26.11.07
O mundo maravilhado
17.11.07
O Príncipe e o pobre
14.11.07
O vinho
2.11.07
Criaturas embiocadas
27.10.07
A desbunda do arrear crítico
26.10.07
Se uma gaivota voasse
3.10.07
Tempo presente
Faço isso para ficar feliz com a ilusão de que consigo pensar todos os dias, quando há dias em que, robotizado, nem tempo para isso há, e faço isso para que pareça que tenho, como espaço, todo o tempo do mundo.
Claro que há a aparência de verdade de já passarem sete minutos da meia-noite e o desespero de eu estar em Braga, com lembranças de Braga e saudades de Lisboa. Dentro de segundos, graças ao blogger torno o passado presente, como quem empurra para longe de si o tempo futuro.
1.10.07
O vai-vem
A meio da viagem, na Antena 2, ouvi um programa sobre William Faulkner e uma das suas frases inesquecíveis. Perguntando-lhe alguém «mas, senhor Faulkner, que deve fazer quem não entende os seus livros, mesmo depois de os ler três vezes?», respondeu com ironia o laureado Nobel: «lê-los uma quarta vez!».
Ao chegar a Lisboa, a cair de sono e a ter de me acordar, pensei que na quarta vez em que viver, talvez entenda a vida que vivo.
22.9.07
Rijo como um labrego
Ontem à noite, com os olhos meios piscos, as letras a trocarem-se, tomei em mãos o Manuel Laranjeira, e de novo as suas «Cartas».
Já nem sei se foi este o último livro dos muitos cuja leitura interrompi, mas reencontrei-o numa carta a Ângelo de Almeida, desanimado, possuído da sua desolação infinita, em «apocalíptica lamentação», enfim o estilo decadente que lhe marca a patológica psicologia, numa sociedade mais doente do que ele.
Os meus amigos quando eu escrevo estas coisas pensam que por algum mimetismo eu estarei num estado semelhante, tal como naquela lei sociológica da imitação que já fez escola há umas dezenas largas de anos atrás.
Ah!, os meus amigos, aqueles que, a escreverem-me deveriam tal como ele desejou ao dito Almeida esperar encontrar-me «rijo como um labrego». Rijo e analfabeto, que as letras matam o corpo, fazendo o coração pensar e a cabeça sentir.
15.9.07
A escada do infinito céu
8.9.07
Leituras de cabeceira
25.8.07
Resultado zero
19.8.07
A renovação do ser
18.8.07
Leituras iniciáticas
Acho que já me queixei aqui disto: a Livaria Bertrand, que terá os direitos autorais do Aquilino Ribeiro ,deixou esgotar grande parte das suas obras, sem as reeditar. A mesma Bertrand, que editou em vida o Vergílio Ferreira, praticamente já só vende do Vergílio Ferreira a «Aparição», que passou, coitado dele, à maldição compulsiva de livro escolar.
Claro que os editores não são beneméritos da Pátria, mas estes livros não deveriam ser daqueles que deveriam fazer parte de um acervo de obras obrigatórias que o Ministério da Cultura tornasse inesgotáveis?
Lembrei-me disto porque ontem um artista plástico, filho e neto de bibliófilos, me falava, com enlevo, nas várias primeiras edições que havia em sua casa, entre elas uma obra extraordinária do Camilo Castelo Branco, o «Frei Luís de Sousa».
Não me ri porque me apeteceu chorar. Razão teve o Camilo para dar um tiro na cabeça!
Hoje na FNAC uma bem arranjadinha senhora, daquelas de malinha e gargantilha, que educou filhos e toma agora conta dos netos quando os pais vão ao cinema ou se divorciam, ou em ambas as circunstâncias, folheava, pausada e deliciada, a secção de literatura erótica. Nunca é tarde para se aprender, de facto. Afastei-me, discreto, deixando-a no deleite daquela iniciação ao tempo que lhe resta com o corpo que lhe sobra.
17.8.07
Um instante
16.8.07
O Príncipe, de comboio
Cheguei agora, ao Hotel da Estação, e cruzei-me na recepção com o revisor e o maquinista, que vão também pernoitar por aqui. Qualquer dia eu e a CP somos uma família e ainda passamos a Consoada juntos.
Instalado, vim aqui ao meu bloco de notas, deixar um apontamento do que li ferroviariamente.
Maquiavel quiz dedicar a obra a Juliano de Médicis, que teria na altura 25 anos. Só que este magnífico florentino morreria inesperadamente e o livro seria dedicado a Lourenço de Medicis, duque de Urbino, O Magnífico, que por sua vez morreria, jovem também, em 1519, sem poder concretizar os conselhos que assim recebia.
É por isso patético o momento em que, no capítulo 26, exortando o jovem a que cumpra o espírito italiano e trate da redenção da sua terra e a liberte «das mãos dos bárbaros», lhe lembra que «Deus não deseja tudo fazer, para não vos tolher o livre arbítrio e o quinhão de glória que soubermos merecer».
Tinha razão: Deus, não desejando tudo fazer, encarregou a morte do que tinha de ser feito.
11.8.07
A piedade de Deus
8.8.07
O vácuo
7.8.07
Livros idos
Vem isto no site da Biblioteca Nacional, a propósito de uma exposição documental sobre Jorge Dias. Até 4 de Setembro. Não me devolverão os meus livros, nem me atrevo a pedi-los. Irei matar saudades deles e da falta que me faz a ideia de os ter.