5.9.08
O mau hálito
3.9.08
Um pequeno incidente
2.9.08
Cavaleiro de Oliveira
30.8.08
Calor tropical
28.8.08
A minha bagagem
27.8.08
A alma desperta
O genial duelo
Anselmo tem sido votado a um profundo ostracismo, talvez por ser politicamente de direita, teórico doutrinador do regime deposto em 25 de Abril. A sua lembrança, ainda hoje suscita reparos.
O livro abre com um artigo sobre o «panorama intelectual e literário do escritor Oliveira Salazar». Deixemo-los. Detive os olhos, sim, no seu magnífico estudo sobre a poesia de José Régio sobre quem escreveu: «Nada evitará, jamais, ao Poeta, esse genial duelo entre o seu sonho de grandeza e a consciência da sua pequenez».
25.8.08
A vida aos repelões
24.8.08
Os amantes
Num conto talvez seja tudo mais rápido, mais intenso, mais breve, como um beijo numa noite de chegada por contraposição a uma noite de amor na hora da despedida.
Vem isto a propósito do último parágrafo de um conto de David Mourão-Ferreira, chamado Os Amantes, escrito em 1968: «E finalmente deito-me a teu lado. Não sei bem se a teu lado se dentro de ti».
Vi-o esta manhã, por ser capa do livro que comprei ontem. Lê-lo-ei esta noite. Acabei agora, com a noite a chegar, o primeiro dos contos, onde está: «É preciso inventar? Ou contar a verdade? Só o que invento me comove; só a verdade te emociona. Temos então de deitar à sorte: ainda não sei qual de nós merece agora reaprender a chorar». Chama-se Nem Tudo É História. Uma única e a mesma história.
22.8.08
Pese a admiração...
20.8.08
A Torre de São Patrício
Há em Cascais um casa que inicialmente era a Torre de São Patrício e hoje se chama Verdades Faria em homenagem à mulher de Mantero Belard, seu proprietário, pois adquiriu-a em 1942 e benemérito, porque a doou ao município para que ali continuasse a promoção cultural.
Ora há na Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkian, junto a minha casa, o projecto pelo qual em 1919 Raul Lino projectou a «reconstrução da casa do Exmo. Senhor Jorge O'Neill», que era a edificação original da casa de Verdades Faria.
16.8.08
Uma espécie de Pessoa
15.8.08
A Lebre
Talvez consiga acabá-lo hoje. O livro é breve, mas estou a lê-lo devagar. Em cada folha vem ao de cima uma hesitação quanto ao haver ainda mais que se diga depois de escritas como estas. Talvez inventando. «E o que não sabemos inventamos. E o que não inventamos nunca será», diz-se na página 42.
A Lebre é um cenário, de predações cruzadas, Miguel e Sofia «a conjugal mentira - mentira conjugada a dois», Inês, «uma aguda sensação de prazer na ponta dos dedos», António que «aos vinte anos ainda não se luta contra o tempo, luta-se a favor do tempo». Notável.
14.8.08
A inefável união
11.8.08
A Terra Nova
9.8.08
Saltos altos
31.7.08
Um homem à janela
28.7.08
As velas
23.7.08
O relógio sem ponteiros
21.7.08
A criada
Noites insones
20.7.08
O Mundo que partilhamos
18.7.08
Faz impressão, eu sei
16.7.08
O efeito rerógrado
11.7.08
Um dia na vida de...
10.7.08
Um modo de dizer
8.7.08
O lado de lá da mesma rua
6.7.08
Um canteiro de flores
1.7.08
O irreal da infinitude
28.6.08
Em nome do Pai
27.6.08
O formigueiro
23.6.08
Desejos
21.6.08
Amigos meus
17.6.08
Historietas ao jantar
14.6.08
Muitos e diversos
9.6.08
A intimidade do Amor
5.6.08
Tarde complexa
31.5.08
O Prontuário
29.5.08
Só se vive duas vezes
6.5.08
Chitty Chitty, Bang Bang
5.5.08
A ignorada tristeza
4.5.08
Vidas vividas
3.5.08
Pânico
1.5.08
Muito e abundante
23.4.08
As entranhas do ser
14.4.08
O eu
13.4.08
Sentimentos e qualidades
9.4.08
A incontável felicidade
8.4.08
O Emaús da escrita
1.4.08
O troco
31.3.08
A qualidade do ser
28.3.08
O acaso e a memória
26.3.08
O livro das horas
24.3.08
A insurreição
23.3.08
A anunciação da Aurora
21.3.08
A loirinha
20.3.08
Mecânica estatistica
9.3.08
O homem da maratona
8.3.08
O espelho
5.3.08
A república dos corvos
3.3.08
Viver à margem
19.2.08
Obrigadinho à mesma
16.2.08
Escrito algures
14.2.08
Clízia
Não é ler, é estudar, de lápis na mão, a sublinhar, entrando pela errática cronologia das suas obras, pelas dúvidas sobre a sua formação humanista, pelas ambições venais do Secretário, e, chegava o comboio ao Pragal, o Tejo à vista, entrando eu pelas intimidades de saber se a Clizia, a última obra sua, uma peça sobre os efeitos devastadores do amor, representada dois anos antes da sua morte, não seria, em aguda e dolorosa consciência, a comédia da velhice, o crepúsculo senil dos ardores impossíveis, a morte anunciada do amar o amor que lhe deu seis filhos, um casamento, e o enamoramento pelos jogos de poder e sedução.
9.2.08
O porvir da nostalgia
6.2.08
Tiroteio editorial
2.2.08
Trama
30.1.08
A repetição da História
24.1.08
Uma história portuguesa
Convidou-me para lhe apresentar o livro. Daqui a pouco fá-lo-ei. Escrevi este texto, para servir como cábula do que direi.
Não é um crime pelo qual alguém se aproprie, embora possa haver apropriação; é um crime pelo qual alguém causa um dano, ao enganado ou a outro. Nisso, é parte deste mundo de lástimas em que nas Faculdades se ensina em volta do «bem jurídico» e nos tribunais se aturam os «males jurídicos», como ironizava ontem um amigo meu, ácido porque esperto, risonho porque irónico.
Mas o que torna a burla um crime atraente é, sobretudo, o facto de ser o crime das pessoas inteligentes. Diz o Código Penal de hoje que a burla concretiza-se através de um processo enganatório astucioso, como o Código Penal de 1886 dizia que se materializava pelo artifício fraudulento.
Ao contrário do ladrão, que pratica o furto apoderando-se de uma coisa, apreendendo-a, subtraindo-a, tendo que se mover, vulgar criatura, no mundo das coisas físicas e materiais, diversamente do que abusa da confiança, que entra na galeria imoral dos traidores, defraudando quem nele confiou, o burlão move-se no plano superior das ideias, usa da argúcia argumentativa, manipula o enredo discursivo, é mestre na arte da encenação, o engano é para ele um meio, o erro da sua vitima a vitória da sua inteligência.
No plano dos afectos, ele, o agente do crime é um amoroso, cortejador, longe da rudeza do gatuno, diferente da vilania do usurário, da malvadez congénita do extorsionário.
O burlão é um sedutor, perante o qual a vítima sente-se, consumado o acto, um idiota, um despeitado, ciumento face à urdidura a que se rendeu, enraivecido pelo desejo da vingança que aplaque a imagem de miséria intelectual com que fica de si mesmo.
Eis as palavras-chave em relação à burla: sedução e dano. Eis o caso Alves Reis.
A história é simples, na sua aparência: a reputada firma britânica Waterlow & Sons, tipografia especial, porque imprimia o mais valioso dos impressos, o papel-moeda, recebeu uma encomenda do Governo de Portugal, imprimir notas de quinhentos escudos, com a efígie Vasco da Gama.
Só que desta feita a encomenda tinha o seu «quê»: tratava-se de uma emissão duplicada, ou seja, com a mesma série numérica de uma emissão já em circulação.
Por ser assim, a encomenda era «secreta».
Para que Sir Wlilliam Alfred Waterlow, velho bulldog da praça financeira londrina, não desconfiasse, as notas em causa, a serem lançadas em circulação, sê-lo-iam no espaço restrito de Angola, pelo que, ao chegarem a Lisboa, ser-lhes-ia aposta a sobrecarga a óleo com o nome desta colónia do Ultramar.
Eis uma história já por si extraordinária: Londres honrou a encomenda, tendo tratado do negócio confidencial directamente com Artur Virgílio Alves Reis, portador de dois contratos forjados pelos quais era autorizado pelo Banco de Portugal a tratar do assunto com a casa impressora inglesa [continua aqui]
18.1.08
«Zé, eu não suporto mais isto!»
«De todas as sementes confiadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas». A frase é sua, seu o sangue, nossa a memória esperançosa de que não haja sido em vão.
16.1.08
Sintomático
À procura de uns papéis que não encontrava e que teimava existirem, dei com uns apontamentos manuscritos tirados não sei de que livro do Vergílio Ferreira. Numa qualquer página 45 dizia ele que «o maior sintoma de decadência é vivermos à conta do que já fomos». No caso dele as coisas complicaram-se porque, tirando a «Aparição» que tornando-se livro escolar corre o risco de se tornar para as novas gerações um livro insuportável, a maior parte da sua obra está esgotada e não se reedita.Um destes dias encontrei no lugar inesperado de um tribunal quem tivesse lido a «Conta-Corrente», esse diário em duas séries que ele amaldiçoava escrever e escrevia com amor. Fiquei espantado. Nesse dia senti que a profissão não seca as almas, apenas torna ressequidas as que já chegam a elas empalhadas em vida.
13.1.08
O sentimento do reflexo
12.1.08
O eu falar de mim
5.1.08
A sabedoria da Rita
2.1.08
O mundo infinito dos livros
26.12.07
Um critério em azul
25.12.07
O gozo imortal
24.12.07
O piar do passarinho
22.12.07
A Lua Azul
Mas quantos sabem que a lua azul é a segunda lua cheia no mesmo mês? Aconteceu pela última vez no dia 31 de Maio deste ano.
A lua azul é a lua inesperada, a lua do improvável suceder.