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30.5.09

O lugar interior

Consegui ontem, por viajar de comboio, iniciar a leitura do Marcovaldo, o livro de crónicas do Italo Calvino. É uma história abstracta vivida num mundo demasiado concreto. O leitor segue o percurso de uma insignificante folha de árvore, soprada pelo vento, acompanha a sua errática trajectória, antecipa o momento que, torneando o pára-brisas de um automóvel, é sustida amigavelmente pela intersecção de uma esquina de parede e uma corda esticada para estender roupa. Os figurantes neste teatro rústico vivido em ambiente citadino têm todos nomes grandiloquentes, clássicos, greco-latinos. A Itália é uma criatura recente, a língua italiana precede-a criando uma Pátria cultural antes de haver uma Nação de cidadãos. Leio Calvino, essa babel linguística magnífica, no original, allegro cantabile, vivace, con brio.

16.5.09

Contrafatta Natura

A caminho do Pingo Doce fui à Pó dos Livros, aqui ao lado, e encontrei lá o Marcovaldo do Italo Calvino, naquela edição apetecível da Oscar Mondadori. Estive há tempos em Bolonha e trouxe de lá uns quantos, a esmo, por querer trazer todos. Tinha lido em português Se uma Noite um Viajante. Outro dia reparei que, entre tantos, faltavam-me tantos. Juntei-lhes hoje mais este, reconstituindo a família, que está numa estante giratória à janela do meu quarto. Em dias de sol apanham sol. Há pouco entreabri-lhe a apresentação para me maravilhar, sabendo que me maravilharia. «In mezzo all cità di cemento e asfalto, Marcovaldo va in cerca della Natura. Ma esixte ancora la Natura? Quella che egli trova è una Natura dispetosa, contrafatta, compromessa con la vita artificiale». Fantástico! Sabem como aprendi italiano? A ler italiano. Esfomeado de ler.