja mais para vivê-la do que para escrevê-la. Quando me sento para dizer como foi não me lembro bem, só ficou a ideia de que foi muito bom. Ou muito mau, conforme os dias.