9.1.09

Entre cobertores

Enroscado em cobertores, tossindo nos intervalos de espirrar, os olhos a lacrimar, purgando pegajosidades e outras repelências, sem ao menos a dignidade de uma febre, a ver as horas a escorrer na inutilidade da prostração, um homem sente-se, no auge de uma constipação a ler perpetuamente este excerto de Nietzsche, do seu livro A Gaia Ciência, com que hoje o dia findou, a frase a rodopiar-me a cabeça, eu num atchim potente de exclamação sentida: «Temo que os bichos considerem o homem como um semelhante que se privou da razão animal sadia, como um animal no delírio, que ri e que chora, como um animal infeliz».
Haverá lá coisa mais sem razão do que este delírio de gripes, que tornam o rei da criação uma insignificância expectorante, reduzido à vil domesticidade de uns cházinhos e outras tizanas meladas, galinha chocadeira da própria canja, aspirina sem metafísica, salta um conhaque que mal não faz mesmo quando não cura e ao menos sempre se esquece!

A branca madrugada

Nestes dias de frio polar o Homem apercebe-se de qualquer coisa profundamente errada estar a acontecer no mundo em que habita. Não que se não esteja em Janeiro, mas porque amanhã pode surgir, de um modo tão inesperado como este gelo, uma vaga de tórrido calor, chuvas de afogar ou uma seca sem fim.
Tudo parece condenado à única sorte fatal, inexorável e definitiva: a suprema lei do acaso gerar a inevitabilidade do caos.
Pó neste tumulto de elementos erráticos, o Homem apercebe-se, enfim medroso, de que pode ter pecado contra o equilíbrio do mundo, desorganizando as leis do Universo, arrostando a cólera da Natureza.
Ei-la agora a branca madrugada em que nas nossas metrópoles se descobre que há cada vez mais velhos, mais mulheres, cada vez menos famílias, um mundo de solidões, desencontros, de histórias de impossibilidades. Neste deserto humano de arranjos de ocasião, de vigílias noctívagas, faz agora tanto frio nas ruas como nas almas gélidas desses sem abrigo dos amores funestos.
Cumpre-se um ciclo, o homem e o seu habitat enfim indiferenciados, o mineral a assenhorar-se de tudo quanto ainda vive, o sol a empalidecer.

7.1.09

O sangrar por dentro

Foi ele quem me ensinou que é possível escrever-se de modo breve. Um dia visitei-o em casa, ali junto à Basílica da Estrela. Bebericando uísque, descemos ao inferno de uma história sobre a qual estou hoje a traduzir um livro e já atrasado, fantástico acaso, com ele no pensamento. Ao chegar à rua, nessa tarde fria de um tão sentido encontro, senti-me tão bêbado que nem sabia onde deixara o carro. A vida tem destes momentos de magnificência. Felizmente há memória para se viver cada momento do tempo para além do tempo do momento.
Ora encontrei-o hoje, através de um livro onde arquivou trezentas das mil e quinhentas crónicas que cinco vezes por semana nos deixava no Diário de Notícias. Editado pela Contexto e eu, retardatário na cultura, distraído no reparar, que só há pouco tempo soube, por uma menção confessional das que fazem nódoa negra na pele, que é uma forma de se sangrar por dentro, que a Contexto era do Manuel de Brito!
Vinha isto a propósito de uma das colunas em que anunciou, por doença, o fim dos seus escritos. Com o fim à vista, Vítor da Cunha Rego escrevia, naquela forma plural de falar de si: «Faremos o possível por tornar normais esses cinco dias».

5.1.09

As Janeiras

«Como é tradição desde os romanos, cantemos as janeiras para afastar os maus espíritos e desejar um bom ano». Cito da Livraria Pó dos Livros. Fica ao pé de casa. Passo por lá, por vezes a caminho do Pingo Doce. Não sorriem muito, mas são amáveis para com os livros. A vida é feita disto, de comezainas e não só de leiturzainas. Lembraram-me que se cantam as janeiras, para desejar bom ano. Cantei-as com eles.

4.1.09

As povoações temporárias

Tinha-o lido descuidadamente. Na altura notei o óbvio, os murgos biliosos, os caules de gisandra, o revérbero entre as nuvens e as misagras, a duna com tanta areia, as aranhas e a teia de sal, os velhos itinerários, relâmpagos de carbureto.
Depois de Finisterra, comprei Uma Abelha na Chuva, de que Fernando Lopes fez cinema, e a um e um tenho comigo todos os livros que o Carlos de Oliveira escreveu. E mesmo o livro que Carlos de Oliveira renegou, a Alcateia.
E depois, porque há sempre um depois nos nossos amores literários, tendo já tudo, naquelas edições em azul da Assírio e Alvim, comprei o volume da Caminho, encadernado, sóbrio, em excesso e duplicação, só por ter a Casa na Duna que voltaria a encontrar na edição da Portugália, que trouxe para casa por causa da capa do João da Câmara Leme.
Retomei-o hoje, deliberadamente. Maravilho-me.
Todos quantos lêm depressa, não leiam! Abstenham-se os devoradores de palavras, os do fast food literário, pedalantes leitores do sprint da novidade, camisolas amarelas do vien de paraître.
Finisterra é um prodígio cinematográfico para se estudar o que se lê. Cada palavra por si e há que voltar atrás e fazer a ligação, ponto por ponto para que a figura ganhe corpo.
Tudo ali arranca de uma fotografia que reproduz a paisagem que a criança descreve, vendo-a de uma janela, num caderno que o homem lê. Tudo continua na almofada que reproduz, em traço geométrico e sugere o mesmo em gravura abstracta, o que da janela se alcança de na fotografia se condensa. Tudo se esgota na folha perdida nos papéis de família e suas notas sobre o povoamento, povoações temporárias, os camponeses de passagem. E o vento, a presença desse vento milenário e suas areias, dunas sobre dunas a perder de vista, as cores crestadas, os lugares malignos em nossa casa, que não merecemos.
Carlos de Oliveira mais do que escrever, desenha, é o arquitecto da realidade e o geómetra da irrealidade. Finisterra é um jogo de volumetrias, de tonalidades, de planos de corte, de projecções de espaços substantivos em planos não poliédricos.
E, no fim, em excelência, a sussurrar que «na paisagem, na fotografia, na almofada, não havia ninguém. Pois não. E eu povoei-as. Quer dizer, povoei o desenho a pensar nelas». Vem na página 16. Da edição da Assírio. A que vou continuar a ler.

3.1.09

Uma história para calar

O Chiado não sei porquê estava cheio de gente. Hesitei se seria sábado ou ainda sexta-feira, que estes feriados e dias santos e comemorativos e mais as pontes e as tolerâncias são uma espécie de desarranjo intestinal na vida mental de um citadino. Nisso quem vive entre o nascer e o pôr o sol tem menos aflições. Eu regressava de comer massada de peixe e foi isso que me devolveu a certeza que seria sábado.
Estava aberta a antiga Sá da Costa, entregue a saldos, a restos, a uma tristeza de adelo. Na frente, ao lado de um caixotão dedicado ao Pessoa, que mais parecia um esquife de luxo para um desgraçado que morreu ignorado, uma segunda edição da fotobiografia do Agostinho Fernandes, o homem que teve a generosidade de colocar a sua fortuna ao serviço da cultura, através da Portugália e de tantas outras formas de apoiar artistas e escritores. Portugal, o Portugal literário essencial não seria o mesmo sem ele.
Acontece que eu tenho receio de fotobiografias. Menos pela vergonha de encontrar nelas em torno do biografado - quantas vezes morto, outra tantas assim enterrado ainda vivo - a pulhice dos que se chegam pressurosos no seu roçarem-se em grupo nas exéquias obsequiantes, muito mais porque às vezes há vergonhas e descaramentos como o Mário Soares a prefaciar a do Ruben A. dizendo que mal o conhecia e pouco o tinha lido, mas mesmo assim aqui vai prefácio.
Não foi, porém, por medo que deixei lá ficar o livro, que me perdoe o Cruz Santos. Lembrei-me de uma história que dá para rir e que tenho de calar, sobretudo quando a menina da caixa, de cabelo à rapazinho e uns olhos que são uma carícia para quem lhos nota, me disse, a voz inocente e no mais indiferente, que eram quarenta e cinco euros.

2.1.09

O escritor e seus fantasmas

Esta madrugada antes de viajar escrevi, assim como antes de adormecer li. Claro que pela tarde, viajante, estava no reino do bocejo e do aborrecimento. Voltei aqui para escrever que do que li o mais impressionante foi um texto decadentista do Ernesto Sabato sobre o romance.
Sabato que era doutorado em física, achava, na sua visão deseperada do humano que «o nosso romance mais do que uma sucessão de aventuras é o testemunho trágico de um artista diante do qual ruiram os valores seguros de uma comunidade sagrada», essa crise que ele sente ter surgido na Idade Média e que abriria as portas à profanização e com ela ao entertenimento, à diversão, às «imagens sem sangue».
Pode não se achar graça e negar razão. Mas quando se lê uma frase como «os homens escrevem ficções porque estão encarnados, porque são imperfeitos. Um Deus não escreve romances», perdoa-se tudo.

1.1.09

Um povo triste

Miguel de Unamuno visitou a Guarda em Dezembro de 1908, há cem anos, onde chegou lendo Camilo e «ler Camilo é viajar por Portugal, mas o Portugal das almas». Desapontou-o a cidade «fria, ventosa, húmida feia, denegrida e forte». Percorreu-lhe as ruas, sentiu-lhe a Sé, o Liceu, o café. Ironizou, em riso aberto, com a «força cómica inconsciente» de um comunicado aos jornais sobre o presidente da Câmara do Sabugal.
Mas o que mais vincou a sensibilidade de quem escreveu O sentimento trágico da vida, foi o que o levou a dizer-nos, num retrato do nosso ser, povo de suicidas, que «Portugal tem sede de lágrimas». Uma sede de um povo «antes apaixonado que sentimental», vivendo numa perpétua paixão que lhe consome a vida.

Engraçada

«Extraio ternura de uma pedra», escreveu Raúl Brandão no prefácio às suas Memórias. E lembrei-me, por isso, do seu livro sobre as ilhas desconhecidas, essa sua viagem à Atlântida açoreana, ao Corvo, às Flores, a cólera súbita do mar, esse rodilhar marítimo de uma terra que ameaça desabar. E fui buscá-lo e estive agora com ele, com o António da Ana, o Joaquim Valadão, a grave compostura, o Manuel Tomás, a senhora Emília, a fome, o vento na solidão tremenda, o Pico, os fogaréus e a lembrança dos alfabares, e a filhinha pequena que «morreu mas engraçada». «Engraçada é sinónimo de feliz», explica Raúl Brandão, a noite já a entrar no primeiro dia do meu novo ano, extraindo ternura das pedras.

A caminho de casa

Chegou hoje a utopia de esquecer, e com ela, má, feroz, em bátegas vingativas, a chuva dissolvente. Sob ela, a terra vivia, cinzenta, fechada, adversa, no tempo cósmico do seu calendário, o primeiro dia, a caminho de casa.

31.12.08

Ânsia de paz

Geração após geração, com espumante ou com lágrimas, houve sempre quem ansiasse que ao dia de hoje sucedesse um melhor amanhã. A cerimónia do Ano Novo, a romã fecunda, fértil, fruto.
O que estava escrito ou o que surgiu por acaso ditou entretanto as suas leis. Geração após geração, indiferente ao suceder, o dia de hoje tem sido o dia das esperanças renovadas. Tannhäuser, o homem cujos pecados Deus enfim perdoa, restituindo-lhe a paz.

26.12.08

O reino dos animais

Não esteja triste. Há sempre motivo para alegria. Em caso de emergência fuja para o reino dos animais. A porta é aqui.

Sony & Cher

Estão completamente esquecidos. Vistos hoje são rídículos, antiquados, fora de moda. Mas a canção, o que ela simboliza, traduz, sugere e induz é um hino à alegria infinita do que jamais deveria morrer.

Tempo gasto

Se há algo nos meus dias que eu sinta valer a pena relatar é precisamente o tempo gasto a ler. Não que a vida própria não dê motivo de conversa e, comparando-me com o vejo por aí, daria mais motivo de escrita do que quantas vivências mortiças e banais de que tantos fazem tema de crónica, espremendo-se em busca de um si próprios mais do que seco e irrelevante.
A noite passada voltei ao Ruben A., ao interrompido volume terceiro do livro de memórias, O Mundo à Minha Procura. Quando parei para dormir ia ele no «absorver diário da natureza física através do lado sentimental da vida». Em Campo Alegre, no Porto.
Por andar envolto em Ruben A. fui espreitar, num intervalo para estirar os olhos, mais umas folhas da sua fotobiografia. Nas páginas finais desta publica-se uma entrevista ao ido jornal Diário Popular. Entrevista banal, feita de perguntas óbvias, coscuvilheiras, num momento a perguntarem-lhe como escrevia, quando escrevia e como escrevia. Ficou-me apenas a ideia da resposta merecida, a de que conseguia escrever em qualquer lugar, «mesmo com o barulho da estupidez a mover-se». Barulho ensurdecedor, diga-se.

24.12.08

A simbologia da escrita

Wenceslau de Moraes compilou em 1925 os artigos que escreveu na revista Serões. Chamou-lhe Serões no Japão. Um deles é sobre a correspondência epistolar no país do sol nascente. Acabei de o ler. A ideia do texto é mostrar como é semelhante a escrita amorosa nipónica e a portuguesa. Quase sem querer Moraes mostra-nos a diferença. No Japão não se escrevia, pintava-se, da direita para a esquerda e de cima para baixo em rolos de papel. Por ser assim é como se o pensamento se alongasse na procura do outro e a carta partisse da mão carinhosa que segura o pincel «até ao coração daquele que, longe, sofre saudades».

21.12.08

A Sibila

Impossível não se gostar da Agustina, mesmo apesar do que nela se detesta. Há uma genialidade que a habita e que toca de invulgaridade tudo quanto vê. A Guimarães tem vindo a reeditar agora os seus livros, em edições definitivas de uma beleza deslumbrante, em azul.
Estive esta manhã de sol com os escritos auto-biográficos. E li-a, desventrando-me, porque «assusta-nos o íntimo das nossas vidas, por passarem todas as portas sem pensar que elas se fecham para sempre atrás de nós. Não podemos voltar para compor o inacabado ou as palavras soltas ou a que faltou experiência».
É impossível não viver entre a solicitude e a gratidão ante uma mulher assim pois «com as mulheres tentadoras os homens são solícitos; com as virtuosas são agradecidos, que é um sentimento que dura uma vida».
Leva tempo, mas a leitura chegará ao fim, distraído eu também de «maiores realidades». Muito obrigado, Sibila.

20.12.08

A arca

O livro chamou-se em romeno Tinerete fara de tinerete, em francês Le temps d'un centenaire, em inglês Youth without youth, em português, enfim, em cuja língua o li hoje, dia ferroviário, Uma segunda juventude.
Francis Ford Coppola fez com ele um filme.
É um romance mas podia ser um ensaio sobre a electrocussão e seu efeito no rejuvenescimento. Nele Mircea Eliade leva ao limite a ideia de que a guerra nuclear, erradicará da terra o homo sapiens em benefício de um ser geneticamente modificado para melhor em virtude da intensa descarga eléctrica. Antecipa-se assim o homem pós-histórico, um mundo que se desliga do seu passado, em que se arma e povoa a arca diluviana, esperança num mundo novo.
«A longevidade torna-se suportável e mesmo interessante apenas se previamente se descobriu a técnica dos prazeres simples», diz-se em certo momento. Uma frase destas vale um livro.

19.12.08

Os braços do mar

Há na zona oriental de Lisboa lugares soturnos, onde volteiam fantasmas do que foram casas, sombras do que foram famílias, fogos-fátuos do que foram vidas. Em alguns entra-se por arcos ogivais e são vilas engalanadas de pobreza, de outros sai-se por canadas estreitas com urina nas narinas e um lamento esboroado nos sentimentos. Ficam aí armazéns de comércios que já fecharam, tipografias de repartições que não imprimem. Aqui e além um asilo de filhos da desgraça, pensões dos que ainda não sairam dela. Às vezes são os focos de um teatrinho a iluminar esperanças, os néons de uma cervejaria a anunciar tremoços.
Ao lado, numa marginal de prata que a lua mal ilumina, o rio corre indiferente, sempre jovem na sua renovação aquática, desperdiçando-se nos braços do mar.

16.12.08

A cor dos dias

Hoje, a meu lado, pela hora do almoço falavam do António Alçada Baptista. Ele dizia-lhe que com certeza «o Alçada, porque fundou a revista O Tempo e o Modo e mais a Livraria Moraes e mais essas coisas todas tinha com certeza um projecto pessoal e uma ideia». Ela respondia-lhe, sem perguntar sequer o que eram «essas coisas todas», que não sei quem estava zangado por se dizer que ele escrevia nas revistas femininas, «mas olha que os artigos na Máxima eram muito bons». Ele, sem se ficar e sem reparar nas feminilidades, aditava um «acho que ele queria fundar era um partido da democracia cristã». Era, perguntei-me eu. Ela, como se viesse a propósito, perguntava-lhe se ele tinha lido o artigo que o Vasco Pulido Valente tinha escrito sobre o António. O Alçada Baptista, claro. Eu por acaso não tinha lido. Ele, num vai-vém, comentou então, como se a conversa tivesse lógica, que «ele coitado era católico e progressista, uma contradição». Coitado, claro. Ela rematou que «ele tinha um filho escritor mas que, coitado, era conhecido como o filho do Alçada». Coitado, pois.
Nessa altura eu já me tinha vindo embora. Coitado eu também. Com uma dor de cabeça que deu em vomitar pela hora de jantar. Ai amigo, haja pena dos vivos que os mortos ao menos esses já foram indo para a terra do além de ter de os aturar aos chamados sobreviventes.

15.12.08

Scheiße!

Haja um momento de alegria nestes dias insípidos, depressivos, irritantes, carregados de notícias funestas e de motivos de consternação.
Vem isto a propósito de há uns anos - tenho de fazer contas para reconstituir há quantos - eu ter estado no austero Max Planck Institut für ausländlisches und internationales Strafrecht em Freiburg, na Alemanha, ou seja concretamente aqui, na minha ânsia de estudar Direito Criminal Comparado, o que tomava então conta do meu inquieto ser.
Foram dias belíssimos, entre a biblioteca e um albergue numa mansarda de uma casa particular em que o meu quartinho era tão pequeno que, ao levantar-me, a cabeça batia na trave do telhado. Comi bolo de amoras e bebi schnaps.
O lugar tem toda a quietude da Floresta Negra a marcar-lhe a densidade, mais séculos de sobriedade científica alemã. No que falta para o rigor universitário o velho espírito teutónico povoa-lhe as ruas. Excepção só mesmo a colónia estudantil, cosmopolita e irrequieta na justa medida. É a respeitabilidade feita local.
Ora não é que hoje, com a tarde a findar, eu vejo esta notícia magnífica, a de que desejosos de ornarem a capa da sua revista com algo de simultaneamente belo e simbólico, os editores do Max Planck Forschung, a revista oficial do Instituto, optaram por caracteres chineses que, de facto, com o fundo em vermelho, formam um conjunto sóbrio e apelativo, como se pode ver tendo a maçada de clicar aqui.
Só que - azar dos Távoras! - quis o cruel destino rir-se de tanta circunspecção e de tanto recato e ... os caracteres chineses são, afinal, o anúncio de um bordel em Macau! Segundo os que sabem ler tão esquisitos hieróglifos dizem «Donas de Casa Quentes» e dão conta do que tais acaloradas senhoras são capazes nas suas perfomances em strip-tease!
Não acreditam? Vem tudo aqui, no jornal The Independent!
Mais! Tentando achar uma explicação para remediar o embaraço, uma fonte do agora gozado organismo científico alemão veio dizer que «a língua chinesa tem vários níveis de profundidade». Pior a asneira que o soneto! É caso para dizer: Scheiße! Quer dizer m...
P. S. Voltei aqui para explicar que sei haver na Alemanha mais do que um Max Planck Institut. Falei do que conheço. Isto é preciso muito cuidado! Há sempre quem, não achando graça à piada, tente desmoralizar os que se julgam engraçados. Apre!