18.8.07

Leituras iniciáticas

Acho que já me queixei aqui disto: a Livaria Bertrand, que terá os direitos autorais do Aquilino Ribeiro ,deixou esgotar grande parte das suas obras, sem as reeditar. A mesma Bertrand, que editou em vida o Vergílio Ferreira, praticamente já só vende do Vergílio Ferreira a «Aparição», que passou, coitado dele, à maldição compulsiva de livro escolar.
Claro que os editores não são beneméritos da Pátria, mas estes livros não deveriam ser daqueles que deveriam fazer parte de um acervo de obras obrigatórias que o Ministério da Cultura tornasse inesgotáveis?
Lembrei-me disto porque ontem um artista plástico, filho e neto de bibliófilos, me falava, com enlevo, nas várias primeiras edições que havia em sua casa, entre elas uma obra extraordinária do Camilo Castelo Branco, o «Frei Luís de Sousa».
Não me ri porque me apeteceu chorar. Razão teve o Camilo para dar um tiro na cabeça!
Hoje na FNAC uma bem arranjadinha senhora, daquelas de malinha e gargantilha, que educou filhos e toma agora conta dos netos quando os pais vão ao cinema ou se divorciam, ou em ambas as circunstâncias, folheava, pausada e deliciada, a secção de literatura erótica. Nunca é tarde para se aprender, de facto. Afastei-me, discreto, deixando-a no deleite daquela iniciação ao tempo que lhe resta com o corpo que lhe sobra.

17.8.07

Um instante

Usava um kilt, mas nem sequer era europeu quanto mais escocês. Era negro e americano. Usava botas militares e ao peito um símbolo pacifista. A roupa era medíocre, os dedos vinham inchados de anéis em ouro. Acompanhava-o um cão dos que guiam cegos, mas nem ele era cego e o cão era uma cadela. Eu regressava de comboio com vontade de viajar de comboio. O mundo parou por um instante e sorriu para nós. A rapariga bonita que viajava connosco sumiu-se na multidão, ignorando-nos, os olhos postos no ponto imaginário de alguém que a desejasse.

16.8.07

O Príncipe, de comboio

Vim de comboio de Loulé a Braga a ler o «Príncipe» do Maquiavel, por causa de uma promessa de trabalho em que me enredei e quero cumprir até ao final de Setembro. Cheguei à conclusão que ele escreveu a obra para fomentar um principado que salvasse a Itália dividida, quando o seu coração se inclinava para a República romana.
Cheguei agora, ao Hotel da Estação, e cruzei-me na recepção com o revisor e o maquinista, que vão também pernoitar por aqui. Qualquer dia eu e a CP somos uma família e ainda passamos a Consoada juntos.
Instalado, vim aqui ao meu bloco de notas, deixar um apontamento do que li ferroviariamente.
Maquiavel quiz dedicar a obra a Juliano de Médicis, que teria na altura 25 anos. Só que este magnífico florentino morreria inesperadamente e o livro seria dedicado a Lourenço de Medicis, duque de Urbino, O Magnífico, que por sua vez morreria, jovem também, em 1519, sem poder concretizar os conselhos que assim recebia.
É por isso patético o momento em que, no capítulo 26, exortando o jovem a que cumpra o espírito italiano e trate da redenção da sua terra e a liberte «das mãos dos bárbaros», lhe lembra que «Deus não deseja tudo fazer, para não vos tolher o livre arbítrio e o quinhão de glória que soubermos merecer».
Tinha razão: Deus, não desejando tudo fazer, encarregou a morte do que tinha de ser feito.

11.8.07

A piedade de Deus

Vaidoso, senhor de si, barroco no estilo, petulante mesmo na forma, Hermano Saraiva está a deixar um legado invulgar sobre a visão do Mundo e da sua pessoa. Nos fascículos em que nos conta, dispersas, as suas memórias, são os pequenos momentos que me atraem e me prendem à leitura.
Como naquela escrita, tão íntima e sentida, perpassa o amor que ele nutria pelo irmão António José, que lhe ganhou a dianteira no caminho para a morte!
Ei-lo, ante o Panteão em Roma, a sentir-se capaz de ali mesmo, ante aquelas gigantescas colunas, rezar e a recordar que aquele que era carne da sua mesma carne «não rezaria em nenhum altar. Nunca estava contente consigo próprio. Pensava e rasgava o já pensado».
A um homem destes, falho de fé, só lhe vale a piedade de Deus, se Deus o não abandonar, misericordioso e contristado pela sua alma.
Hoje é sábado, continuo a ler, tal como ele na Piazza Navona: «tenho o sentimento de que não sou eu que estou na praça, é a praça que está em mim».

8.8.07

O vácuo

Acabei de ler um extraordinário livro que sendo sobre o culto do chá é, afinal, uma escola de vida. Há nas suas poucas folhas, momento singulares em que o taoismo, o confucionismo e o Zen se convocam para nos mostrar quanto enganados andamos na multiplicade das nossas exigências, na quantidade das coisas que nos cercam.
É «a reiteração do inútil» que caraceriza a maioria dos nossos lares. Ora só no vazio está a essência do todo, só ele permite preencher o espaço através da imaginação. Ao deixar algo por dizer, fica sempre a eventualidade de se completar a ideia, ensinou Laotse. Acabei de ler um livro pequeno, em que as folhas que lhe faltam são, afinal, tudo o que há para ser pensado.

7.8.07

Livros idos

Lembro-me do livro sobre Vilarinho das Furnas. Ficou. Ficou outro sobre Rio de Onor. Tantos outros ficaram. Recordo-me deles, ao ler esta madrugada: «etnólogo e antropólogo português, António Jorge Dias nasceu no Porto, cursando Filologia Germânica na Universidade de Coimbra e ingressando, a partir de 1938, como leitor de Português em universidades alemãs e, posteriormente, em Espanha. Foi na Alemanha que, influenciado pelos estudos locais, se especializou em Etnologia, onde veio a doutorar-se em 1944».
Vem isto no site da Biblioteca Nacional, a propósito de uma exposição documental sobre Jorge Dias. Até 4 de Setembro. Não me devolverão os meus livros, nem me atrevo a pedi-los. Irei matar saudades deles e da falta que me faz a ideia de os ter.

4.8.07

Afinidades

Trouxe comigo, entre outros, um dos livros do Wenceslau de Moraes que não consegui acabar de ler durante os últimos meses, «Os Serões no Japão». São apontamentos, menos do que crónicas, mais do que notas. Um deles, queontem li, abre com uma anedota a de um velho juiz que, a julgar um caso de bigamia, e ao não se lembrar que pena cabia a tal crime, segredou ao colega a pergunta respectiva, obtendo como resposta que a pena era «ter de aturar duas sogras».
Como, nos termos da lei, as afinidade se não quebram com os divórcios, quem casou muitas vezes com ex-casadas, vulgaridade neste mundo moderno em que os casamentos se numeram, está condenado a mais uma infelicidade desse seu atribulado passado conjugal. Qualquer que seja a ex- para que se volte houve-a falar «na minha sogra», querendo dizer a mãe do outro. Depois uma pessoa habitua-se a que aquilo não tem sintomaticamente a ver consigo. Ao menos, nesse linguajar doméstico, algumas viúvas, que se vão pela lei da morte libertando, estão mais defendidas, porque se referem sempre ao «falecido que Deus haja». Algumas acrescentam «e que a terra lhe seja leve, apesar de tudo». O dito, esse, não passsa pelo embaraço de ouvir.

31.7.07

A atracção lunar

O livro é muito pequeno e é daqueles que os livreiros, astutos, colocam perto da saída, para tentarem os leitores. Ali estão, num «leva-me contigo» que chega a fazer dó, depois de tantos outros terem ficado para trás.
Trouxe-o. Trata do culto do chá, é escrito por um japonês e tem por isso a beleza subtil das coisas profundas que nos passam despercebidas: Kakuzo Okakura.
Através dele e da sua delicada escrita, abeirei-me do sublime, em silenciosa reverência. Esta noite a lua começa a descer já nos céus, quente e tentadora. «Sonhemos com a evanescência, e demoremo-nos na bela tolice das coisas». Estou neste momento com esta frase, a desejar sair pelas ruas, sem motivo razoável, sem destino a que chame certo, sem a inteligência sequer de um rumo. Tal como as marés, atraído pela força lunar e seu magnífico apelo à renovação das almas.

22.7.07

A pragmática da comunicação crustácea

Regressei a Lisboa ouvindo a «Antena 2» e nela uma entrevista sobre o autor de um livro que há pouco comprei sobre a série que a «Caminho» está a editar sobre linguística. Este é dedicado à pragmática. O seu autor, José Pinto de Lima, escreve melhor do que fala, o que me recordou o capítulo inicial do seu opúsculo intitulado interrogativamente será verdade que «há falar e há fazer?». Que o digam na política os mestres cantores das promessas, na sociedade civil os obreiros silenciosos.
A pragmática trata da função da língua. Hoje ao almoço, ainda com o mar à vista, perguntou-se ao empregado do restaurante o que havia de sobremesa. Respondeu «nada, só fruta, pudim e gelados». No fundo o que ele queria dizer «não repararam que temos gente à espera da mesa?». Não se tinha reparado, nomeadamente que era um grupo de estrangeiros dos que com muita probabibilidade comem lagosta com vinho rosé. Um pragmático, em suma, mestre linguista, empírico mas eficaz.

20.7.07

Mossas na alma

Ao findar um «epitáfio» aos «Textos Sadinos» do Luiz Pacheco, de que o seu amigo editor Raposo Nunes encontrou agora uns quantos exemplares, com um dos quais me cruzei esta tarde, Ângela Caires cita o escritor: «Nada sei do futuro, e o passado quase esqueci. Li muito e foi pior. Conheci gente estranha nesta Viagem». O livro alberga textos diversos, um deles a narrativa da história que levou Pacheco ao Torel, dali ao Tribunal da Boa-Hora, para fundear na cadeia, por envolvimento sexual, porque amoroso, com uma menor. Nas suas próprias palavras «é uma história de amor, triste como o costume. As histórias de amor alegres não são para contar. As verdadeiras acabam sempre mal duma maneira ou doutra». Consegui ler o livro quase todo, esta tarde, nos intervalos da profissão: «estas coisas aos vinte anos custam, lembrá-las aos sessenta faz mossas na nossa alma». Estou quase lá. Mais dois anos, carregado de nódoas negras.

18.7.07

Triste hino à alegria

Porque há mais mundo do que o social, ontem estive ainda com o «Diário Íntimo» de Manuel Laranjeira. Médico em Espinho, Laranjeira suicidou-se por já não conseguir sobreviver à vida. O Diário é um escrito singelo, sem pompa, por vezes ingénuo, com momentos de surpreendente observação. No dia 8 de Maio de 1908, uma sexta-feira, confiou à folha da agenda médica de que fazia repositório memorialista, como descobrira que Beethoven fora «infinitamente triste, tragicamente triste, divinamente triste»: porque «concebeu e sonhou uma alegria que não existe».

16.7.07

O encontro e a separação

Graças ao meu amigo que lá se ficou pelo Oriente fatal, continuo a ler o Wenceslau de Moraes, de que ele me envia, pelo correio, livro a livro, todos os que estão a ser editados em Macau evocativos da sua extraordinária obra. Estive ontem com um dos seus contos, em torno de um provérbio japonês. Escreve-se, em grafia ocidental, «Au Wa wakaré no hajimé» e traduz-se, diz Moraes, em versão livre como «o encontro é o começo da separação».
Curioso não é a natureza budista desta frase, mas sim, que, ante ela, e colocado perante o confrangedor princípio segundo o qual «se quiseres evitar a separação, evita o encontro», ele nos anuncie, com aquela candura triste que a velhice traz que «em assuntos de amor, eu creio mais nas borboletas do que em Buda».

14.7.07

O hóspede

Ter tantos sítios onde se pode escrever, não quer dizer que se escreva. Às vezes é a falta de tempo, outras a de paciência, muitas vezes o querer falar pelo silênciao.
Ainda por cima um ser humano não se esgota numa profissão, numa militância cívica, mesmo numa vivência filosófica. Sobeja às vezes pessoa dentro do indivíduo.
Aconteceu assim.
Estou, em intervalo do meu viver, num magnífico lugar, casa antiga que hoje sobrevive à conta do turismo de habitação. Casa de memórias acumuladas e poupadas, casa de delicadeza sóbria, de vida experimentada. Local de enamoramento de um casal que a vida não separou. Casal onde se lembram os dias dos aniversários natalícios, dos casamento, as datas da formatura, de nascimento dos filhos e do baptismo dos netos.
Acordo e sinto o passado como se presente estivesse e pesa-me então a lástima do que é uma vida desagregada, um hópede que adopta o calor de uma família alheia, os ecos dos seus risos, a sua angústia ante o futuro, como se fossem os seus, à falta de mais alguém.

23.6.07

Os meus livros

«Para qualquer pessoa em isolamento, que não fala por não ter com quem falar, os livros, se sabe ler, tornam-se companheiros, amigos carinhosos, com quem de boa vontade se trocam impressões. Por isso eu quero os meus». A frase é de Wenceslau de Morais, escrita no seu «viver de exílio». Leio-a, regressado à grande metrópole onde vivo, povoado de criaturas com quem é possível, em teoria, falar-se. Leio-a uma vez mais, o livro encontrado entre os meus livros, amigos carinhosos, que não antecipam na sua cabeça a nossa partida e esperam, impacientes, a sua vez.
O cão de Tokushima, soube ao continuar a leitura, «desconhece o uso das festas e das carícias; se as recebe por acaso, não sabe retribuí-las; quer comer não quer festas». É assim, entre o rosnar do mundo dos homens e os livros. «Por isso eu quero os meus», por isso eis-me entre eles, de boa vontade.

22.6.07

O Diabo encarniçado

Saí deste jantar com a urgente necessidade de vir confirmar quão biográfico seria, como dizia ser, o livro de quem escreveu «O Físico Prodigioso». Encontrei-o e logo nele o excerto que, hesitante, em tempos sublinhara, quando o cavaleiro, «num gemido ansioso abraçou-se ao espaço, voltou-se e rolou, e entregou-se ao Demónio, que fez dele o que quis, e a quem ele fez quanto ele desejou». É Jorge de Sena, o Diabo encarniçado em vão.

16.6.07

O homem que se reduzira a si.

Hoje é um dia em que a Natureza resolveu que chovesse. Dei por isso quando estava já na rua, um livro para continuar a ler. Li, a «A Hora de Estrela», da Clarice Lispector, que prossigo, maravilhado com ela e por sua escrita seduzido.
Na história, Macabea conheceu Olímpico de Jesus, metalúrgico. Ela seca de carnes, encardida e de «cheiro murrinhento», dorida por ser feia.
Namoram sem se amarem, indispondo-se até ao silêncio.
Na hora de se separarem, tentando ser amável e não a ofender, ele diz-lhe: «você é um cabelo na sopa. Não dá vontade de comer». Ela, «rindo por não se lembrar de chorar», pediu-lhe que lhe dissesse logo adeus, abreviando o fim.
É uma história triste, de amores desencontrados com gente vulgar.
Na parte em que estou surge Glória, um «estardalhadaço de existir», a quem ele se agarra com «a força de um zangão», porque «ela lhe daria mel de abelhas e carnes fartas».
Clarice Lispector faleceu a um dia de fazer cinquenta e sete anos de idade, vítima de um cancro fulminante. Este livro escreve-o como se fosse o homem que «reduzira-se a si». Nascida na Ucrânia, escrevia para não morrer.

13.6.07

Dormir até o nunca

Voltei a ela, agora num seu livro de há trinta anos, «A Hora da Estrela». Mulher a fingir narrativa de homem trai-se quando conhece «adjectivos esplendorosos, carnudos substantivos e verbos tão esguios que atravessam agudos o ar em vias de acção». Conheci a Clarice Lispector, através do Vergílio Ferreira. Foi ele quem, já morto, ma apresentou, ela já morta também, através de um dos seus livros, o neurótico diário do seu ensimesmamento angustiado em que me reconheço.
Hoje é esta mulher ausente quem me fez companhia, dia feriado, eu com os sonos trocados, estirado num sofá, amaciando-me literariamente o ser áspero e rabujento. A sua personagem, insignificante dactilógrafa e só, «para adormecer nas frígidas noites de Inverno enroscava-se em si mesma, recebendo-se e dando-se o próprio parco calor».
Lê-se isto e apetece parar o mundo em sua translação, para que o tempo não siga, em sua rotação para que a noite não chegue e com ela o «dormir até o nunca».

8.6.07

Se eu soubesse

«Não durmas, quando não a noite acaba». Está num livro do João Miguel Fernandes Jorge, que hoje trouxe da magra Feira do Livro. Editado há sete anos chama-se «No Verão é melhor um conto triste». No pórtico está, como se gravada a ouro, uma lição de vida: «se eu soubesse - é a frase mais inútil que conheço». Se eu soubesse como é o fim do dia, tinha acordado na hora de adormecer.

2.6.07

A invenção dos dias

Muitos dos livros que o José Gomes Ferreira escreveu são auto-biográficos. Um deles chama-se «A Imitação dos Dias». O meu exemplar, que é o da edição da Portugália, largou já a capa, por causa de eu o ler repetidamente. Maníaco como sou do mundo ordenado, talvez por viver em desordem permanente, a partir desse momento, tem sido como se o sentisse rasgado em dois, a capa um dos seus segmentos de corpo, agora amputado e dividido. Por isso, irado comigo, não tenho sido capaz de lhe pegar, nem sequer, de si condoído, de olhar para ele. Muitas vezes escondo-o no meio da pilha de livros que vou amontoando ao lado da minha cama, para o poupar à vergonha da sua condição de mutilado.
Esta manhã, devolvido ao mundo com um acordar pastoso como o de uma ressaca, li-lhe o momento em que o António Ribeiro de Pavia, vivendo de desenhar para matar a fome, «com a barriga vazia, nas noites sem amor, pôs-se a inventar mulheres nuas no papel».

1.6.07

Fiambre da perna

Criticando, para o jornal «Público», o livro de contos que escrevi, Pedro Mexia diz que «Barreiros cai demasiadas vezes no excesso de adjectivos, na inversão desnecessária de frases, nos arroubos poéticos invariavelmente falhados ou nas frases estropiadas ou gordurosas». É uma opinião, expressa numa pequena frase com seis adjectivos deprimentes. Só houve uma parte da crítica de que não gostei, a das «frases gordurosas».
Não é que o livro seja de bolso, mas vá que alguém o leve junto ao fato, a obra a escorrer gordurosa, pingue de banha, como se de um embrulho de toucinho ou de um pacote de torresmos se tratasse.
Peço, por isso, licença, para me defender: o livro não é seco de carnes, mas não é tão adiposo como Pedro Mexia o julga.