14.5.06
Cada criatura humana
12.5.06
A lousa de uma vida
11.5.06
O hipnótico mundo dos quês
10.5.06
E a natureza sou eu
7.5.06
Um livro finalmente na montra!
5.5.06
As três da vidairada
1.5.06
Além do limite
29.4.06
Um modo de contar
25.4.06
Valeriana
23.4.06
Catando gralhas
22.4.06
A vida ao sábado
19.4.06
O dever primordial de nós todos
17.4.06
O dia mundial do livro
16.4.06
Curiosidade
Um futuro insensato
14.4.06
O homem do Livro das Maravilhas
«(...) Vull morir en pèlag d'amor.
Per ésser gran no n'hai paor
de mal príncep ne mal pastor.
Tots jorns consir la deshonor
que fan a Dé li gran senyor
qui meten lo món en error (...)».
É uma hossana magnífica, linda de se dizer, e que termina em glória, assim e por esta forma:
«(...) Man Déus als cels e als elements,
plantes e totes res vivents
que no em facen mal ni turments.
Dó'm Déus companyons coneixen'
devots, lleials, humils, tements,
a procurar sos honraments».
Um tempo cruel
12.4.06
Farsi
10.4.06
As penas de quem vive da pena
9.4.06
Girando cuidadosamente
8.4.06
A extensão, a profundidade, as medidas do sentir
7.4.06
Memórias de uma criada de quarto
6.4.06
O verbo ter
5.4.06
Rebentar de vontade
Privilegiado por um favor, tentei apressar-me, no fundo eu fazia apenas horas para um jantar. Trouxe um livro.
Com о fim-de-semana a esgotar-se agora, abri-o há pouco, antes de vir aqui. É de Yvette Kace Centeno, um livro já antigo. Nele, uma linha que eu desejava ter vivido assim, em vez de como me sucedeu:
«Deixo-me ficar fechada em casa até não poder mais. Até rebentar de vontade de fugir».
4.4.06
O acaso a um euro
2.4.06
A árvore frondosa
1.4.06
O acaso do sol
30.3.06
Porque sim
29.3.06
A neguentropia termodinâmica
26.3.06
O veneno do amor
25.3.06
Em hora de azar
24.3.06
O vagabundo caído
Lembro-me da árvore, dividida em dois corpos, a copa cindida roçando o chão, o tronco carcomido, como as pernas soerguidas de um vagabundo caído. Árvore assombrada, tocada por uma faísca fatal, aquela amalgamava vegetal e mineral, petrificada, estava morta e embalsamada e plantada em frente à minha infância.
Se acreditasse em premonições, aquele espectáculo ígneo de uma árvore fulminada por um relâmpago, ter-me-ia causado o arrepio de uma antevisão do futuro. Mas, afinal, era apenas a expressão de um mau momento na natureza.
Por detrás dela, a árvore morta, cujo nome, eu pouco entendido em árvores, aliás não sei, uma outra, majestosa em altura, se plantara, uma palmeira.
Ao fim da tarde, bandos de corvos, concentravam-se nela, para a noite, onde faziam abrigo. Aquele ritual diário, ao pôr-de-sol, de centenas de aves agitando as suas asas negras e, como cachos, aninhando-se nos ramos dentados da palmeira, ensinou-me, pelo olhar de uma criança, o que era uma vida a cumprir-se, o que era a força arrebatadora do instinto vital feito apelo, o que era, sobretudo, a desolação das almas, cantada no grasnar aflito daqueles rapinantes, projectados majestosamente ao crepúsculo.
Se eu eu tivesse aprebdido então que os nossos sonhos, as nossas ambições, os nossos devaneios, não resistem à migração eterna como a daqueles corvos, a que nossa condição também nos condena, teria evitado algumas das minhas errâncias voluntariosas e ter-me-ia deixado seguir no ciclo vital da rotina e regressado, ao fim de cada dia, como todos os do meu ninho familiar, à minha palmeira.
Assim, nasci por coincidência, num mau momento, e saído um dia da minha palmeira na Rua Vasco da Gama, perdi-me do resto do bando e ao poente, já não regressei. Errante pelo mundo alheio e nele estrangeiro, a minha pátria não é, por isso, um chão a que retorne, é a ideia de umas raízes a que me prenda.
Vamos por partes!
23.3.06
A terra do nunca
21.3.06
A sagração da primavera
19.3.06
Os ressentimentos à solta
17.3.06
O estranho sentimento
16.3.06
Uma cópia do que foi
Escrita de sobrevivência
15.3.06
Trabalho inútil
14.3.06
Os paus de fora
11.3.06
O Catador de Histórias
A morte como evasiva
Calor tropical
A hipnose e o apetite
9.3.06
Os apanha bolas
8.3.06
Um cão
Pessoa até amanhã
7.3.06
Literatura comestível
6.3.06
O ócio e a vagabundagem
O jardim de Deus

«Quem tem as flores não precisa de Deus. É uma frase que Alberto Caeiro não aproveitou para o seu poema «O Guardador de Rebanhos». A Biblioteca Nacional recuperou-a agora, perfumada e viçosamente, para todos nós.
5.3.06
O meu coincidente
4.3.06
A enfermaria da liberdade
O Rebelo da Silva em marcha
3.3.06
A grande tentação
O grisol
A luz e as sombras
2.3.06
Uma barrela total
1.3.06
Rápida, a sombra
28.2.06
O estado de sítio
27.2.06
Interpretação consoladora
26.2.06
Borges, sem porquê
Os blogs de JAB
Dia de arrumações, criei um blog em que, dizendo de quem se trata, deixo, de modo arrumado, a lista dos blogs que criei e o modo fácil de saber em que dia os actualizei. A partir dali linkam-se todos. Não é que eu tenha muitos leitores, mas acho que lhes devo ao menos o respeito de me organizar. O blog tem o meu nome e encontra-se clicando aqui!.
25.2.06
O entre-choque
24.2.06
Uma vida que já foi
23.2.06
Um outro santo Agostinho
21.2.06
A porta aberta
20.2.06
E digam lá que não!
18.2.06
O jardim de Deus
16.2.06
«A Luta» continua
14.2.06
Um amor que mata!
Morte no capítulo três
12.2.06
O a e o de, essa inescapável diferença
11.2.06
Poetria
Um sábado de cores
10.2.06
A via salvífica
9.2.06
Acaso
Amanhã, melhor dormido
7.2.06
Trabalhos manuais
O galo Zagalo
4.2.06
O homem, esse desconhecido
2.2.06
A graça rudimentar
1.2.06
A mosca tsé-tsé!
31.1.06
Pilhas de graça!
29.1.06
Começa um vida
28.1.06
Rebelo da Silva
A pequena escala
27.1.06
O deleite e a desarrumação
26.1.06
Nós outros
25.1.06
Salve-se a geometria!
Crónica da hora que passa
23.1.06
O quem era e o porque é
22.1.06
Clientes de mão
Uma vida que começa
O único e o singular de cada amor
17.1.06
Mau parecer
Uma víscera ruim
Manuel Fernandes Laranjeira compôs em 1908 um «Diário Íntimo» onde anotou que, afinal, a alma é uma víscera ruim. Pouco antes do regicídio escreveu uma série de artigos, que Luiz Pacheco viria a editar-lhe, em trezentos modestos exemplares, na Contraponto. São notas soltas sobre o «pessimismo nacional», sobre as «quadrilhas messiânicas», sobre a «enfermidade congénita» dos portugueses, maleita que é um sintoma alarmante «de uma doença infecciosa grave», toda «de natureza parasitária». Manuel Laranjeira suicidou-se em Espinho no dia 22 de Fevereiro de 1912, com um tiro na cabeça, como era inevitável. Dele disse Miguel de Unamuno que «a vida o matou e ele deu vida à morte», como à de Portugal uma «Nação morta destinada a ser devorada pelas Nações vivas». Numa carta a Amadeo de Souza-Cardoso, Laranjeira, médico, diagnosticou a sua doença, a dos que sentem «morrer a vida» por não talhar a vida ao seu ideal.